Mostrando postagens com marcador verdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador verdade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Davi o caçador de gigantes?


Todos conhecemos a importância de Davi como iniciador de um ciclo frutuoso em Israel. De pastor de ovelhas, Davi foi ungido pelo profeta Samuel e tornou-se músico do palácio real, então amigo fiel do príncipe sucessor, perseguido político, rei e conquistador dos povos vizinhos. Davi conseguiu por vias militares que o povoado de Judá se unisse às tribos do norte e Israel finalmente foi um reino só. Os não-israelitas foram subjugados, a fortaleza de Sião foi tomada dos Jebuzeus e Jerusalém foi estabelecida como capital do império. Mil anos mais tarde, o Messias nasceria ainda da linhagem de Davi. Embora Davi tenha sido um rei singular na história dos Judeus e da Cristandade, tido como exemplo religioso pelas gerações seguintes, nem lembramos disso quando lemos o título desse post: Davi foi o camarada franzino que duelou sem armas e venceu Golias, o campeão Filisteu. Ponto. São Davi, protetor dos fracotes valentes!

Mas o próprio Davi dava testemunho ao rei Saul de suas habilidades: ‘Teu servo toma conta das ovelhas de seu pai. Quando aparece um leão ou um urso e leva uma ovelha do rebanho, eu vou atrás dele, atinjo-o com golpes e livro a ovelha de sua boca. Quando se vira contra mim, eu o pego pela juba, atinjo-o com golpes até matá-lo. Teu servo é capaz de matar tanto um leão quanto um urso’ (1ª Samuel 17.34-36). Eu não esperaria hoje encontrar ursos em Israel, quanto mais matar um com uma faca. Com sorte fugiria (a ovelha que se vire), com azar me juntaria a ela. Pelo menos sabemos que Davi se dava muito bem em batalhas corporais; como um Splinter ou Yoda, talvez não fosse tão indefeso assim. Talvez nem fosse pequeno ou franzino.

Mas a polêmica sobre Davi está justamente no combate com Golias. Seguidor do modelo grego de guerrear, Golias de Gate era um filho de Rafa e apostava a servidão do seu povo na sua vitória pessoal contra os Judeus. Mais ou menos como Aquiles dos gregos e Heitor de Tróia. Rafa era um vale fértil na atual El-Bukéia, ao sudoeste de Jerusalém, onde viviam ‘gigantes’ fortes e altos, chamados Refains, Emins, Enaquins ou Zanzumins (Deuteronômio 2.10-11, Deuteronômio 2.20). O desafio aos Judeus era que também apostassem sua servidão na vitória de um campeão.

Começa aí a dúvida. Quando ocorreu esse desafio? Os judeus triunfaram, mas quem derrotou Golias? Segundo a descrição em 1ª Samuel 17.1-10, a batalha foi no reinado de Saul, no vale de Elá, ao lado da colina de Socó. Davi matou Golias com uma pedra e cortou sua cabeça com a espada do próprio Golias. Entretanto, o relato deixa algo duvidoso quando afirma que ‘Davi pegou a cabeça do filisteu, levou-a para Jerusalém e guardou as armas do filisteu em sua própria tenda.’ (1ª Samuel 17.54). Jerusalém, nesse tempo, era ainda uma fortaleza dos Jebuzeus, que somente seria tomada muitos anos mais tarde quando Davi fosse rei e conduzisse o exército. Mais à frente, a escritura de 1ª Samuel coloca Davi pedindo uma arma ao sacerdote Aimeleque (ao sacerdote?), em Nobe, quando Aimeleque lhe ofereceu a espada de Golias, que ele havia guardado junto com o colete sacerdotal! Pegando a espada “sagrada”, Davi desaparece com ela de cena e não se fala mais nisso.

Quando Davi tornou-se rei, ele reuniu um grupo de guerreiros valorosos chamados ‘os trinta’, que pareciam liderar as campanhas militares (por exemplo contra os Filisteus ou na conquista de Jerusalém, a fortaleza dos Jebuzeus). Existem dois relatos numerando os guerreiros, com algumas diferenças na escrita dos nomes ou a falta de vários deles. Esses relatos encontram-se em 2ª Samuel 23.8-39 e 1ª Crônicas 11.10-47. Dentre todos os guerreiros apresentados, vamos focar em um deles chamado Elanã, filho de Dodô, de Belém. Dependendo da tradução, seu nome aparece como Elcanã ou El-canã. Há evidências de que Dodô não se refere a um nome incomum entre os israelitas, mas uma corruptela de ‘Davi’. De fato, a escrita hebraica para Dodô é DWDW, enquanto a escrita para Davi é DWD. Considerando-se o estado de deterioração dos originais que os textos em grego e latim usaram e a falta de separação de palavras, é perfeitamente plausível essa confusão dos copistas. Importa-nos que Elanã/Elcanã era um dos 30 e não havia outro com esse nome no grupo; a expressão ‘Elanã/Elcanã dos 30’ é usada na descrição de outras peripécias do valente.

Segundo a descrição de 1ª Crônicas 20.4-8, a batalha contra Golias ocorreu no reinado de Davi. Elanã/Elcanã filho de Jair (haha, o pai verdadeiro dele!) era um dos 30 grandes guerreiros de Davi e matou Golias num confronto onde vários filhos de Rafa pereceram. Boa parte das traduções acrescenta ‘Lami, irmão de Golias’, embora o texto hebraico traga ‘bethallahmi’ (provavelmente belemita, ou ‘de Belém’), que o copista provavelmente interpretou como ‘bet hal Lahmi’ (irmão Lami). Assim, ficou dito que, na batalha de Gezer, Elanã/Elcanã matou Lami, um filho de Rafa com a precisa descrição de Golias. No texto de 2ª Samuel 21.15-22, curiosamente, Elanã/Elcanã é filho de Jaaré-Oregim (Jair tecelão), um dos 30 guerreiros de Davi, e mata Golias de Gate (sim, ele mesmo) numa batalha em Gobe onde muitos Refains morreram.


Diferentes locais possíveis para o combate de Golias: Gezer, Gobe (hoje Qeiyafa) e Elá (entre Azekah e Socoh).

São dois relatos da morte de Golias. Num deles, o favorito, Davi não é sequer soldado, Saul é rei e Davi lança um pedra que miraculosamente mata o grande campeão filisteu sem um confronto real dos exércitos. Curiosamente, nessa versão Golias oferece a servidão do seu povo se ele perdesse; ele perde, mas os judeus decidem matar todo mundo ao invés de levá-los como escravos. No outro relato, Davi é o rei, há uma batalha real dos exércitos, Golias de Gate é somente um dos maiores Filisteus e morre pelas mão de Elanã/Elcanã que era um dos maiores judeus. Esses são os dois relatos dos judeus; os Filisteus não deixaram escrita que permitisse uma outra versão.

