Mostrando postagens com marcador fariseu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fariseu. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Um estudo da hipocrisia - entre doutores e viúvas


Segue um texto brilhante de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, publicado em nov. 2012, apenas 1 mês antes do fim do mundo. Depois que tudo acabou, você só podia estar aqui lendo ele.

Jesus ensinava: "Cuidado com os mestres da lei. Eles fazem questão de andar com roupas especiais, de receber saudações nas praças e de ocupar os lugares mais importantes nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses receberão condenação mais severa!"

Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadas as contribuições, e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas. Muitos ricos lançavam ali grandes quantias. Então, uma viúva pobre chegou-se e colocou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor. Chamando a si os seus discípulos, Jesus declarou: "Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver". (Mc 12.38-44)

1. A ALEGRIA DE DAR

Ao analisarmos a natureza, encontramos um fenômeno difundido por toda a criação, desde o reino mineral até o mundo dos seres angélicos.

O Sol está sempre espalhando sua luz e seu calor sobre a Terra, beneficiando todos os seres que precisam dessa irradiação. As águas, no seu constante movimento, se evaporam e constituem nuvens que, depois de carregadas, despejam sobre o solo elementos indispensáveis para a vida. Constatamos a extraordinária variedade e a superabundância de peixes que povoam os mares e os rios. Em Gn 1.26 lemos a prerrogativa divina "Domine ele [o homem] sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão", ou seja, tudo o que a Natureza gera existe para alimentar o homem. E ela a tudo doa! Dizemos mesmo que a Natureza é boa pela medida em que ela dá seus frutos, seja consciente disso ou não.

Se os elementos fossem passíveis de felicidade, a árvore frutífera, por exemplo, cumpriria o mando de Deus  ao produzir frutas e ofertá-las ao homem; o mar em entregar-lhe os peixes; o Sol em iluminar e aquecer a Terra. Em última instância, cumprir os desígnios de Deus coloca-te dentro do Reino que Jesus veio anunciar. E o que é o Reino de Deus? Trata-se de ter por Senhor, protetor e amigo Aquele que é todo bondade e poder.

2. CONTRASTE ENTRE EGOÍSMO E GENEROSIDADE

Para entendermos bem o ensino de Jesus, devemos ponderar que o Evangelho não foi escrito como um livro comum, uma história para fazer bem às almas piedosas dos primeiros tempos do Cristianismo. Antes de tudo, convocavam a uma perfeição como a do Pai, uma ordenança tão antiga como a libertação do povo de Deus: "Eu sou o Senhor que os tirou da terra do Egito para ser o seu Deus; por isso, sejam santos, porque eu sou santo." (Lv 11:45). Mas não só isso: eram também elemento de polêmica, uma vez que os primeiros divulgadores da Boa-nova, na sua ação apostólica, encontravam diante de si obstáculos a vencer. Quando João Marcos escreveu, um desses entraves provinha justamente de homens versados na Lei de Moisés e nas Escrituras do Antigo Testamento, que se haviam apossado da Lei.

Como é opinião comum dos exegetas, João Marcos viveu em Roma durante muito tempo, como auxiliar de Paulo e Pedro, e escrevia para o público romano. Nesse tempo, muitos judeus residiam na capital do Império e estavam ingressando nas fileiras cristãs. Tanto os que permaneciam na sinagoga quanto os recém convertidos (é preciso entender o quanto isso era difícil para alguém educado pelos Fariseus) queriam a todo o custo fazer prevalecer seus costumes e a Lei de Moisés entre os cristãos, inclusive no meio daqueles provenientes dos gentios (não judeus). Paulo questionou longamente os judeus de Roma por tal postura.

Enquanto Lucas e Mateus Levi não se incomodaram tanto perante essa situação, João Marcos polemiza incansavelmente contra os doutores da Lei que atrapalhavam sua ação apostólica, não lhes poupando merecidas críticas. Ele dá destaque às discussões que tiveram com Jesus, e delas tira riquíssimas lições morais para os cristãos de todos os tempos. No primeiro versículo do trecho acima, ele alerta as multidões contra a hipocrisia dos doutores.

"Cuidado com os mestres da lei. Eles fazem questão de andar com roupas especiais, de receber saudações nas praças e de ocupar os lugares mais importantes nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes."

É importante destacar o detalhe apontado pelo evangelista: Jesus falava a "uma grande multidão". Portanto, foi um ensinamento destinado a todos e dado sem rodeios, alertando o povo contra os doutores da Lei.

