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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Santuário para todos



material publicado no New York Times, em 27/dez/2016

Javier Flores Garcia dorme todas as noite num berço em uma sala de aula da escola dominical, que os membros da igreja equiparam com um microondas, um refrigerador compacto e uma televisão. O Sr. Flores, que é jardineiro, anseia pelo ar livre, mas não se atreve a pôr os pés lá fora. Ele deveria se apresentar às autoridades de imigração no mês passado para ser deportado para sua pátria, o México. Mas um dia antes de sua data de apresentação, ele se refugiou na igreja.

Sua família (na foto) é a razão pela qual ele está lutando para permanecer, e quando o visitamos na igreja recentemente, seu filho Javier Jr., de 5 anos, sentou-se no seu colo. O menino muitas vezes se recusa a deixar o lado de seu pai, e acabou ficando por dias com ele na igreja. No dia de Natal, o Sr. Flores estava lá havia 6 semanas.

A Igreja Metodista Unida de Arch Street é um dos 450 templos nos Estados Unidos que se ofereceram para abrigar ou dar assistência aos imigrantes sem documentos, de acordo com os líderes do Movimento Santuário. Poucas congregações têm o espaço e a estrutura para abrigar imigrantes indefinidamente, de modo que outras congregações se ofereceram para contribuir com dinheiro, assistência jurídica, alimentação, assistência às crianças ou transporte. As congregações que se juntaram a esta rede mais que dobraram desde a eleição de Donald J. Trump - uma refutação rápida à promessa do Sr. Trump de deportar 2 a 3 milhões a milhões de imigrantes não autorizados que ele disse que foram condenados por crimes.

Proteger os imigrantes está se configurando como uma prioridade da esquerda religiosa, uma coleção amorfa de pessoas e grupos que refletem muitas fés e etnias. Esse grupo foi posto em ação pela vitória do Sr. Trump e a nomeação de um procurador-geral que apoia a repressão aos imigrantes.

"Jesus disse que devemos dar hospitalidade ao estranho", disse o Rev. Robin Hynicka, pastor da igreja de Arch Street, citando a Bíblia.

Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial … Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai … Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’ O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. (Mateus 25.31-40)

"Isso é exatamente o que nós vimos Javier pedir, para fornecermos abrigo. E, claro, dissemos que sim", acrescentou. O Rev. Hynicka falou conosco em seu escritório movimentado na parte de cima igreja, que tem 375 membros. O aquecimento funcionava melhor no salão de reuniões, onde até 30 pessoas sem abrigo se refugiavam nas noites de inverno. “Esta igreja está acostumada a mobilizar-se por causas sociais, desde o casamento gay até lutas contra o jogo de cassino e por um aumento do salário mínimo. Há 5 anos, a igreja se juntou ao Movimento Santuário da Filadélfia”. O Sr. Flores foi a primeira pessoa que a igreja recebeu.

Nesta noite, seus filhos animadamente trouxeram para o Sr. Flores pedaços de doces com que os voluntários estavam enchendo piñatas mexicanas para uma festa mais tarde. O Sr. Flores e sua parceira Alma López têm dois filhos: Javier Jr. e Yael, de 2 anos. Ele também assumiu os cuidados da filha de Sra. López, Adamaris, de 12 anos, desde que ela foi abandonada pelo pai biológico. Todos nasceram nos Estados Unidos. A casa da família fica a dois trajetos de ônibus da igreja. Alma López, chupando um pirulito, disse que o retorno da família ao México não é uma solução: "Queremos um futuro melhor para nossos filhos. A situação no México é muito ruim. Não há trabalho, não há boa escola. Aqui, temos um futuro."

As autoridades federais de imigração dizem que Flores tem um longo histórico de violações: Ele foi preso 9 vezes entre 1997 e 2002 tentando atravessar a fronteira. Ele entrou novamente e foi deportado por um juiz em 2007. Ele reentrou duas vezes em 2014 e cumpriu sentenças de prisão por reentrada ilegal. No ano passado, seus filhos o viram sendo levado pelas autoridades, e isso custou caro. Enquanto o Sr. Flores estava detido este ano, Adamaris tentou suicídio em abril, bebendo uma garrafa de álcool. Ela ficou internada por 9 dias. Funcionários de imigração libertaram Flores durante 90 dias para preparar sua família para a deportação. O Movimento Santuário era sua última esperança. "Meu único crime é ter voltado", disse Flores, que usa uma tornozeleira colocada pelo governo.

