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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Deus NÃO é avô

Cena famosa de "O Grande Ditador",
onde Chaplin brinca com uma bola representando o mundo

Segue um texto de Jason A. Van Bemmel, depois de carcomido e remexido em tonel de carvalho centenário. Impresso, ele pode virar um lindo guardanapo.

"Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que o vento. Não confieis na opressão, nem vos ensoberbeçais na rapina; se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração. Deus falou uma vez; duas coisas aprendi: que o poder pertence a Deus; a Ti também, Senhor, pertence a misericórdia; pois retribuirás a cada um segundo a sua obra." (Sl 62.9-12)

Você se lembra de quando descobriu que seu pai não era todo-poderoso? Quando era menino, eu realmente achava que meu pai podia fazer qualquer coisa. Meu pai é bastante habilidoso e grande (mais de 1,98 m), e para um garoto de 6 anos, ele se parecia com o Super Homem. No entanto, como todos vocês, eu tive que enfrentar a dura e lenta constatação de que meu pai não era, de fato, onipotente, até que, quando adolescente, passei a imaginar se o meu pai podia realmente fazer alguma coisa certa. O superman ficou mais velho!

Algumas pessoas (mesmo aquelas que se intitulam "cristãs") acham que as nossas típicas experiências da infância com nossos pais terrenos é um modelo para aquilo que deve acontecer em relação a nossa visão de Deus ao longo do tempo, à medida que amadurecemos em nossa fé. As crises e os conflitos vêm, razão pela qual devemos ver que um mundo cheio de maldade é incompatível com um Deus todo-poderoso e completamente bom. Uma vez que todos nós acreditamos que Deus é bom, devemos então abandonar a idéia de que Deus é todo-poderoso em favor de um Deus que se parece muito mais como nossos pais limitados e falíveis.

Entretanto, a Bíblia não nos dá qualquer espaço para uma visão tão pálida de Deus. Bom ao contrário, na verdade, Escritura após Escritura, Deus brilha com esplendor como o grande e glorioso Rei do Universo. "Porque para Deus não haverá impossíveis", a Bíblia proclama corajosamente e repetidas vezes (ver Lc 1.37 e Mc 10.27). "Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar”, Deus relembra o seu povo duvidoso em Isaías 59. "Ninguém há como o SENHOR, nosso Deus”, nos é dito repetidas vezes. E a Bíblia explica exatamente o que isso significa: "Ninguém é como Deus em majestade, em santidade, na soberania e na fidelidade dos pactos (mantendo suas promessas absolutamente)".

DOIS ENCONTROS COM A SOBERANIA

Uma forma de analisar a soberania absoluta de Deus é através dos olhos de duas pessoas que estiveram cara a cara com Ele de maneiras diferentes: Jó e Nabucodonosor. Jó era um homem [de Deus] justo, que viu a soberania de Deus em ação nos seus momentos de provações. Nabucodonosor foi um imperador  [também de Deus] orgulhoso que aprendeu a lição da soberania de Deus da maneira mais difícil, por ser destituído de seu poder e de sua sanidade por Deus.

Imagine ser tão fiel a Deus a ponto de Deus perceber e começar a se gabar de você. Deus estava tão orgulhoso da justiça de Jó que Ele se gabou de Jó com Satanás. Em resposta à aprovação de Deus sobre Jó, Satanás fez um trato com Deus e conseguiu permissão para testá-lo severamente. Contudo, não perca o ponto aqui: Satanás teve que obter autorização de Deus antes que pudesse tocar em Jó. Deus está no controle, inclusive das atividades de Satanás contra o Seu povo.

No ponto mais profundo de seu desespero, Jó desejou nunca ter nascido e questionou as razões de Deus por enviar tais provações à sua vida. Embora Jó nunca tenha pecado contra Deus em acusá-Lo de injustiça, ele quis saber dos motivos que Deus teria para prová-lo de forma tão severa (de uma forma que pareceu a Jó como uma severa punição). Jó não entendia porque seus filhos morreram, porque perdeu toda a sua riqueza ou porque seu corpo estava coberto de chagas. Ele não tinha respostas, e seus amigos foram de pouca ajuda, mas ele sabia que a mão de Deus devia estar por trás daquelas suas horas escuras. E ele estava certo.

Sobre as perguntas de Jó, Deus proferiu suas próprias perguntas. Em uma furiosa tempestade, a voz de Deus surge para desafiar Jó e para relembrá-lo de quem é quem no universo. “Onde estavas tu", Deus começou, "quando eu lançava os fundamentos da terra?" Em outras palavras: "Quem exatamente você pensa que é para questionar Deus?”.