Segundo os costumes da época, era natural que todo mundo fizesse honras especiais quando passava um doutor da Lei, aos quais estavam reservados os lugares de preeminência nos atos públicos. Conforme faz notar o padre Tuya em seu trabalho, a praça pública, ou ágora, era o centro comercial e social da cidade. Por isso, os escribas e fariseus gostavam de, com seus vistosos trajes, passear lenta e gravemente nesse local, para receber os cumprimentos do povo. Cobiçavam de modo especial o título de Rabi (meu Mestre). "Nas assembleias, os lugares eram determinados não só em razão da idade, mas também da dignidade do personagem, por exemplo, de sua sabedoria. Como os lugares designados em razão da dignidade eram muito menos numerosos que os destinados a pessoas por motivo da idade, queriam os fariseus, por ostentação e vaidade, que nos banquetes lhes fossem dados esses primeiros lugares, para destacar assim sua dignidade. [...] Era uma ânsia desmedida, infantil e quase patológica de vaidade e soberba".²

Uma leitura superficial dos dois versículos acima transcritos poderia levar a crer que não se deve usar roupas belas, cumprimentar com cortesia ou favorecer a hierarquia no relacionamento social. Aliás, as roupas nobres e decorosas estão sendo abandonadas, em razão da mentalidade dos dias nos quais vivemos. Predomina o feio pelo feio, e o igualitário pelo igualitário. Vai se generalizando o gosto de vestir-se o mais negligentemente possível, de modo a poder sentar-se no chão; entram na moda o feio, o velho, o rasgado e o imoral, enquanto se simplificam ao máximo os costumes, tal como nem seres irracionais o fariam. Não é isso o que o Senhor queria para seus seguidores.

O problema não está na roupa vistosa ou na honraria, mas em querer chamar a atenção sobre si, isto é, em ter a intenção não de louvar a Deus, mas de louvar-se a si mesmo. Os costumes enumerados por Jesus, legítimos em algumas circunstâncias, eram do gosto dos doutores, mais por soberba do que por admiração pelas coisas belas, pelo desejo de glorificar a Deus ou pelo intuito de fazer bem ao próximo. Seu objetivo era vangloriar-se, ostentar superioridade, no fundo, serem "adorados", incensados pelos outros. Usurpavam, pois, em especial no Templo, o lugar central pertencente a Deus. Aquele aparato de dignidade, aquela aparência de honra, respeito e sabedoria deveria corresponder à realidade; ou seja, a vida de tais doutores é que deveria torná-los credores dessas homenagens.

A realidade bem diferente era denunciada por Jesus.

3. APARÊNCIA, MANTO DE UMA REALIDADE PECAMINOSA

"Eles devoram as casas das viúvas, e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses receberão condenação mais severa!"

No Antigo Testamento, a viúva tinha muito pouca proteção e homens inescrupulosos arrancavam delas o quanto podiam. Comum era o caso de viúvas sem filhos adultos, que ficavam responsáveis por administrar a fortuna da família. Nessa situação de desamparo, conforme aponta Jesus, introduzia-se um mestre da Lei que, sob a escusa de sacrifícios no Templo, terminava por rapinar tudo o que tinham.

Ao denunciá-los, Ele expunha às multidões o quanto os doutores da Lei representavam exteriormente aquilo que NÃO eram. Conheciam os meandros da Lei, sem praticá-la... Na realidade, portavam-se como vorazes devoradores de fortunas alheias. Ainda mais, sendo legalistas, sabiam bem conduzir os processos jurídicos que rodeavam cada pleito de sucessão e, com isso, tinham maior facilidade em terminar apossando-se do dinheiro.

Portanto, sob aparência de virtude ocultava-se uma mentalidade de vampiro, cujo fim era arrancar dos outros, de forma injusta e inescrupulosa, tudo quanto fosse possível.

4. AS FUNESTAS CONSEQÜÊNCIAS DO ORGULHO

Sirva-nos isto de alerta contra os perigos do orgulho: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’ (Mt 22.39). Toda vaidade – acaba levando à desobediência aos simples mandamentos postos por Jesus (o 1º é amar a Deus, ou seja, agradecer-lhe pelos favores concedidos). Condição essencial para manter-se fiel à Lei é a humildade de saber-se igual aos outros.