O Movimento Santuário nos Estados Unidos não é novo. As igrejas ofereceram abrigo aos soldados que se recusaram a servir na Guerra do Vietnã. E na década de 1980, as congregações abriram suas portas para os latinos que fugiam das guerras em El Salvador, Guatemala e Honduras. "O movimento foi revivido em 2006 e cresceu durante os dois mandatos do presidente Obama", disse a Rev. Alexia Salvatierra, pastora da Igreja Evangélica Luterana na América. Pelo menos 2,5 milhões de pessoas foram deportadas durante o governo Obama, que ganhou o apelido de “o grande deportador”.

Uma mudança significativa da década de 1980, disse Salvatierra, é que agora, milhares de igrejas latinas e seus clérigos também estão envolvidos na proteção dos imigrantes. Freqüentemente seus próprios membros se envolvem, muitas vezes em silêncio. Nos anos 80, a maioria das igrejas protestantes brancas liderou o caminho.

"Estamos em um universo diferente agora. Não precisamos dos brancos para nos resgatar, muito obrigado. Precisamos estar em parceria", disse ela em uma entrevista, antes de sair para treinar trabalhadores do Santuário em uma igreja multiétnica no centro de Los Angeles. Ela esperava 25 pessoas, mas 150 se inscreveram.

Alguns vêem o Santuário como um movimento equivocado, ou ingênuo. Jessica Vaughan, diretora de estudos de política no Centro de Estudos de Imigração, que apoia controles mais rígidos sobre a imigração, disse que ela entendeu que as igrejas tinham simpatia por pessoas deportadas. "Mas eu desejo que eles também tenham simpatia por outros paroquianos que são afetados negativamente pela imigração ilegal" por causa de empregos, impostos mais altos ou crime.

Igrejas, escolas e hospitais são considerados "locais sensíveis", de acordo com a Imigração e Alfândega. Os oficiais de imigração devem evitar esses locais, a menos que tenham aprovação antecipada de um supervisor ou frente a "circunstâncias exigentes" que exijam ação imediata, disse Jennifer Elzea, porta-voz da agência.

Líderes religiosos estão se preparando para a possibilidade de que isso possa mudar sob o Presidente Trump. O Seminário de Auburn, em Nova York, que treina líderes religiosos de esquerda, convocou uma "Cúpula de Fé Duradoura" neste mês e convidou a Rev. Alison Harrington de Tucson para dar oficinas sobre o Santuário.

"Não podemos assumir que os templos permanecerão locais seguros", disse Harrington, pastor sênior da Igreja Presbiteriana Southside, há muito tempo um centro de trabalho para o Santuário. Trabalhadores do Santuário nos anos 80 organizaram uma espécie de "estrada de ferro subterrânea" para mover imigrantes de regiões perigosas para lugares mais seguros, e isso pode ter que ser reativado, ela disse a sua oficina.

Ao considerar se oferecer como Santuário, as congregações procuram imigrantes com casos viáveis e histórias simpáticas. O Sr. Flores foi vítima de um ataque de faca fora da Filadélfia em 2004 e deu o testemunho policial que resultou na prisão dos atacantes. Ele pediu um Visto U, dado a vítimas de crimes, disse seu advogado.

Em Denver, este mês, a Mountain View Friends Meeting, uma igreja Quacre, recebeu uma mulher do Peru que trabalhou por anos em uma casa de repouso usando papéis falsos, foi presa, pagou 12 mil dólares em fianças e serviu 4 anos em liberdade condicional, disse Jennifer Piper, organizadora inter-religiosa do American Friends Service Committee e coordenadora da Coalisão Santuário Metro Denver. A mulher peruana tem dois filhos com idades de 8 e 1 anos, ambos cidadãos americanos. Há cerca de 11 pessoas em igrejas Santuário em Nova York agora, disse a Rev. Donna Schaper, ministro sênior da Igreja Judson Memorial, que está abrigando um deles. Esses imigrantes não cometeram crimes violentos, disse ela, e muitos, como a mulher em Denver, pagaram suas penas e agora enfrentam um risco duplo. A Sra. Schaper disse que estes não são os "estupradores" mexicanos que o Sr. Trump disse que deportaria.

"Estamos falando principalmente de crimes administrativos: falsificação de cartões de crédito e clonagem de identidades. Muitas dessas pessoas são de classe média e bem educadas", disse ela, “e não são apenas latinos, mas também chineses, russos, paquistaneses e muitos outros”.