As evidências históricas são de que grandes reis gregos, judeus, assírios, persas, etc eram costumeiramente incluídos como personagens de façanhas militares envolvendo seus deuses. Pode ser o que aconteceu com a história de Davi. Por exemplo, as versões essênias mais antigas citam a altura de Golias como sendo 4 cúbitos e meio (quase 2 metros), ao invés de 6 cúbitos e meio (quase 3 metros). Diversas versões também não contém o trecho de 1ª Samuel 17:55–58, onde afirma-se que Saul não conhecia Davi (apesar de tê-lo como músico em seu palácio e oferecer-lhe ele mesmo uma armadura). Entretanto, não temos outras referências de Davi no início de seu reinado que não a Bíblia. Sabemos dos registros arqueológicos que os Filisteus foram derrotados e Gate, a maior cidade deles, foi arrasada no início do séc 9 a.C.

Os Judeus são extremamente adeptos de se discutir temas religiosos. Não temos, como saber exatamente quem matou Golias de Gate. Vale a pena bater boca sobre isso.

PODE LER, Ó GUERREIRO

Biblia.com.br, Dicionário bíblico: refains
Bíblia em português com atlas, 2 Samuel 21:22
Greenberg G, 101 Myths of the Bible, cap 96
Nally JR, Reformed Answers: who killed Golliath?
Wikipedia, Khirbet Qeiyafa

domingo, 23 de outubro de 2011

In vino, veritas?

O texto original é do Clóvis Gonçalves. A culpa não é minha. Só um pouco.

Sou abstêmio convicto, motivado especialmente por caso de alcoolismo na família e por compreender o dano social causado pelo consumo de bebidas alcoólicas. Portanto, este texto não pretende ser uma apologia a nada, exceto talvez ao equilíbrio bíblico, tendo em conta a advertência:

Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando. (Dt 4:2).

A obediência aos mandamentos começa por não ficar aquém nem ir além de onde a própria Bíblia vai. Fiz uma busca rápida por vinho no Novo Testamento e a encontrei em cerca de 30 versículos. Além disso, o grego e o hebraico usam muitas palavras diferentes associadas a vinho (parece que eles conhecem bem o assunto). Algumas dessas palavras são estudadas a seguir.

OINOS

Esta palavra aparece 33 vezes em 25 versículos (em alguns versículos ocorre repetidamente), e é traduzida “vinho” em todas as ocorrências pela Revista e Atualizada. Que vinho [oinos] contém álcool fica claro na seguinte passagem: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18). A Septuaginta usa oinos para traduzir os hebraicos yayin, chemer, ieqev, sove, asis, shekar, shemer e tirosh, indistintamente. Embora no português vinho seja especificamente uma bebida fermentada, os antigos usavam "vinho" para definir o que era extraído da uva. Assim havia o "vinho" novo, ou suco da fruta, e o "vinho" velho ou fermentado. As palavras Yayin e Tirosh eram usadas especificamente para o vinho novo. Chemer e Asis eram usados para o vinho velho.

Quanto ao vinho usado na última ceia, não é dito de que tipo era, visto que a palavra vinho não ocorre nesse contexto. De qualquer forma, as igrejas apostólicas celebravam a ceia com vinho inebriante. Paulo os repreende afirmando que “ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague” (1Co 11.21). Note que em suas repreensões à forma desordenada na qual a igreja corintiana celebrava a ceia do Senhor, Paulo não inclui o tipo de vinho utilizado.

Interessante notar, também, que Jesus foi acusado de bebedor de vinhos [oinopotes]: “Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” (Lc 7.34). Em uma passagem da primeira epístola de Pedro, bebedices é tradução de um termo derivado de oinos [oinophlugia]: “Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias” (1Pe 4.3).

A conclusão é de que o termo mais comumente traduzido vinho no Novo Testamento refere-se a uma bebida capaz de causar embriaguez se consumida em grande quantidade. É possível que o vinho feito por Jesus em Caná e o utilizado na última ceia fossem do mesmo tipo consumido comumente pelos judeus de seus dias, que bebido puro e em grande quantidade era embriagante. No caso da ceia em Corinto, é-nos permitido concluir que a mesmo continha álcool, pois ninguém se embriaga com suco de uva.


GLEUKOS

Em Atos 2.13 a Revista e Corrigida traduz gleukos como mosto, um suco doce de uva espremida: “Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” (At 2.13). Tecnicamente, mosto é o vinho ainda não totalmente fermentado. De qualquer forma, deveria ser embriagante, visto que a Revista e Atualizada traduz “cheios de mosto” como “embriagados”. A própria expressão dos ouvintes requeria que eles estivessem alterados.


OXOS

Outra palavra traduzida por vinho é oxos: “deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber” (Mt 27.34). Era uma mistura de vinho azedo ou vinagre e água que os soldados romanos estavam acostumados a beber. De fato, a palavra só ocorre nos Evangelhos e somente no episódio da crucificação de Jesus (Mt 27:34, 48; Mc 15.36; Lc 23.36; Jo 19.29-30), sendo traduzida mais comumente como vinagre. Logo, este seguramente não era o vinho utilizado na última ceia, na ceia do Senhor da igreja primitiva e nem mesmo o vinho consumido normalmente pelos judeus nos dias de Jesus.


SIKERA ou SHEKAR

É uma palavra traduzida como bebida forte ou intoxicante, citada quando o anjo do Senhor aparece ao profeta Zacarias, anunciando o nascimento de João: “Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno” (Lc 1.15). Não era exatamente vinho, mas uma bebida feita da uma mistura de ingredientes doces, derivados de grãos ou legumes, ou do suco de frutas (tâmara), ou de uma decocção do mel. Hoje, poderia ser entendida como um tipo de grapa ou licor de uvas.


METHE

A palavra beberrão, bêbado, bebedices, etc, deriva de methe que significa embriaguez, bebedeira, intoxicação: “Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais” (1Co 5.111Co 6.10). Methe e seus derivados estão associados ao consumo excessivo de bebidas. E este excesso é claramente proibido nas Escrituras, como por exemplo Ef 5.18, onde a proibição não é quanto ao consumo de vinho [oinos], mas à embriaguez [methusko], pois como demonstrado acima, Jesus bebia vinho (Lc 7.34, citado acima), mas o irmão beberrão deveria ser evitado (1Co 5.11, citado acima).


Não há uma proibição do tipo “não beberás vinho”. Parece que o ensino bíblico é mais no sentido da moderação. Por exemplo, nas descrições dos requisitos para os oficiais da igreja, a proibição é quanto ao excesso: “É necessário, portanto, que o bispo seja... não dado ao vinho” (1Tm 3.2-3), “semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam... não inclinados a muito vinho”, “quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam... não escravizadas a muito vinho” (Tt 2.3).