No caso dos doutores da Lei, o egoísmo orgulhoso, agravado pela duplicidade de espírito, a hipocrisia de representar de maneira aparatosa aquilo que não se é, torna-os merecedores da "pior condenação", segundo a enérgica expressão do próprio Jesus: a danação eterna, no inferno, castigo adequado para quem, tomando as vias do orgulho, embrenha-se na desonestidade e em outros pecados. Fujamos, pois, de toda e qualquer vanglória, para não terminarmos por romper com os demais Mandamentos, amando-nos acima de Deus. E tenhamos a certeza desta verdade: na raiz de todo pecado grave está sempre o orgulho.

5. FAZER O BEM POR OSTENTAÇÃO

Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadas as contribuições, e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas. Muitos ricos lançavam ali grandes quantias.

Ao exemplo dado sobre o comportamento dos legalistas, João Marcos vai contrapor a cena acima. Existiam no Templo treze cofres para o depósito de esmolas. "O gazofilácio, ou tesouro do Templo", informa-nos o padre Tuya, "estava situado no átrio das mulheres. Provavelmente havia várias câmaras para a conservação desses tesouros. Na parte anterior, segundo a Mishna, havia treze alçapões em forma de trombeta, de abertura muito grande no exterior, por onde se atiravam as oferendas".²

Naquela pequena sociedade – ao contrário dos aglomerados de pessoas anônimas das grandes cidades modernas – todos se conheciam e, portanto, quem dava esmolas muito atraía a atenção.

Lembremos também que naquele tempo não existia o papel-moeda, mas apenas as peças cunhadas em metal nobre como o ouro e a prata, ou em metais de menor valor. Assim, esses cofres favoreciam o desejo de ostentação. Quem possuía grande fortuna podia com facilidade despejar neles enormes quantidades de moedas, de maneira aparatosa e barulhenta, alardeando perante os circundantes sua generosidade. Como Jesus denunciara em outra ocasião ("Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa."; Mt 6.2), com frequência a ação desses hipócritas era precedida por toques de trombeta que anunciavam a esmola a ser dada. Feito isto, um novo toque indicava a saída do doador. Este se retirava coberto de glória, alvo da admiração das pessoas presentes, que cochichavam elogios... calculando, sem dúvida, qual o montante depositado no cofre.

Sentado no Templo "diante do cofre das esmolas", Jesus observava em silêncio essa cena tão comum para os conhecedores do local.

6. UM DESMEDIDO CONTRASTE

"uma viúva pobre chegou-se e colocou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor."

É importante ressaltar o contraste das duas atitudes. Podemos imaginar a viúva, já de certa idade, arrastando os pés, meio curvada pelos achaques do tempo. Segundo o padre Tuya, ela atirou dois "leptos" (16 leptos valiam 1 denário, o salário diário de um trabalhador)².

Comparado com o espalhafatoso barulho das moedas lançadas pelos ricos, reduzia-se a quase nada o leve ruído produzido pelas duas moedinhas da pobre mulher. Sem dúvida, pouca impressão causou nos circunstantes, muito preocupados em calcular o valor aproximado das esmolas que iam sendo depositadas. Nada mais tinha ela para ofertar, talvez pelo fato de já ter sido dilapidada por algum rapinador, segundo a denúncia feita por Jesus pouco antes.

7. A VERDADEIRA GENEROSIDADE

Chamando a si os seus discípulos, Jesus declarou: "Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver"

Como podia a pobre viúva ter dado "mais do que todos os outros"?

Para esclarecer seu ensinamento, Jesus explica: a viúva jogou no cofre tudo quanto "possuía para viver", enquanto os ricos deram do que lhes sobrava. Ao fazer essa comparação, Cristo não visava condenar os ricos, mas elogiar aquela mulher pelo fato de nada ter guardado para si. Com efeito, quando um rico entrega a integridade de seus bens, ele dá mais do que quem faz o mesmo, mas dispõe de pouco. Era o caso, por exemplo, de Lázaro, Marta e Maria, membros de uma abastada família de Israel, os quais se entregaram por inteiro a Nosso Senhor (Jo 11).

Aquela viúva dera tudo, pondo-se nas mãos de Deus. Sem saber, ela mereceu assim a glória de ser elogiada pelo Verbo Encarnado. Milênios depois, ainda ouvimos o eco de uma ação tão simples! No extremo oposto ficaram os mestres da Lei, merecedores da pior condenação.