No final das contas, a resposta de Jó a Deus foi simples, profunda e a única verdade que todos nós precisamos saber, em última análise: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos Teus planos pode ser frustrado. Eu Te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos Te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” (Jó 42). Jó tinha aprendido que Deus era Deus, e isso foi o bastante para ele.

Ao contrário de Jó, Nabucodonosor não era um servo de Deus, justo e humilde. Na verdade, ele era um governante arrogante que construiu um ídolo de 27 metros de si mesmo e ordenou que todos se curvassem e o adorassem. Ele se achou merecedor do lugar de Deus. No entanto, este pecador só precisava, tanto quanto o justo servo de Deus, saber a verdade sobre quem realmente estava no trono e era digno de adoração. Então Deus deu ao Rei Nabucodonosor um sonho.

No sonho, tal como interpretado por Daniel, Nabucodonosor soube que ele estaria, em breve, despojado de toda a sua dignidade e sanidade, e iria viver como um animal selvagem no deserto. Nabucodonosor, havia se tornado orgulhoso e achava que sozinho era responsável pelo grande reino que havia construído. Ao olhar para fora sobre a gloriosa Babilônia, ele proclamou: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para a glória da minha majestade?” (Dn 4.30). Bem contrariamente a isso, o Salmo 62 fecha com a máxima "retribuirás a cada um segundo a sua obra"... Você pode trabalhar, pode investir tempo e poder, mas o resultado será DADO a você pelo Senhor. Sempre é Ele quem comanda.

Depois que Deus humilhou Nabucodonosor, seu coração foi mudado e ele reconheceu que somente Deus é soberano sobre as questões das nações. Nabucodonosor proclamou:

Pois seu domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da terra são por Ele reputados em nada; e, segundo a Sua vontade, Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem Lhe possa deter a mão, nem Lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.34-35)

Através da vida e exemplo de Jó, aprendemos que Deus é soberano sobre o nosso sofrimento. Todo sofrimento vem da mão de Deus e serve aos Seus propósitos últimos, embora o sofrimento possa vir através de uma variedade de causas secundárias (doença, desastres naturais, opressão demoníaca, pecado, etc.). Através da vida e exemplo de Nabucodonosor, aprendemos que Deus também é soberano sobre as nações e os governantes do mundo. Ele levanta reis e presidentes e os usa para a Sua vontade, muitas vezes para abençoar uma nação e, muitas vezes para trazer juízo e destruição. Mais uma vez, Deus usa as causas secundárias (eleições, revoluções, etc.), mas a mão por trás de tudo isso é a Sua, e a Sua somente.

SOBERANO SOBRE TUDO

A completa soberania de Deus sobre todas as coisas é um dos principais temas da Bíblia. Repetida em toda Escritura, ela é ensinada explicitamente em vários lugares, em vários tempos e repetida em exemplos. Quando os homens chegaram a Jesus e pediram sinais dos céus, Ele realmente deve ter pensado "mais ainda?". "Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas" (Mt 16.4), isto é, o INEXPLICÁVEL fato de ainda estarem vivos. Algumas vezes a mão de Deus é mais visível e algumas vezes mais escondida. No entanto, Sua mão está sempre atuando e Sua vontade é sempre realizada. Na verdade, toda a história da Bíblia é a história da atividade soberana de Deus no mundo.

Em Gênesis, Deus ensina que é soberano sobre a criação, sobre o julgamento (vide o Dilúvio, Babel, Sodoma e Gomorra) e a eleição (a chamada de Abraão, a escolha de Jacó sobre Esaú).  Em Êxodo Ele mostra que é soberano sobre a libertação do seu povo e atenta até para seus padrões morais (os 10 Mandamentos). Em Levítico e Números, Deus mostra soberania sobre a organização do seu povo e sobre a adoração corporativa. Em Deuteronômio, Ele enfatiza Seu direito absoluto para abençoar e amaldiçoar conforme os padrões da Sua aliança, ou do Seu Pacto na Lei. Com Josué, Deus ensina sua soberania nas vitórias improváveis e derrotas "misteriosas" do Seu povo (a batalha em Ai). Em Juízes, Ele mostra o poder e o controle sobre a opressão e livramento do Seu povo, que teimava em não ser Seu! Em Ruth, Ele nos ensina a soberania sobre os estrangeiros e evoca a linhagem do Messias no local mais improvável! Os livros de Samuel, Reis e Crônicas mostram a mão de Deus continuamente construindo a história de Israel, para abençoar e amaldiçoar como Ele prometeu fazer em Deuteronômio... E assim segue pelos profetas avisados de cataclismas, invasões, guerras, salvadores do Egito ou salvos de leões, avisando reis intransigentes de sua loucura presente ou futura, com Jesus ensinando sobre um Reino acima dos homens, um soldado romano de repente pregando o Evangelho por todo o mundo e até as revelações de João em Apocalipse.