A proibição geral é quanto ao embriagar-se, não quanto ao consumo em si, feito com moderação. É neste sentido que temos advertências do tipo “não vos embriagueis com vinho” (Ef 5.18), “acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da... embriaguez” (Lc 21.34),“Andemos dignamente... não em orgias e bebedices” (Rm 13.13), pois “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21).

Ao lado disso, há a recomendação do experiente Paulo ao jovem Timóteo para que este bebesse um pouco de vinho, devido a seus problemas de saúde. “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1Tm 5:23). É interessante aqui observar duas coisas, a quantidade e a finalidade. Era para tomar “um pouco” de vinho e “por causa” de seus problemas gástricos, ou seja, com finalidade terapêutica.

Concluindo, se alguém me perguntar o que eu acho sobre o crente beber com moderação, direi que o mesmo deve evitar, pelas razões que expressei na introdução. Mas se alguém me perguntar se a Bíblia proíbe ao crente beber de forma moderada, para ficar em paz com minha consciência, direi que não. Pois de fato ela não o faz. Ela proíbe a embriaguez, mas não o consumo moderado.

Soli Deo Gloria

---------------------------------------
Esse texto foi colhido de uma parreira de cinco solas das terras de  http://cincosolas.blogspot.com/2010/11/e-pecado-beber-vinho.html, pisado e fermentado em tonéis de cedros do Líbano. Algumas referências foram tiradas ebriamente de http://www.cai.org/files/theme-sheets/en/b/sb0074au.pdf. Agradecemos a preferência.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por que nos dividimos


Todos os cristãos dizem que crêem nas mesmas coisas, então porque tantos conflitos e defesas de quem está certo ou errado quanto ao que vem a definir um cristão?

Considero a teologia como uma forma racional de dizer o que determinadas coisas da fé significam. Neste sentido, devemos buscar tal qual Paulo, Pedro, Tiago, João, Lutero, Agostinho compreender o que cada coisa significa. Por isso, existem diversas explicações sobre a fé, porque para saber isto não basta olhar o texto, mas conhecer sobre a história, a cultura, o ser humano e os mais variados pensamentos sobre os diversos assuntos. E isto não é diferente de qualquer proposta, de qualquer seminário, em qualquer lugar do mundo.

A fé cristã é uma fé com racionalidade e sentido. Crer não conflita com o conhecimento, mas é dimensão mais profunda, onde se extrapolam os limites dos arrazoamentos humanos e se lança no mesmo vetor do mistério. Exemplo:
  1. Conhecemos muito sobre Jesus. 
  2. Sua historicidade não requer fé, apenas constatação dos fatos. 
  3. Acreditar em fatos não pertence à dimensão da fé, mas da racionalidade. 
  4. A pessoa pode conhecer tudo sobre Jesus e ainda assim não crer nele. 
  5. A fé não está na afirmação de que Jesus existiu, se fosse assim, diríamos que temos fé também em Colombo, pois ele também existiu. 
  6. A fé está na afirmação de que este Jesus é o Cristo, Ele é a exata expressão de Deus. 
Olhar para Jesus e ver o Cristo, isto se dá somente pela fé. Aqui entra a teologia: o que esta fé significa? Ela é plausível? Bíblica? Quais as razões para se crer que Jesus de Nazaré seja o Cristo? Vejamos:

Aprendemos que a FÉ É O FIRME FUNDAMENTO, nas versões mais recentes diz que a FÉ É A CERTEZA DAS COISAS. Não entendo que a doutrina seja o fundamento da fé. Conforme Paulo (1Co 13) a fé permanece, mas como expressamos esta fé e a conservamos precisa ser pertinente à realidade da vida, ou será uma fé morta, pois o maior de tudo é o amor. Em Atos 5 os fariseus reclamaram de uma doutrina pregada pelos discípulos, porém o que eles queriam dize,r se não existia doutrina sistematizada? Entendo que a resposta seja quanto a fé em Jesus Cristo o Senhor e Salvador, pois a fé dos judeus é em Deus o Senhor.

Comecemos com o escritor aos Hebreus que, ao ensinar sobre as relações da comunidade cristã entre líder e liderado, não diz para se conferir as doutrinas para ver se são as corretas, mas sim que, deve-se observar o RESULTADO DA VIDA naqueles que ensinam a Palavra de Deus e imitar-lhes a FÉ (Hb 13:7). Atentemos para esta questão central.

Por sua vez, Paulo ensina a Timóteo que se ele instruísse aos crentes a se livrarem da Lei, ele seria um bom ministro de Cristo, nutrido da verdade da fé e da boa doutrina (1Tm 4). O detalhe é a possibilidade de uma boa doutrina, sem uma lei, ou ordenanças. No início da carta ele informa que BOA DOUTRINA significa a FÉ no evangelho de Jesus Cristo.

Ainda na carta de Paulo a Timóteo, ele diz que as pessoas abandonariam a FÉ por darem ouvidos aos espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Sabedor que Paulo não tem em mãos a doutrina da Reforma, de Calvino, de Armínio, de Agostinho, de Lutero, de Moltmann, de Berkhof, de Tomás de Aquino, Fundamentalista, Liberal, Católica, Protestante, Evangélica eu me pergunto: O QUE ELE QUIS DIZER? A qual doutrina ele se referia? Voltamos à resposta inicial: a FÉ. 

Se a DOUTRINA é a FÉ em Jesus, faz sentido o que João coloca (1Jo 4) sobre o espírito do anticristo, que atua no mundo e nega que Jesus é o Deus que veio em carne. Portanto, desvia-se da FÉ quem dá ouvido a uma DOUTRINA que nega a encarnação. Como cristão, não abro mão disto em hipótese alguma, CREIO nesta verdade de FÉ.

Em Efésios 4 Paulo orienta a igreja que ajude na edificação uns dos outros na FÉ, não na DOUTRINA, justamente porque a DOUTRINA pode levar a pessoa a abandonar a FÉ. Para Tito 2 ele diz que a sã doutrina é ser moderado, digno de respeito, sensato e sadio na fé, no amor e na perseverança. E Paulo ainda nos ensina que mais profundo ainda seria o alicerce da FÉ que não é a DOUTRINA, mas Jesus Cristo (1Co 3). Mas ele também fala sobre a existência de um fundamento dos apóstolos e dos profetas, que também é sustentado pela pedra angular que é Cristo.

Aqui devemos nos perguntar o que seria o fundamento dos apóstolos? Aquele que não é como o sacerdócio judaico, mas sim o do sacerdócio universal dos crentes. Que Jesus Cristo, o sumo-sacerdote, fez de judeus e gentios um só e reconciliou o mundo com Deus. O fundamento dos apóstolos é o não à lei sacerdotal.

Qual o fundamento dos profetas? Jesus, como um profeta, convocava à mudanças. Em Mt 12 ao ser inquirido sobre a doutrina, responde com a convocação profética de Oséias: "Misericórdia quero e não sacrifícios".