8. DEUS CONHECE AS INTENÇÕES DO CORAÇÃO

Jesus contrapõe o episódio das esmolas à denúncia antes feita contra os doutores da Lei. Em ambos os casos, vemos nas atitudes dos personagens a exterioridade, mas não o íntimo. No entanto, como Deus mesmo falou ao profeta Samuel, "o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração" (1Sm 16.7). Esse divino olhar sempre nos acompanha, nada Lhe escapa. Nossa vida, nossos atos, nosso comportamento, são julgados com uma precisão absoluta pelo olhar de Deus, o qual penetra no interior de todos e analisa o fundo das almas, sabendo perfeitamente o que se passa em cada uma.

Comparando a disposição de espírito dos mestres da Lei com a da viúva, Jesus queria deixar patente a existência de dois extremos: o da generosidade, em contraste com o do egoísmo e do amor desordenado a si mesmo.

O apego, que num rico se distribui entre suas milhares de moedas, no caso do pobre se concentra em umas poucas. Renunciar a elas exige um sacrifício não pequeno, ainda mais se forem só duas. Mas aquela senhora as ofertou generosamente, depositando sua inteira confiança em Deus. É a mesma atitude assumida por outra viúva, esta da cidade de Sarepta na Sidônia (1Rs 17.10-16). Quando recebeu o Profeta Elias em sua casa, tinha ela apenas um punhado de farinha e um pouco de azeite para fazer um último pão para si e seu filho. No entanto, solicitada pelo homem de Deus, concordou em dar-lhe esse único alimento. Por ter agido assim, o azeite e a farinha se multiplicaram indefinidamente em sua despensa, até voltar a cair a chuva sobre a terra. Assim é a recompensa de Deus para todo aquele que dá com agrado e generosidade.

9. OS DOIS PÓLOS

Também nós devemos ser generosos para com Deus, tanto quanto Ele é generoso para conosco. Temos de entregar-Lhe tudo! Entretanto, isto não pode ser interpretado como uma obrigação de nos desfazermos de tudo quanto nos pertence e passarmos a viver de esmolas. Algumas poucas pessoas recebem essa sublime vocação. Trata-se, isto sim, de compreender que todos os nossos bens – e inclusive nós mesmos – são propriedade de Deus.

Nos são apresentados dois pólos: o da generosidade total ou o do egoísmo total. Ou escolhemos um e odiamos o outro, ou vice-versa. Ou somos de Deus inteiramente, ou somos inteiramente de nós mesmos. Estar parcialmente com Deus significa receber só parcialmente a sua Graça. Se temos uma vocação de vida consagrada, precisamos estar a cada momento dispostos a dar tudo, não apenas por causa de um compromisso assumido numa cerimônia, mas pela convicção de que nossa vida está confiscada por Deus.

No entanto, como aplicar esse princípio à vida de quem é chamado a constituir família e tem, portanto, o dever de estado de prover da melhor maneira possível os seus? A resposta é simples. Esse "dar tudo" não significa desfazer-se literalmente das próprias posses, mas usá-las para o bem do seu próximo (e segundo Jesus, esse é todo aquele que precisa de ajuda). É preciso dar sem esperar retribuição. Se não for assim, acaba-se por cair no desvio dos doutores da Lei, denunciado por Nosso Senhor neste trecho de João Marcos.

10. NA GENEROSIDADE, A PERFEITA ALEGRIA

O exemplo supremo do dar, dar de si e dar-se por inteiro, nós o encontramos também na carta aos Hebreus. O Pai tinha um Filho unigênito, gerado desde toda eternidade, e não criado. O amor d'Ele ao Filho e do Filho a Ele é tão intenso que d'Eles procede uma Terceira Pessoa, que é o Espírito Santo.

Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio;

De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação
 (Hb 9. 24-28).

Apesar desse amor entranhado, o Pai resolveu entregar seu Filho para resgatar a natureza humana, extraviada pelo pecado. E o Filho, que deveria encarnar-Se na glória, uma vez que sua alma está na visão beatífica, suspendeu essa lei para assumir uma natureza mortal ³. Ele queria dar, dar de Si e dar-Se por inteiro, e, por amor a nós, assumiu um corpo padecente, sujeito a todas as dificuldades da vida nesta Terra.

Eis o exemplo divino, convidando cada um de nós a, segundo nossos deveres e possibilidades, dar não só daquilo que nos sobra, mas dar tudo. Foi Deus quem nos criou e redimiu, e por isso a Ele pertencemos. Tudo é d'Ele e deve voltar para Ele.

E assim como o Sol, a água ou as árvores, se fossem passíveis de felicidade, estariam completamente felizes pelo dom generoso de si, também nós encontraremos nossa perfeita alegria no dar, dar de nós e dar-nos por inteiro.