Assim como Ezequiel, João se assustou ao ter descortinado perante si o plano de Deus já feito... e em pleno andamento! Quem poderá deter a Sua mão?

domingo, 23 de outubro de 2011

In vino, veritas?

O texto original é do Clóvis Gonçalves. A culpa não é minha. Só um pouco.

Sou abstêmio convicto, motivado especialmente por caso de alcoolismo na família e por compreender o dano social causado pelo consumo de bebidas alcoólicas. Portanto, este texto não pretende ser uma apologia a nada, exceto talvez ao equilíbrio bíblico, tendo em conta a advertência:

Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando. (Dt 4:2).

A obediência aos mandamentos começa por não ficar aquém nem ir além de onde a própria Bíblia vai. Fiz uma busca rápida por vinho no Novo Testamento e a encontrei em cerca de 30 versículos. Além disso, o grego e o hebraico usam muitas palavras diferentes associadas a vinho (parece que eles conhecem bem o assunto). Algumas dessas palavras são estudadas a seguir.

OINOS

Esta palavra aparece 33 vezes em 25 versículos (em alguns versículos ocorre repetidamente), e é traduzida “vinho” em todas as ocorrências pela Revista e Atualizada. Que vinho [oinos] contém álcool fica claro na seguinte passagem: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18). A Septuaginta usa oinos para traduzir os hebraicos yayin, chemer, ieqev, sove, asis, shekar, shemer e tirosh, indistintamente. Embora no português vinho seja especificamente uma bebida fermentada, os antigos usavam "vinho" para definir o que era extraído da uva. Assim havia o "vinho" novo, ou suco da fruta, e o "vinho" velho ou fermentado. As palavras Yayin e Tirosh eram usadas especificamente para o vinho novo. Chemer e Asis eram usados para o vinho velho.

Quanto ao vinho usado na última ceia, não é dito de que tipo era, visto que a palavra vinho não ocorre nesse contexto. De qualquer forma, as igrejas apostólicas celebravam a ceia com vinho inebriante. Paulo os repreende afirmando que “ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague” (1Co 11.21). Note que em suas repreensões à forma desordenada na qual a igreja corintiana celebrava a ceia do Senhor, Paulo não inclui o tipo de vinho utilizado.

Interessante notar, também, que Jesus foi acusado de bebedor de vinhos [oinopotes]: “Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” (Lc 7.34). Em uma passagem da primeira epístola de Pedro, bebedices é tradução de um termo derivado de oinos [oinophlugia]: “Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias” (1Pe 4.3).

A conclusão é de que o termo mais comumente traduzido vinho no Novo Testamento refere-se a uma bebida capaz de causar embriaguez se consumida em grande quantidade. É possível que o vinho feito por Jesus em Caná e o utilizado na última ceia fossem do mesmo tipo consumido comumente pelos judeus de seus dias, que bebido puro e em grande quantidade era embriagante. No caso da ceia em Corinto, é-nos permitido concluir que a mesmo continha álcool, pois ninguém se embriaga com suco de uva.


GLEUKOS

Em Atos 2.13 a Revista e Corrigida traduz gleukos como mosto, um suco doce de uva espremida: “Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” (At 2.13). Tecnicamente, mosto é o vinho ainda não totalmente fermentado. De qualquer forma, deveria ser embriagante, visto que a Revista e Atualizada traduz “cheios de mosto” como “embriagados”. A própria expressão dos ouvintes requeria que eles estivessem alterados.


OXOS

Outra palavra traduzida por vinho é oxos: “deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber” (Mt 27.34). Era uma mistura de vinho azedo ou vinagre e água que os soldados romanos estavam acostumados a beber. De fato, a palavra só ocorre nos Evangelhos e somente no episódio da crucificação de Jesus (Mt 27:34, 48; Mc 15.36; Lc 23.36; Jo 19.29-30), sendo traduzida mais comumente como vinagre. Logo, este seguramente não era o vinho utilizado na última ceia, na ceia do Senhor da igreja primitiva e nem mesmo o vinho consumido normalmente pelos judeus nos dias de Jesus.