Para algumas igrejas, seus próprios paroquianos são imigrantes em risco. Robert W. McElroy, bispo católico de San Diego, disse recentemente em uma conferência de imigração: "É inconcebível que nos mantenhamos parados enquanto mais de 10% de nosso rebanho é deportado". A Diocese Episcopal de Los Angeles recentemente declarou-se uma "diocese Santuário" e assumiu uma posição de "santa resistência" aos planos de imigração de Trump. A Conferência da Igreja Metodista Unida da Califórnia também proclamou apoio aos esforços do Movimento Santuário.

Quando os rabinos se reunirem em fevereiro, o grupo judaico T'ruah anunciou: “O chamado rabínico para os direitos humanos oferecerá treinamento sobre como transformar as sinagogas em congregações Santuário”. Antes da festa da piñata na igreja de Arch Street, houve um ritual chamado Las Posadas, uma reconstituição da busca de abrigo por Maria e José. Os visitantes recolhidos pelo Santuário cantaram versos implorando para serem acolhidos e os membros da igreja responderam de dentro. O Sr. Flores e sua família estavam dentro, é claro.

"Não há melhor trabalho para a igreja fazer", disse o Rev. Hynicka, com seu braço ao redor deles, "do que fornecer o que sabemos que Deus nos dá, nosso sincero compromisso com a família, não nos importando se essa família vem do México ou de Filadélfia, ou de qualquer lugar''.

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Site do Movimento Santuário

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Porque Jesus curava no Sábado


Êxodo 20:8-11
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus. Não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou. 

E aconteceu que, no sábado segundo-primeiro, passou pelas searas, e os seus discípulos iam arrancando espigas e, esfregando-as com as mãos, as comiam. E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer senão só aos sacerdotes? E dizia-lhes: O Filho do homem é Senhor até do sábado.

E aconteceu também noutro sábado, que entrou na sinagoga, e estava ensinando; e havia ali um homem que tinha a mão direita mirrada. E os escribas e fariseus observavam-no, se o curaria no sábado, para acharem de que o acusar.

Mas ele bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te, e fica em pé no meio. E, levantando-se ele, ficou em pé. Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E, olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele assim o fez, e a mão lhe foi restituída sã como a outra. 

MUITAS DÚVIDAS

Essas duas passagens aparentemente mostram um Deus que passa por cima das próprias ordens. Primeiro Ele fala a Moisés para nada fazer no sábado e estabelece o 4º Mandamento, e depois, encarnado em Jesus, diz ser Senhor do sábado, lembrando que Davi também havia quebrado as regras (1Sm 21.1-6)?

Algumas explicações disso apelas para que o conceito original dos Mandamentos era de Shabat, e não exatamente o sábado dos dias da semana. O Shabat é uma data de dedicação ao Senhor e oração, muito mais do que um dia repetitivo do calendário. Alguns Shabats são festas que duram até o mês inteiro e essa interpretação é motivo de discórdia até hoje entre diversas denominações. As mais tradicionalistas (ex. Adventistas do Sétimo Dia) fincam o pé na necessidade de nenhum ganho se obter do trabalho ao sábado da semana, outras mudam mesmo o sábado do mandamento para o domingo, produzindo frases curiosas como uma que li certa vez: “o sábado do Senhor é o domingo...”.

Talvez alguma confusão advenha do que entendemos por TRABALHO. Afinal, foi a palavra colocada na Bíblia em português. Em outras línguas aparece a palavra OBRA, às vezes. Como homens, dizemos que o nosso TRABALHO, a nossa OBRA é produzir o sustento. Com respeito a Deus, dizemos que o TRABALHO de Jesus, a sua OBRA é produzir fé, amor e salvação. Então, se eu não devo trabalhar no sábado, Jesus não deveria trabalhar no sábado. Até os fariseus ficaram confusos quanto a isso, e foram acuados pela pergunta de Jesus: “Uma coisa vos hei de perguntar: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar?

JESUS TRABALHAVA NO SÁBADO?

Algo muito interessante pode se observar tanto na atitude de Davi (que em 1Sm 21.9 sai carregando os pães das oferendas e até a espada de Golias) como de Jesus e seus discípulos: era obra ao Senhor ajudar as pessoas, muito mais do que qualquer outra coisa. E fazer uma obra ao Senhor era sempre lícito, ou deveria ser feito mesmo que não fosse lícito. Em outra passagem, Jesus justifica seu trabalho nos sábados dizendo que o Pai trabalhava até aos sábados, assim como Ele mesmo:

João 5.5. E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e anda.