11. REMÉDIO PARA NOSSAS MISÉRIAS

Quando alguém dá de si, seu egoísmo acaba sendo sufocado em benefício do serviço aos outros. Servir – quer seja dando um bom exemplo, um bom conselho, ou prestando algum auxílio – repara as nossas faltas e ao mesmo tempo nos afasta do pecado. Assim, um modo de adquirirmos forças para enfrentar as tentações é fazer o dom de nós mesmos.

Pelo contrário, quem se fecha em seu egoísmo, desprepara-se para o momento sempre presente da tentação, pois basta-nos existir para sermos um foco de solicitações para o pecado, como diz Pedro aos gentios: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (1Pd 5.8).

12. PROCUREMOS A FELICIDADE ONDE ELA SE ENCONTRA

Nada traz mais felicidade a uma alma do que devolver a Deus aquilo que Lhe pertence. A justiça consiste em "dar a cada um o seu direito" (4). Ora, se vêm de Deus todas as coisas que foram criadas e estão à disposição do homem, este é devedor de tudo quanto d'Ele recebeu. O empréstimo faz parte dos acordos entre os homens. Quem empresta fica à espera da devolução do bem emprestado; e quem o tomou de empréstimo tem obrigação de devolvê-lo ao dono. Ora, se isto é assim no relacionamento humano, não podemos nos esquecer: tudo o que temos não é senão um empréstimo de Deus! Desde nossa vida, até nossas capacidades e qualidades, passando por todos os nossos bens.

Assim seremos livres, pois só é realmente livre quem é justo, e põe nas mãos de Deus tudo o que d'Ele recebeu. Daria indícios de loucura quem, tendo perdido alguma coisa dentro de um teatro, fosse procurá-la do lado de fora, alegando que a rua está mais iluminada. E o que faz "o mundo"? Por ter-se afundado no egoísmo, corre atrás da felicidade onde ela não se encontra. Proclamando que a liberdade consiste em entregar-se à sanha das paixões e das más inclinações, vai à procura da felicidade no vício, no pecado e em quantas loucuras, onde encontra, não a felicidade, mas a frustração, a depressão e, por vezes, as doenças. Dessa maneira, o egoísmo, já é castigado aqui na Terra, sendo ainda merecedor da pena eterna.

A verdadeira alegria está na generosidade virtuosa, pois é nela que o homem cumpre inteiramente sua finalidade de "conhecer, servir e amar a Deus" neste mundo.

DIZEM QUE VALE A PENA LER

¹ Cf. LAGRANGE, OP, Marie-Joseph. Évangile selon Saint Marc. 5.ed. Paris: J. Gabalda et Fils, 1929, p.328.
² TUYA, OP, Manuel de. Biblia comentada. Evangelios. Madrid: BAC, 1964.
³ Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.14, a.1, ad 2.
4 Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. II-II, q.58, a.1.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A extinção dos fariseus


Esse belo texto nasceu da formosa Cláudia Nunes Horácio. Foi um grande texto, reto e íntegro. Papo reto mesmo. Infelizmente, ele caiu nas nossas mãos e virou isso que mostramos aí.

COMO NASCERAM OS FARISEUS

A palavra Fariseu significa "separado". O mais antigo relato sobre os Fariseus é do historiador judeu-romano Flávio Josefo (100-37 d.C.), que fala de "quatro seitas" em que os judeus foram divididos no 1º século a.C.:
  1. os essênios, que eram apolíticos e que podem ter surgido como uma seita de sacerdotes dissidentes que rejeitaram os sacerdotes nomeados como politicamente ilegítimos;
  2. os saduceus, principais antagonistas da fariseus na alta-classe, que não aceitavam a tradição oral;
  3. os fariseus, sacerdotes da alta-classe que davam valor à tradição oral;
  4. os zelotes, anti-romanos revolucionários que eram conhecidos pelo uso de força militar;
A classe dominante judaica estava dividida entre os Fariseus e os Saduceus que, à época de Jesus, mantinham seu governo submisso-aliado-ou-suportando as imposições romanas. Conflitos entre Fariseus e Saduceus ocorriam desde a separação das castas a partir do cativeiro babilônico, quando as regras sociais precisaram ser favorecidas em meio a uma cultura diferente. Durante a conquista da Judéia por César, novamente os judeus foram imersos numa outra cultura e esses conflitos reacenderam. Eram disputas entre  as famílias sacerdotais e aristocratas; entre os favoráveis ao modo de vida greco-romano e aqueles contrários; entre os salientavam a importância do 2º Templo como local de oração¹ e aqueles que enfatizavam a Lei e os valores profético; entre diferentes interpretações da Torá e como aplicá-la para a vida judaica, se criam ou não na Torá Oral e na Ressurreição dos Mortos.