Resumindo, Paulo não poderia defender doutrinas que não existiam, como estas que temos hoje, pois elas foram elaboradas depois de Paulo. Devemos nos lembrar que suas cartas são do período de Atos, tempo em que ainda não existia a catalogação de nenhuma doutrina. Enfim, vemos na própria Bíblia que o conceito de doutrina não é o que normalmente pensamos. Se quisermos ser fiéis ao espírito cristão precisamos encarar isto, ou vamos fazer da doutrina um fundamento, coisa que para os apóstolos é a fé.

Para que esta FÉ defendida pelos apóstolos faça sentido, tenha significado e comunique à presente geração, as doutrinas elaboradas precisam ser pertinentes ao mundo em que vivemos, ou a FÉ poderá morrer. Judas diz que iria escrever sobre salvação, mas percebeu a necessidade de convocar que os crentes batalhassem por esta fé entregue aos santos. Qual? Ele mesmo responde: A que não muda a graça, negando que Jesus Cristo é nosso único Senhor.

Temos uma concepção sobre doutrina diferente daquela colocada pela igreja primitiva. Não precisamos e nem devemos desprezar as doutrinas, mas ao pensarmos nelas devemos fazê-lo na mesma categoria que pensaram seus propositores: A razão de se ter uma doutrina. Não a doutrina em si, mas sim seu espírito, que era preservar a fé e não transformá-la em fé.

Crer nas doutrinas não salva ninguém e nem torna a pessoa mais santa. Há um só Senhor, Salvador e Mediador, que é Jesus e não a doutrina. 

A partir disto convido-o a pensar comigo: se uma doutrina, por mais piedosa e tradicional que seja e mesmo que em nome da defesa da fé
  1. afasta a pessoa da graça
  2. coloca-a incrédula quanto ao amor de Deus
  3. impede-a de perceber Deus em Jesus
  4. leva-a a ser mais fiel à letra do que a Cristo; amar mais a doutrina do que o próximo
  5. para defender preceitos machuca pessoas, ensina apunhalar quem lhe estendeu a mão
  6. entre caráter e versículos prefere versículos
  7. não permite ver que é a bondade de Deus que leva ao arrependimento
devemos com humildade, sinceridade e espírito de oração repensar esta doutrina, pois ela não pode contrariar a FÉ que nos fundamenta e nem ser mais importante do que o que para Deus é mais importante: 

"De todos os mandamentos, qual é o mais importante?" Respondeu Jesus: "O mais importante é este: 'Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças'. O segundo é este: 'Ame o seu próximo como a si mesmo'. Não existe mandamento maior do que estes". (Mc 12:28-31)

----------------------------
Esse texto foi achado durante a noite no quintal de http://www.elielbatista.com/2011/07/doutrinas-nao-salvam-e-nem-transformam.html, enquanto o Eliel Batista dormia. Depois de uma lustradinha na camisa, foi posto aqui. Limpou, tá novo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eu estou certo. Sigam-me os bons.


por Renato Vargens

Certa vez ouvi do Dr. Shedd a afirmação de que em nosso país existem aproximadamente trinta milhões de pessoas que um dia frequentaram nossas igrejas, e que por motivos diversos já não o fazem mais. De fato, é extremamente comum observarmos por todos os lugares deste país, ex-cristãos que distantes da comunhão com Deus, do relacionamento da igreja, e do convívio dos irmãos, mergulharam novamente no pecado.

Bom, antes de qualquer coisa, vale a pena ressaltar que ao escrever este texto não o faço com o desejo de discutir se os crentes em Jesus podem ou não cair da graça, isso fica para uma outra oportunidade. Na verdade, a minha proposta é tratar de forma específica daqueles que pelos motivos mais diversos abandonaram a fé.

Caro leitor, dentre aqueles que outrora frequentaram os nossos templos, encontramos indivíduos que voltaram a se drogar, a se prostituir, além é claro de cometer do tipo de pecado. No entanto, na minha perspectiva este não é pior tipo de desviado, mesmo porque, tais indivíduos reconhecem que estão longe de Deus, chorando em virtude de suas transgressões, sentindo saudades dos momentos que estavam em comunhão com Pai.

Isto posto, ouso afirmar que o pior tipo de desviado não é pecador “descarado”, mais sim aquele que vestido pela roupagem da religiosidade comporta-se como fariseu, criticando tudo e todos, botando em xeque a igreja, tornando-se assim um desigrejado.

Ora, como já escrevi anteriormente bem sei que alguns verdadeiramente se afastaram porque não eram dos nossos. Outros, porque se decepcionaram ou se feriram na igreja. Entretanto, ouso afirmar que existe uma outra parcela dos denominados “desigrejados” que se afastaram por não desejarem se submeter a qualquer tipo de governo. Para estes a livre interpretação da Bíblia, prevalece sobre o livre exame, a espontaneidade sobre a organização, as reuniões caseiras sobre as reuniões no templo.

1Jo 2.18-20. Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós. E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo.

Tais indivíduos repudiam qualquer tipo de liderança eclesiástica, abominam rótulos e títulos, fazendo o que bem entendem da vida interpretando a graça de Deus de acordo com suas conveniências e interesses, demonstrando que estão desviados da fé.

Lamentavelmente, é nessa perspectiva que têm surgido neste país os caminhos da graça barata, da liberdade sem responsabilidade e de tantos outros mais, cuja mensagem principal é de uma evangelho light onde objetivo final é a satisfação do freguês.

Para piorar a situação, boa parte dos “desigrejados”, não desejam nenhum tipo de compromisso cristão. Em geral, essa atitude é gerada por pessoas que cometeram seus deslizes e depois se recusaram a submeter-se ao devido tratamento, pregando um novo “evangelho” onde a graça de Deus foi transformada em álibe para uma vida desprovida de compromisso e santidade.

Caro leitor, entendo perfeitamente que muitos dos cristãos se feriram em virtude dos mandos e desmandos dos coronéis da fé, que com extrema arbitrariedade impuseram sobre o povo de Deus doutrinas absolutamente anti-bíblicas. Entretanto, isso em hipótese alguma justifica o crente em abandonar a “communion Sanctos”.

Prezado amigo, a Igreja foi criada por Cristo. Ela é composta de gente falha, pecadora e cheia de limitações, todavia, continua sendo de Cristo. Diante do exposto, afirmo sem titubeios que continuo crendo na Igreja do Deus vivo como a única coluna e baluarte da verdade.

Faço minhas as palavras do Credo Apostólico: “Eu creio na igreja, pura, santa e verdadeira”.

Soli Deo Gloria

--------------------------------
Esse texto cujos espinhos cutucam só a mim e ninguém mais foi arrancado com alicate de http://www.pulpitocristao.com/2011/04/o-pior-tipo-de-desviado/.

sábado, 23 de julho de 2011

Autoridade ou verdade?