SIKERA ou SHEKAR

É uma palavra traduzida como bebida forte ou intoxicante, citada quando o anjo do Senhor aparece ao profeta Zacarias, anunciando o nascimento de João: “Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno” (Lc 1.15). Não era exatamente vinho, mas uma bebida feita da uma mistura de ingredientes doces, derivados de grãos ou legumes, ou do suco de frutas (tâmara), ou de uma decocção do mel. Hoje, poderia ser entendida como um tipo de grapa ou licor de uvas.


METHE

A palavra beberrão, bêbado, bebedices, etc, deriva de methe que significa embriaguez, bebedeira, intoxicação: “Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais” (1Co 5.111Co 6.10). Methe e seus derivados estão associados ao consumo excessivo de bebidas. E este excesso é claramente proibido nas Escrituras, como por exemplo Ef 5.18, onde a proibição não é quanto ao consumo de vinho [oinos], mas à embriaguez [methusko], pois como demonstrado acima, Jesus bebia vinho (Lc 7.34, citado acima), mas o irmão beberrão deveria ser evitado (1Co 5.11, citado acima).


Não há uma proibição do tipo “não beberás vinho”. Parece que o ensino bíblico é mais no sentido da moderação. Por exemplo, nas descrições dos requisitos para os oficiais da igreja, a proibição é quanto ao excesso: “É necessário, portanto, que o bispo seja... não dado ao vinho” (1Tm 3.2-3), “semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam... não inclinados a muito vinho”, “quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam... não escravizadas a muito vinho” (Tt 2.3).

A proibição geral é quanto ao embriagar-se, não quanto ao consumo em si, feito com moderação. É neste sentido que temos advertências do tipo “não vos embriagueis com vinho” (Ef 5.18), “acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da... embriaguez” (Lc 21.34),“Andemos dignamente... não em orgias e bebedices” (Rm 13.13), pois “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21).

Ao lado disso, há a recomendação do experiente Paulo ao jovem Timóteo para que este bebesse um pouco de vinho, devido a seus problemas de saúde. “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1Tm 5:23). É interessante aqui observar duas coisas, a quantidade e a finalidade. Era para tomar “um pouco” de vinho e “por causa” de seus problemas gástricos, ou seja, com finalidade terapêutica.

Concluindo, se alguém me perguntar o que eu acho sobre o crente beber com moderação, direi que o mesmo deve evitar, pelas razões que expressei na introdução. Mas se alguém me perguntar se a Bíblia proíbe ao crente beber de forma moderada, para ficar em paz com minha consciência, direi que não. Pois de fato ela não o faz. Ela proíbe a embriaguez, mas não o consumo moderado.

Soli Deo Gloria

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Esse texto foi colhido de uma parreira de cinco solas das terras de  http://cincosolas.blogspot.com/2010/11/e-pecado-beber-vinho.html, pisado e fermentado em tonéis de cedros do Líbano. Algumas referências foram tiradas ebriamente de http://www.cai.org/files/theme-sheets/en/b/sb0074au.pdf. Agradecemos a preferência.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Deus está olhando


texto de Ricardo Gondim
retirado do livro "A Presença Imperceptíel de Deus"

Pois nessa esperança fomos salvos. Mas, esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo? Mas se esperarmos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente”. Rm 8:24-25

Esperança e o conhecimento nunca se encontram. Nunca esperamos o que sabemos e nunca sabemos o que esperamos. Nesse sentido, a esperança é mais nobre até que a própria fé. Na fé, sabemos o que queremos. Temos um alvo. Temos um alicerce em que baseamos nossa certeza: o caráter de Deus. Na esperança, não temos nenhuma indicação do que possa acontecer no futuro, tudo é difuso. Entretanto, na esperança há uma força que nos diz: “vale a pena continuar”.

Se você perguntar porque vale a pena continuar, não obterá respostas. Se perguntar, para que lutar, não obterá qualquer explicação. A esperança não se explica, não oferece respostas. Ela apenas nos manda continuar acreditando que de alguma maneira, por alguma razão, vale a pena viver, amar, sonhar e planejar para o futuro.

Esperança é desejar o que não depende de nós. Quando podemos fazer, não nos cabe esperar, trata-se de querer e realizar. Ninguém espera aquilo que é capaz. Esperança é para os falidos, pois é um desejo cuja satisfação não depende das pessoas. Esperança é um grito que nasce no espírito e que proclama: “apesar de tudo, de alguma forma, não sei como, vai dar certo!” Esperança é, nas cinzas da angústia e do desespero, poder dizer: “o melhor ainda está por vir!

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Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesda, escritor e teólogo (muito) polêmico. É um dos oponentes da teologia da prosperidade, da maldição hereditária e crítico da teologia calvinista.