A BÍBLIA E OS FARISEUS

Os Fariseus não são mencionados em nenhum ponto do AT. Antes de Jesus, os escritos bíblicos mais recentes datam de Esdras, Neemias e Malaquias, sendo os relatos mais modernos de 430 a.C. Durante a invasão da Judéia por Alexandre (anos de 300 a.C.) e o governo grego que se seguiu, assim como durante a invasão romana (anos de 30 a.C), nenhum escrito aceito como inspirado foi produzido. Fora da literatura inspirada por Deus, há os livros de I e II Macabeus (existentes na Bíblia Católica), que cobrem os anos entre 175 e 37 a.C.. Assim, quando os livros bíblicos voltaram a ser escritos, a Judéia já havia sido governada por gregos² e estava atualmente nas mãos dos romanos, com os Fariseus integrando a elite político-religiosa. Notas importantes sobre os Fariseus aparecem no NT, onde Jesus os acusa de terem sentado-se à cadeira de Moisés (Mt 23), advertindo o povo para guardar-se com cuidado do fermento dos fariseus e dos saduceus (Mt 16:6), pois eram sepulcros caiados cheios de podridão e raça de víboras (Mt 23). De forma semelhante, os Fariseus acusavam Jesus de curar em nome de Belzebu, violar a Lei trabalhando no sábado, comer em casa de prostitutas e publicanos, etc.

Enquanto os Fariseus se atentavam à Lei e à necessidade de serem moral/socialmente enaltecidos (qualquer semelhança com a Teologia da Prosperidade é mera coincidência), Jesus falava em levar o Reino de Deus até os que mais necessitavam dele, a todo tempo, dia ou hora (Mt 9.12), pois mais valor havia em servir que ser servido. Posteriormente essa mensagem seria estudada e esmiuçada por Saulo Tarseus (chamado Paulo pelos judeus), um instruído romano nascido em rica família de Fariseus, que abriu mão de seus títulos, poder, dinheiro e terminou a vida pregando o Evangelho de dentro de prisões romanas (Atos 23.6).

O DECLÍNIO E EXTINÇÃO(?) DOS FARISEUS

 O 2º Templo foi destruído pelos romanos em 70 d.C., caindo assim um dos principais objetos de culto dos Fariseus e aos quais eles atribuíam a maior importância no governo da sociedade judaica. Os últimos Zelotes foram mortos em Masada apenas 3 anos depois. Da mesma forma, sem o Templo e sob a pesada repressão romana ao judaísmo, os Saduceus dispersaram-se. Os Essênios tiveram suas comunidades saqueadas e foram mortos pelos romanos nos anos seguintes, conseguindo esconder o que sobrou de sua cultura nas famosas cavernas de Qumram, às margens do Mar Morto.

Por sua tradição oral e aliança com o governo romano, os Fariseus resistiram à Queda do Templo. Yohanan ben Zakkai, um líder Fariseu, foi nomeado o primeiro Patriarca e restabeleceu o Sinédrio, agora sem posições de Saduceus em seu meio. Em vez de dar o dízimo aos sacerdotes e sacrificar no Templo, os novos Rabinos passaram a financiar instituições de caridade e estudar os textos da Torá nas Sinagogas. O imperador Adriano tentou re-edificar o Templo em 132 d.C, como um templo de Júpiter, mas então o Sinédrio rebelou-se, sendo eliminados em 135 d.C. Até a conquista de Jerusalém pelos islâmicos, os romanos proibiram qualquer nova tentativa de organização política dos judeus.

A RESSURREIÇÃO

Os Fariseus desapareceram como casta, deixando em seu lugar a tradição rabínica dos judeus. No entanto, há rumores de que estejam tentando se re-estruturar, ressurgir das cinzas no tempo de seus descendentes, como para reabrir feridas do passado. Não apenas os Fariseus podem estar por aí, bem vivos, mas também seus comparsas Saduceus, ansiosos pelo velho combate de poder, agora em nome de Jesus. Seguem algumas perguntas que podem ser importantes.

1. O termo Fariseu significa separatistas, separados. Quem são os separatistas hoje? Os fariseus também eram membros de um dos principais grupos religiosos dos judeus. Quem são os membros de um dos principais grupos religiosos gentios hoje? Quem acha que o Reino é só deles e que todo o resto do mundo é filho do diabo (ou o Belzebu antigo)?