Colocada desta forma, simples e tosca, a questão pode parecer não ter sentido. É óbvio que devemos buscar sempre seguir a verdade, independente de alguma autoridade a sustentar ou não. Contudo, ao que tudo indica, a obviedade desta resposta parece não estar tão clara assim aos cristãos, do passado e do presente.

Fui evangelicamente ensinado desde a infância sobre a obrigação cristã de obediência às autoridades constituídas sobre nós. Quando criança, este ensinamento vinha na forma de trocadilhos como, “Na escola o alfabeto é A-B-C-D; no céu é O-BE-DE-CER” ou na narração de histórias bíblicas, de personagens que venceram porque foram obedientes a aqueles que estavam “acima” deles.

Na adolescência e mocidade este ensinamento vinha com sustentação teológica mais especificada. Ser submisso às autoridades não é mais algo que, se praticarmos, seremos premiados. Não! É-nos ensinado a partir da adolescência que é impossível ser cristão e ser insubmisso. A submissão às autoridades constituídas é um dever do cristão, uma obrigação, assim como são deveres e obrigações a prática do amor ao próximo e a piedade (na verdade, estranhamente eu tenho percebido que sempre se deu atenção maior à obediência do que ao amor ao próximo nos cultos e estudos… mas isto não vem ao caso aqui).

Os ensinamentos sobre submissão às autoridades são, contudo, ponderados e relativizados. Devemos ser submissos, sim, mas não a todos! Na igreja se ensina que nós devemos ser submissos aos nossos líderes espirituais e aos nossos pastores. A obediência e a honra aos pais também é ensinada, mas pelo o que tenho evidenciado em quase duas décadas de vida cristã, este tipo de obediência é ensinado apenas em salinhas infantis de escola bíblica dominical e é apenas superficialmente comentado em datas festivas, como o dia dos pais e o dia das mães. À parte destas datas comemorativas eu sinceramente não me lembro de ter sido ensinado, do púlpito, sobre a necessidade de obediência e honra aos pais. Ensina-se mais sobre a necessidade de obedecermos aos nossos pastores, e (pasmem!) sobre a necessidade de obedecermos e nos adequarmos ao mercado capitalista (para “prosperarmos”) do que sobre obediência aos pais. Os ensinamentos citados acima como preferidos são deliciosamente convenientes para aqueles que ensinam.

Somos ensinados a obedecer às autoridades constituídas sobre nós, mas e quando estas autoridades contradizem entre si? Por exemplo, a Bíblia diz que não há problema algum em consumir alimentos consagrados a ídolos (1Co 8), mas alguns pastores dizem que isto é errado e pecado. Ou, usando um exemplo que está em discussão hoje em dia, o Estado ordena que não discriminemos os homossexuais, já a Igreja promove esta discriminação de uma forma ou de outra. Nestes exemplos temos duas autoridades diante de nós, e obedecer a uma implica necessariamente na desobediência à outra. O que fazer?

Em alguns casos existe um descompasso entre autoridade e verdade. Nem sempre a autoridade está de acordo com a verdade sobre determinado assunto. Também, nem sempre uma verdade vem de entes de autoridade – às vezes ela é óbvia. Devemos ser primordialmente submissos a qual destes entes? Devemos ser primordialmente submissos às autoridades constituídas, mesmo nos pontos de discordância delas com a verdade? Ou devemos ser submissos à verdade sempre que houver descompasso com o que as autoridades nos dizem? Se esta for a resposta, qual é então a importância das autoridades, já que podemos encontrar a verdade fora do que as autoridades nos ensinam?

A importância da autoridade na fé, dizem os cristãos católicos até hoje, está no fato de que é a autoridade (neste caso, a “autoridade apostólica”) que deve ser o juiz sobre o que é ou não verdade. Os cristãos católicos argumentam, portanto, que ao agirmos de forma submissa à autoridade da Igreja Romana necessariamente estamos de acordo com a verdade, pois é a autoridade romana que interpreta todas as proposições existentes e que define qual é a verdade sobre determinado assunto. Jesus teve irmãos de sangue? Esqueça a Bíblia. Esqueça a história. Algum clérigo, alguma vez na história disse (não com estas palavras, obviamente) que um pinto jamais poderia profanar o santíssimo ventre da mãe de Deus, logo, Jesus não pode ter tido irmãos. E ponto!

O modelo no qual a autoridade é superior à verdade é compartilhado também por parte considerável da liderança evangélica atual (obviamente eles discordam que a autoridade de Cristo esteja com os católicos, mas com eles próprios). Simplesmente obedeça, ou você estará atraindo “maldições para sua vida”.

Este modelo em que “verdade” é aquilo tudo aquilo que uma autoridade definir como “verdade” é, contudo, insustentável. Usando um exemplo bem extremo: se um padre (ou um pastor) ensinar a uma criança que ela deve manter relações sexuais com este padre (ou pastor), ela deve obedecer cegamente a estas ordens? Perceba que o ensinamento vem de uma autoridade espiritual. Se você disser que não (e não há outra resposta possível), então você está concordando que o correto e o verdadeiro não estão necessariamente relacionados a aquilo que uma autoridade diz. O correto e a verdade estão fora, acima do que as autoridades dizem e são independentes do fator “autoridade”. Usando outro exemplo, mais real e tangível: um pastor diz que não devemos comer alimentos consagrados a ídolos enquanto a Bíblia nos dá a total liberdade neste ponto (ponderando apenas para que tomemos cuidado e não escandalizemos os novos na fé). Devemos obedecer a esta ordem pastoral de abstenção de alimentos que tenham sido consagrados a ídolos? Se não, então estamos buscando o que é correto e verdadeiro à parte do que a autoridade imediata nos diz.

Esta questão “autoridade x verdade” tomou conta dos meus pensamentos nos últimos dias, quando observei alguns curiosos fatos sobre Jesus relacionados a esta questão: ele não era submisso aos seus líderes judaicos religiosos; não se importava de fazê-los passar vergonha em público; ousava trazer interpretações novas a algumas questões religiosas aparentemente já “resolvidas” há alguns séculos (p. ex., o caso da guarda do sábado). Jesus era completamente subversivo!

Nos tempos de Jesus (e o quadro não está diferente do panorama dos nossos dias) a “verdade” sobre qualquer assunto era proporcional a qual autoridade a sustentava. Se um sacerdote dissesse que o relacionamento com os gentios era algo ruim, isto era verdade até o momento em que um sumo sacerdote o contradissesse, e ensinasse as pessoas a fazer o contrário. O “peso” da verdade era proporcional ao status de quem a afirmava. Hoje em dia isto o quadro não é muito diferente. Recentemente, na universidade, eu respondi “Depende” a uma pergunta feita por um professor, e sua tréplica irônica foi que apenas pós-graduados podem dizer “depende”. Ao escrever um artigo científico, se você não possui doutorado na área em que você está escrevendo, você não pode dizer “eu observo”, mas “observa-se”; você não pode dizer “eu acredito”, mas “acredita-se” – sempre se sustentando sobre o que alguma “autoridade” já disse sobre o assunto.