2. Os fariseus seguiam rigorosamente a Lei de Moisés e as tradições e os costumes dos antepassados, porém mais importante que isso seguiam uma tradição oral que eles mesmos criaram e que se embasava na imagem social que mantinham. Quem hoje diz que segue a Bíblia, mas que na verdade incluem na surdina os costumes e as tradições religiosas, como se fossem muito mais que criações humanas?

3. Os Fariseus acreditavam na ressurreição e na existência de seres celestiais, enquanto os Saduceus eram contra. Os Fariseus não se davam com os Saduceus, mas se uniram aos inimigos para combater Jesus e os seus seguidores. Quem briga entre si hoje, mas se unem para combater outro grupo religioso e os pregadores da graça de Jesus?

4. Os Saduceus eram membros de um pequeno, mas poderoso. Faziam parte desse grupo os sacerdotes e as pessoas ricas e de influência (curiosa religião essa...). Quem faz parte deste pequeno e seleto grupo clerical hoje?

5. Os Saduceus baseavam os seus ensinamentos principalmente no pentateuco. Quem tem ressuscitado a Lei hoje, após Jesus ter pregado sua simplicidade e profundidade e após Paulo ter explicado-a esmiuçadamente aos gentios?

6. Os Saduceus negavam a ressurreição, o juízo final e a existência de anjos e espíritos. Quem tem ensinado hoje que os dons cessaram, que não há mais milagres e são frios como iceberg?

7. Os Saduceus não se davam com os Fariseus. Dividiam cadeiras no Sinédrio e regulavam o destino do povo de Deus em nome de Deus (como então DOIS GRUPOS? Só Deus sabe...) Quais grupos religiosos não se dão hoje, mesmo sendo da mesma religião?

8. O escriba era o homem que copiava e interpretava a lei de Moisés. Os escribas CRIARAM aos poucos um sistema complicado de ensinamentos conhecido como "a tradição dos anciãos". Quem são hoje os modernos escribas? Quem interpreta oficialmente a bíblia hoje? Quem são os que compilam “a tradição dos anciãos” hoje? Quem sistematiza o ensinamento das Escrituras e são considerados os intérpretes autorizados das Escrituras?

Jesus censurou os escribas, eles tiveram parte na morte de Cristo e perseguiram a Igreja primitiva. Eles eram chamados também de "doutores da lei". A qual de nós Jesus ainda censura por termos nos tornado discípulos dos Fariseus, dos Saduceus e dos escribas?

DE QUEM VOCÊ É DISCÍPULO?

Esses personagens que descrevi acima eram TODOS CRENTES, eles “faziam a Obra”, eles gerenciavam o Reino de Deus na Terra, eles se achavam os certos, foi justamente com eles - os posseiros do Reino de deus - que Jesus teve os maiores confrontos. São estes os principais argumentando pela morte de Jesus. Eles não aceitaram que Jesus era o Messias porque, segundo a hermenêutica tradicional em suas mentes, Jesus JAMAIS poderia ser o Messias. Se Ele fosse o Messias, eles estariam errados!

Era inaceitável que o Messias vivesse daquela maneira que Jesus viveu, amigo de samaritanos, não cumprindo as tradições, escandalizando judeus e se colocando acima de Moisés como Ele fazia ao dizer “ouviste o que foi dito... eu porém vos digo”.

O que de fato Jesus estava fazendo é NEGAR as interpretações malucas das Escrituras, era se colocar ACIMA delas e isso os fanáticos religiosos NUNCA aceitariam, nem aceitam, sempre ficam violentos e cegos a ponto de matar. Foi assim antes, há 2000 anos atrás e é assim hoje. Os fariseus e companhia não aceitam que algo seja CONTRA a interpretação limitada que têm (e que temos, sempre) das Escrituras. As Escrituras não falam, e por isso o Espírito Santo sempre será necessário para dar vida às palavras escritas. Se algum outro assim fizer, faz o mesmo que Satanás ao tentar Jesus.

Era inaceitável Ele igualar as pessoas, como judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e livres, israelitas e samaritanos, assim como é inaceitável para os modernos fariseus igualar crentes e descrentes, heterossexuais e homossexuais, divorciados e casados, fiéis e adúlteros, magros e gordos, brancos e negros, filhos de Deus e filhos do diabo.

MAS COMO EU ENTENDI QUE NÃO ERA DISCÍPULO DE JESUS E SIM DA RELIGIÃO?