Enfim, naquele tempo (que é um tempo idêntico ao nosso, neste sentido) em que a verdade não significava necessariamente “acordo com a realidade”, e sim “acordo com a autoridade”, Jesus, de forma completamente subversiva, questionou pontos sociais, políticos, culturais e religiosos, mesmo não sendo (como homem) “autoridade” sobre nenhuma destas áreas.É por esta razão que os chefes dos sacerdotes e dos escribas questionaram Jesus sobre qual era a autoridade que estava sobre ele. “Dize-nos, com que autoridade fazes estas coisas, ou quem é que te concedeu esta autoridade?” (Lc 20:2). Jesus jamais respondia a este tipo de perguntas, a não ser com outras perguntas (Lc 20:3-8). Em outra feita, os fariseus acusaram Jesus de realizar todos os sinais e maravilhas em nome de Belzebu (Mt 12:24). Existia apenas uma cadeia de autoridade: aquela cadeia à qual os fariseus faziam parte. Como Jesus atuava à parte da cadeia de autoridade oficial, a única conclusão à qual os fariseus poderiam ter chegado é que estava agindo sob autoridade do “príncipe dos demônios”.

É interessante notar que, conforme os evangelhos, Jesus fugia dos títulos de autoridade que eram atribuídos a ele. Geralmente isto não é comentando quando se fala sobre a “autoridade” de Jesus. (Eu mesmo só fui perceber isto na última semana.) Apenas para citar um exemplo, após Pedro chamar Jesus de “Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt 16:16), Jesus “proibiu severamente” Pedro e os demais discípulos que contassem sobre isto ao povo (Mt 16:20). Alguns “por que?” podem surgir aqui. Por que Jesus, sendo o próprio Deus encarnado, não fez uso de sua autoridade e de sua soberania para convencer mais pessoas sobre o Evangelho? Por que Jesus, sendo a encarnação do Deus soberano, ao ser questionado com tanto sarcasmo por parte dos fariseus, não respondeu que a autoridade sobre a qual ele ensinava e curava era a autoridade do próprio Criador?

Em certa feita, enquanto discutiam com Jesus, os fariseus pediram a ele um sinal dos céus. Um sinal, obviamente, que desse sustentação ou autoridade a tudo o que Jesus estava ensinando ou realizando. Seria muito fácil a Jesus mostrar tal sinal e evitar a ele algumas dores de cabeça. Sua resposta, no entanto, foi: “Por que esta geração procura um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração nenhum sinal será dado” (Mc 8:12).

A resposta a estas questões é simples: Jesus acreditava que a autoridade da verdade encontra-se na própria verdade. A verdade é seu próprio árbitro. Ela não precisa de nenhuma autoridade externa que a sustente, nem é necessário que algum sinal a confirme. O ser humano tem livre acesso à verdade, sem precisar se submeter a nenhum julgo de autoridade.

Albert Nolan disse corretamente que

Não há nada menos autoritário do que as parábolas de Jesus. Seu único objetivo é levar o ouvinte a descobrir algo por si mesmo. Não são ilustrações de doutrinas reveladas; são obras de arte que revelam ou descobrem a verdade sobre a vida. Elas despertam a fé do ouvinte, de modo que ele possa “ver” a verdade por si mesmo. É por isso que as parábolas de Jesus sempre terminam com uma pergunta explícita ou implícita a que o ouvinte precisa responder por si mesmo: “Qual dos três, em tua opinião, foi o próximo” (Lc 10:36); “Qual dos dois o amará mais?” (Lc 7:42); “Que vos parece? Qual dos dois realizou a vontade do pai?” (Mt 21:28-31); “Pois bem, que lhes fará o dono da vinha?” (Lc 20:15). (NOLAN, Albert. Jesus antes do cristianismo. São Paulo: Paulus: 1987. p. 178.)

Philip Yancey observou o curioso fato que das 153 vezes que alguém foi até Jesus com alguma pergunta, em 147 vezes ele respondeu fazendo outra pergunta.

Em suma, não é a autoridade que contém a verdade; é a verdade que contém toda a autoridade. Indo um pouco mais além, enquanto estivermos sob o julgo da tirania da autoridade estaremos espiritualmente presos (Mc 10:42-44); só estaremos livres se conhecermos a verdade (Jo 8:32). O Evangelho, assim como qualquer proposição verdadeira no universo, não precisa de nenhuma autoridade externa que lhe sustente, não precisa de nenhum sinal que lhe confirme, muito menos precisa que pessoas o enfeitem.

-------------------------------------------------
Um texto completamente Eliel Vieira-ístico pescado de http://elielvieira.net/2010/06/19/autoridade-ou-verdade/, com autorização do IBAMA e isca de minhoca se mexendo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Samuel, Constantino e as caixas de problemas


provável rosto de Constantino 1, o 1° Papa. No século 4, ele declarou o Cristianismo como religião oficial de Roma, auto-determinou-se soberano dos cristãos e empreendeu uma cruzada contra as facções cristãs dissidentes da sua doutrina pessoal. Clique para ampliar.

1Sm 4.4. [Os anciões de Israel] enviaram, pois, o povo a Siló, e trouxeram de lá a arca da aliança do SENHOR dos Exércitos, que habita entre os querubins; e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, estavam ali com a arca da aliança de Deus. E sucedeu que, vindo a arca da aliança do SENHOR ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu. E os filisteus, ouvindo a voz de júbilo, disseram: Que voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então souberam que a arca do SENHOR era vinda ao arraial.

Por isso os filisteus se atemorizaram, porque diziam: Deus veio ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! Tal nunca jamais sucedeu antes. Ai de nós! Quem nos livrará da mão desses grandiosos deuses? Estes são os deuses que feriram aos egípcios com todas as pragas junto ao deserto. Esforçai-vos, e sede homens, ó filisteus, para que porventura não venhais a servir aos hebreus, como eles serviram a vós; sede, pois, homens, e pelejai.

Então pelejaram os filisteus, e Israel foi ferido, fugindo cada um para a sua tenda; e foi tão grande o estrago, que caíram de Israel trinta mil homens de pé. E foi tomada a arca de Deus: e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, morreram. ...

1Sm 5.1. Os filisteus, pois, tomaram a arca de Deus e a trouxeram de Ebenézer a Asdode. Tomaram os filisteus a arca de Deus, e a colocaram na casa de Dagom, e a puseram junto a Dagom.

Quando a igreja nasceu em atos dos apóstolos, tinha um propósito. Ir pelo mundo e anunciar a boa nova! Jesus era o Salvador e que todos os que nele crescem estariam salvos, pois receberiam o reino em si mesmos e aguardariam a sua volta para instalar o reino de Deus. Poderiam entrar no reino porque estavam justificados pelo Rei, pois haviam sido chamados e ouviram a sua voz.

Quando o “imperador” Constantino transformou a fé em religião oficial de Roma. As trevas se abateram sobre a igreja. Já não bastava crer, tínhamos agora que obedecer e aceitar ao domínio do homem. A partir daí a igreja perdeu a comunhão que tinham e o amor se esfriou de quase todos. A ponto de este período ser chamado pela historia de idade das trevas. A igreja se tornou de tal forma pervertida que homens com Deus se levantaram e desafiaram os poderosos e iniciaram uma volta as origens. 

Entretanto, o som da boca destes homens foi transformado em fábrica de caixas. Jogaram-se fora as trevas e formou-se uma grande fábrica de caixas. Todas elas com o mesmo suposto fabricante, Deus. Ainda que Deus tenha levantado homens, Ele não os autorizou a fazer caixas para conte-Lo. Deus é livre e não cabe em nenhuma caixa. Todas as formas e modelos de caixas não têm Deus. E a igreja que era para trazer libertação, dando liberdade em Jesus, criou formas muito mais poderosas de amarrar os seus fieis. 

Apesar de Deus tentar nos trazer para os rumos, nós criamos um caminho alternativo. As caixas! Pegamos velhas caixas e observamos como eram feitas e transformamos o que já era ruim em pior! Sim por que agora fazemos caixas lindas revestidas com um papel “santo” e embrulhamos com uma fita que diz JESUS. Por conta disto muitos se achegaram e se tornaram especialistas e fabricar caixas. Hoje temos caixas para todos os gostos, só não agradamos a Jesus. Nada que venhamos a fazer pode agradar a Deus, apenas Jesus em nós pode fazer isto. Ele não está nas caixas! Ele não estava na Arca em Siló e não está em qualquer objeto ou filosofia sua.

Quando nos convertemos a Jesus temos a vontade de ajudar a todos a encontrarem a Ele. Buscamos falar e viver o Evangelho a todo instante livremente ao lado Dele. Então vem alguém é nos mostra uma caixa, e diz: você tem caixa? E nos não tendo caixa logo arranjamos uma. E gostamos tanto da caixa que passamos a colocar mais objetos dentro dela, adornamos melhor e colocamos nela nossas características. Então começamos a achar as caixas dos outros não tão bonitas quanto as nossas. Afinal elas não têm as nossas características, não tem o que gostamos. A partir daí, passamos a ser fabricantes de caixas. Novos Constantino, ou constantinianos. Apenas fabricantes de caixas. Mais a fábrica cresce, pois a demanda por caixas é muito grande. É tanta caixa que outros vêem o lucro da fábrica e varias fábricas surgem em explosão nunca antes vista. E todas têm a fita para embalagem escrita Jesus. Todas cópias da primeira, ainda que digam que são o novo, suas dobraduras remetem a velhas práticas usadas no principio para desviar a igreja.

Você se aborreceu com este texto? É sinal que sua caixa já esta bem adornada ou que sua fábrica está de vento em popa. Quando eu olhei minha caixa tive uma surpresa... Eu a achava linda, todos os dias a adornava mais e mais. Até que um vento soprou do céu e pude olhar para caixa e vi como realmente era. E era apenas uma caixa e nela não estava o meu primeiro amor. Olhei para o lado e vi que todas as caixas eram iguais ainda que fossem diferentes, nenhuma delas tinha amor. Mas todas eram amadas por seus donos. Eles a adoravam, exaltavam, idolatravam a caixa. Então, eu peguei minha caixa e comecei a desmontá-la. Achei tanta coisa inútil que nem consegui guardar a caixa. Resolvi jogar a caixa fora. Afinal se a guardasse poderia me dar uma vontade de refazê-la.

Peguei a caixa e joguei-a em uma poça e ela ao afundar fazia um barulho: globs, globs, globsss... Observei que todas as caixas que eram jogadas na água faziam o mesmo barulho. Entretanto eu agora fazia outro barulho. Meu barulho vinha do céu trazido por um anjo. Um Evangelho eterno. O mesmo que eu conheci ao me converter, mais que havia sido contaminado pela caixa e já não libertava mais, não curava mais, não dava mais vida nem alegria. Hoje sou livre em Cristo para obedecer este Evangelho Eterno e seguir somente a Jesus e amar como nunca havia amado. Servir como nunca havia servido, mais certo de que o Reino em mim já está e que sou igreja viva e livre. Então me tornei especialista em desmontar caixas, libertando os que dela dependem. E os apresentando ao Jesus que eles conheceram assim como eu, mas que haviam trocado por uma caixa de globs, globs.

Este é o legado que Constantino deixou para a igreja: caixas de globs, globs. Jesus, que está fora de qualquer caixa, une a todos os que ouvem a sua voz e o seguem.

--------------------------------------------
texto encontrado pelos mergulhadores do blog no interior de uma antiga caixa afundada, onde se lia http://sementesdecristoluz.blogspot.com/2010/08/o-legado-de-constantino-caixa-de-globs.html

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Mentiroso



Resolvi escrever sobre a MENTIRA porque trata-se de um assunto mais difícil do que parece. A Bíblia condena a mentira. Isso não é novidade para (quase) ninguém. Mesmo assim, a mentira permeia o mundo e as igrejas, pois não temos como sair do mundo. Jesus orou pedindo Deus nos guardasse do mal, mas aqui mesmo (Jo 17.15). Não vivemos entre anjos, quem poderia dizer que não leva consigo nada de maligno do mundo ao redor? Só citando, uma pesquisa mostrou que 90% dos norte-americanos admitem não ser SEMPRE verdadeiros... Seria plausível pensar que os cristãos são muito diferentes?

Há diversos tipos de mentiroso. Seria bobagem escrever páginas sobre cada tipo, referenciar sua condenação, etc, porque nem um só deles passa por inocente. Mentira nunca é bom. Além disso, ser um grande reconhecedor/classificador de mentirosos não vai fazer ninguém dar mais valor à verdade. Não vai fazer você deixar de mentir. Embora eu também não possa fazer isso, esse texto é uma tentativa utópica disso mesmo, fazer com que você se afaste da mentira.

A grosso modo, há quem mente PARA OBTER VANTAGENS e há quem mente PORQUE SUA MENTE ESTÁ TREINADA PARA ISSO. O 1º caso é mais simples: o indivíduo sabe que está mentindo, faz isso conscientemente e o faz pretendendo se comprometer o mínimo possível. É o que faz um vendedor tentando te convencer a levar algo que ele não gostaria de ter. Omitir detalhes ou “esconder” a verdade, dessa forma, também é mentir, ainda que a intenção possa ser boa. Antes que você chegue a alguma criança e conte que o Papai Noel não existe, tentando se fazer de “o falador de verdades”, no entanto, lembre-se que nenhuma verdade é útil por si mesma. As verdades são boas se podem ser compreendidas, se levam a algum lugar. As mentiras não levam: o que não quer dizer que toda verdade deva ser dita. Jesus criou muitas parábolas para quem Ele ensinava. Quanto aos mentirosos, Jesus já quebrou-lhe as curtas pernas quando declarou que no Seu reino, os maiores são aqueles que servem, a quem o mundo odeia. Pense bem nisso...