Eu reli o antigo testamento em ordem cronológica dia após dia ininterruptamente por muitas horas até acabar. Quando eu cheguei no Novo Testamento com todas as informações fresquinhas na minha cabeça, logo vi que os judeus estavam certos, que Jesus JAMAIS poderia ser o Messias. Pensei comigo: “se eu fosse judeu eu também não acreditaria que Jesus era o Cristo”, ele seria no máximo um falso Messias.

Por que cheguei a esta conclusão? Porque são inúmeras passagens bíblicas onde Mateus, Paulo, o autor aos Hebreus³ entre outros, tiraram os textos de seus contextos para provar que Jesus era o Cristo e isso na regra hermenêutica que aprendi é totalmente errado, pois “texto fora de contexto é pretexto para heresia”.

Aí ou eu apostatava da fé em Jesus, ou continuava crendo que Jesus é o Messias e que o problema está na hermenêutica, ou seja, que a interpretação das Escrituras conforme a igreja praticou desde Constantino era TOTALMENTE ERRADA. Com isso dei início as minhas pesquisas sobre hermenêutica e reencontrei o Rev. Caio Fábio, que me ensinou que Jesus é a chave hermenêutica que abre as Escrituras, que a única forma correta de ler a bíblia é a partir de Jesus.

Então temos de entender as Escrituras a partir de Jesus e não Jesus a partir da Escrituras. Um universo imenso se abriu diante de mim e enxerguei TUDO muito diferente dos mais de vinte anos de protestantismo presbiteriano. Pela primeira vez depois da minha conversão eu entendi o Evangelho de Jesus Cristo.

Faça você mesmo o teste, tire a prova dos 9, pegue a sua bíblia e a cada versículo do AT mencionado nos livros que citei acima, a saber: Mateus, cartas de Paulo e Hebreus, vá no texto original do AT e veja o contexto e observe que os textos originais não estão dizendo nada do que os autores do Novo Testamento dizem em relação a eles. As citações são dos textos fora dos seus contextos para provar o que os escritores do Novo Testamento queriam provar, mas quando lemos estes textos junto com seus contextos no Antigo Testamento, vemos que não dá para aceitar o argumento dos apóstolos como prova SE usarmos as regras da hermenêutica tradicional.

Então ou Jesus não é o Messias ou a hermenêutica tradicional NÃO serve para interpretar as Escrituras,. Você decide. 

--------------------------------
¹ O Templo original (de Salomão) havia sido destruído em 586 a.C., na invasão da Judéia pelos babilônicos. O 2º Templo caiu sob a invasão do imperador romano Tito em 70 d.C., após as revoltas que ocorreram contra o domínio romano (nessa época foram guardados os documentos de Qumran, ou Manuscritos do Mar Morto). Em 363 d.C., o imperador Juliano tentou reconstruir o Templo, mas falhou. Em 691 d.C. o Islã estava em expansão e a Judéia havia sido invadida pelo califa Abd al-Malik ibn Marwan, que iniciou a construção do Domo da Rocha na montanha onde Maomé havia recebido a iluminação divina, ou seja, onde estava antes o Templo de Jerusalém. Este edifício permanece lá até hoje e é um local sagrado de peregrinação para os islâmicos.

² Os Macabeus foram um grupo revoltoso importante nessa época inter-testamentária, que combateu a implantação do paganismo grego e restaurou  PELA FORÇA DA ESPADA o governo judeu de 163 a 33 a.C., sendo derrubados depois pelas legiões romanas.

³ Não se conhece quem foi o autor da Epístola aos Hebreus. O estilo não confere com o modo de escrever de Paulo, nem tampouco pode ser Timóteo, pois ele é citado em 3ª pessoa. Autores possíveis são cristãos líderes dos grupos que se formavam, como Apolo, Lucas, Barnabé, Clemente de Roma, Silas, Filipe e Priscila. Esse mistério é descrito pelo escritor romano Orígenes, no século 3: "Só Deus sabe ao certo quem escreveu a epístola." O livro de Hebreus é usado como um argumento final em defesa do Cristianismo. Usando uma lógica cuidadosa (e portanto de um judeu muito bem instruído na escola grega) e referindo-se freqüentemente ao testemunho, o escritor define que Jesus Cristo é o filho de Deus e digno da nossa fé. O livro compara e contrasta Jesus com toda história do AT e argumenta que Jesus é o clímax de todas as coisas do passado.
--------------------------------
COISAS QUE TE RECOMENDAMOS LER, POR SUA CONTA E RISCO