O “surgimento da mentira” é conhecido como INTELIGÊNCIA MAQUIAVÉLICA, e ocorre na idade de cerca de quatro anos e meio. Nessa idade, as crianças aprendem a mentir convincentemente. Antes disso, elas não entendem que há outros pontos de vista, por isso contam estórias fabulosas e inacreditáveis, sem esperar fruto algum disso. Logo que descobrem como uma inverdade pode evitar a punição, ou trazer benefícios, a “natureza mentirosa” se fortalece e a moral dos pais vai ser decisiva. Mentir faz parte da natureza de outros seres intelectualmente desenvolvidos: primatas enganam uns aos outros, leões enganam suas presas. Perceber o prejuízo na mentira e trabalhar o intelecto para evitá-la faz parte apenas do ser humano. Certas doenças mentais, como o autismo, privam a pessoa da capacidade de mentir.

O 2º caso de mentiroso é mais difícil de entender, e nem por isso menos comum. As pessoas aprendem a fazer coisas automaticamente, como desenhar as letras quando escreve ou dirigir um carro. Você pode aprender a mentira, e pode torná-la tão parte de você que a mentira será gerada antes da verdade. Esse é o mentiroso que se envolve, que aprofunda sua mentira e estende-a a muitos aspectos da vida. Algumas pessoas geram para si mesmas estórias de vida inteiras! A maioria dos “mentirosos compulsivos” não chega a tanto, mas contam mentiras tais que se comprometem ou dificultam a própria vida. Mentir faz parte da sua natureza e muitos deles não gostam disso.

Qual dos dois é mais culpado? Ambos. Eles sabotam a verdade para obter benefícios. O 1º tipo faz isso para ter ganhos racionais, como por exemplo ser promovido. O 2º tipo faz isso para ter ganhos emocionais, como por exemplo fazer lógico um sentimento de superioridade. O sentimento não é racional, daí que a criação dessa mentira também ocorre “por debaixo do pano”, isto é, sem que a pessoa se dê conta. Ela tem medo de altura, então pode gerar toda a estória de um acidente aéreo na infância. Ambos os tipos de mentiroso precisam ser tratados, pois Deus não compactua com a mentira. Jesus disse que Ele era A VERDADE. E quando digo tratados, falo isso porque muitos mentirosos (do dois tipos) dificilmente deixam esse mal-hábito.

Certa vez li um artigo onde a mentira era tratada como uma espécie de possessão. Livrar-se dela seria o equivalente a lutar contra um “espírito imundo” e pedir a Deus que o livrasse dele. Sem dúvida, esse tratamento é eficiente. Se a mentira não faz parte de Deus, o Espírito Santo é uma arma poderosa contra ela, e vice-versa. Ao escolher a mentira para o próprio bem, mesmo de forma inconsciente e automática, deixamos de lado o 1° Mandamento: “não terás outros deuses diante de mim”. Esse dEUs não é de barro, ouro ou prata, mas ele nos afasta do Deus verdadeiro. O mundo dos negócios é particularmente atormentado por esse problema: a desonestidade, as reuniões "esquecidas", o roubo de empresas, promessas não cumpridas, contratos quebrados, etc. Nunca se quebraram tantos contratos entre os homens como hoje em dia!

Quando eu era jovem, fazia grande esforço para me certificar de que meus pais não descobririam as notas baixas. Agora tenho 46. Eu arruinei meu casamento. Menti para minha esposa para que tudo parecesse estar bem, a maioria das mentiras tem a ver com coisas financeiras. Eu emprestava dinheiro e não contava a ela sobre isso. Tinha muito medo que, se descobrisse, ela me deixasse. As mentiras ficaram tão grandes e numerosas que agora eu não a culpo por querer me deixar. Eu a amo muito, mas ainda não parei de mentir. Ela acha que eu tenho uma namorada e há muitas outras partes da minha vida que ela não conhece. O estranho é que eu nunca poderia sequer olhar para outra mulher...

Esse é o relato de um mentiroso compulsivo. Ele não gosta, mas mente. A razão disso é o orgulho: somos orgulhosos e preocupados com o que os homens vão pensar de nós, ao invés de o que Deus pensa de nós. Todos nós, às vezes, não conseguimos fazer as coisas que temos intenções de fazer ou somos impedidos de fazer. Se somos incapazes de cumprir um compromisso, precisamos ser capazes de admitir nossa fraqueza e cancelar, ou dizer que chegaremos atrasados. Todos temos fraquezas: parecer não tê-las é orgulho e desonestidade para com os outros.

Pv 6.16. Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: (1) olhos altivos, (2) língua mentirosa, (3) mãos que derramam sangue inocente, (4) o coração que maquina pensamentos perversos, (5) pés que se apressam a correr para o mal, (6) a testemunha falsa que profere mentiras, e (7) o que semeia contendas entre irmãos.

Olhos altivos, língua mentirosa, a testemunha falsa... o que o subconsciente nos leva a buscar! No córtex pré-frontal do cérebro, os mentirosos patológicos têm 26% mais massa branca do que as pessoas que não mentem. Esse desenvolvimento lhes aumenta capacidade de criar estórias. Por outro lado, a menor quantidade de matéria branca é típica de autistas. As mentiras patológicas não são planejadas, são espontâneas. Esse mentiroso é um repentista que semi-acredita na sua própria criação. Nem são mentiras úteis: você pergunta o que ele fez no sábado e ele diz que ele foi ao shopping, viu um cara tentar roubar uma loja, mas ele foi pego por dois policiais fora de serviço. E depois você descobre que ele estava na casa da namorada.

Ele reconhece que os "fatos" são mentiras, mas não a essência, o espírito. "Ok, olhe, eu realmente não fui ao shopping". Mas em sua mente, ele lembrou de um filme, de algo que leu, sua mente imediatamente juntou isso ao mundo real e a estória surgiu. Porque ele está cansado? Porque estava ajudando os policiais, aqueles que prenderam o bandido.

Cabe um tratamento do tipo “calma, pare e pense, use sua criatividade de outra forma” para esse sujeito. Sempre criam situações que os valorize ou beneficie de alguma forma, por isso cabe fazê-los pedir ajuda Espírito Santo antes de falar, antes de tomar suas decisões.

Essa sede de admiração é o que precisa ser sanado, em todos nós. Lembre-se que o 1° relato de uma ação do diabo junto aos homens foi sugerir que poderíamos ser como Deus. Mas não podemos. Deus cria o mundo, não nós. Nos cabe somente aceitá-lo e usar da melhor forma possível, isto é, buscando o que Deus ensinou, não o que nós queremos.

Fabrizio