Logo aquele homem ficou são; e tomou o seu leito, e andava. E aquele dia era sábado.

Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar o leitoEle respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma o teu leito, e anda. Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito, e anda? E o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, em razão de naquele lugar haver grande multidão.

Depois Jesus encontrou-o no templo, e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior. E aquele homem foi, e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara. E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado. E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também

Onde está o Jesus que valoriza o sábado, para o tornar um dia sagrado? As palavras DITADAS a Moisés são bem fáceis de entender, como as que dizemos às crianças: “não farás nenhuma obra”. Talvez seja interessante perguntar o que Deus queria com isso. Com certeza podemos apenas hipotetizar sobre as intenções do Senhor, mas vamos lá. Como o 4º Mandamento se encaixa nas palavras de Jesus “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mt 22.37-40)?

Obedecer a Deus é uma forma de amá-Lo. Mas obedecer fazendo O QUÊ, exatamente? O Senhor falou em nenhuma OBRA, que em outras traduções aparece como TRABALHO. O TRABALHO deveria ser feito noutros dias da semana, não no sábado. Quem se beneficia do trabalho do homem é o próprio homem, conforme estabelecido por Deus:

Gn 3.17-19. … maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.

O TRABALHO DE DEUS NÃO É O TRABALHO DOS HOMENS

Não vamos encontrar Deus arando a terra e, portanto, essa definição de trabalho usada por Ele mesmo talvez não se aplique à OBRA DIVINA. Alguém tem motivos para crer que o Espírito Santo descansa no sábado, deixando o mundo à própria mercê? Jesus mesmo garantiu que o Pai e Ele trabalhavam em todos os dias. Tomemos uma definição de trabalho presente no mais antigo livro da Bíblia:

Jó 6:12-14. É porventura a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne? Não está em mim a minha ajuda? Ou desamparou-me a verdadeira sabedoria? Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda àquele que deixasse o temor do Todo-Poderoso. 

Jó 29. Ah! quem me dera ser como eu fui nos meses passados, como nos dias em que Deus me guardava! … Porque eu livrava o miserável, que clamava, como também o órfão que não tinha quem o socorresse.

Jó era um que “ninguém na terra lhe havia em semelhante, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal”. Ele nos deixa ver que o amor de Deus está ligado à compaixão, ao amor PELOS homens, e um amor que se manifesta nas OBRAS IMATERIAIS feitas de um homem para com outro. Trata-se de levantar o caído sem forças, livrar o órfão e o miserável (isso não singifica alimentá-los?)... Jesus coloca o amor acima de todas as virtudes, o amor a Deus e ao próximo.

O TRABALHO DE DEUS ESTÁ EM AMAR

Talvez seja útil perguntar: onde está o sagrado em nada fazer no sábado que o senhor mandou guardar? Está o amor a Deus em NADA fazer? Quando Moisés sobe ao monte, Deus lhe manda o 4º Mandamento sobre parar no 7º dia as obras de cada homem em benefício próprio. O sábado seria dia santo, que Deus abençoou e pelo qual os homens deveriam ser gratos. Mas chega Jó e conta então com sua noção de que o amor de Deus se expressa por ajudar os miseráveis, socorrer quem precisa de ajuda! Deus não interrompe seu amor aos sábados, nem Jesus o fez quando AJUDAVA os seus seguidores com seus ensinamentos e presença, nem quando AJUDAVA os doentes curando-os de seus males físicos e de sua falta de fé.

Ele trabalhava aos sábados, divinamente.

domingo, 6 de novembro de 2011

O bom travesti


Essa é apenas uma estória re-contada. E re-contada por um bom escritor. Como todas as boas estórias, ela é refeita a cada vez que a contam de novo, anexando para si os personagens da época e do lugar onde a contam. Afinal, os personagens não são reais. Real é o pensamento por detrás dela, e as razões de cada um que ela afronta.


texto de Rubem Alves

E perguntaram a Jesus: “Quem é o meu próximo?“ E ele lhes contou a seguinte parábola:

Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: "Vá passando a carteira". O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.

Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: "Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você." Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: "Ego te absolvo..." Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.

Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: “Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!" O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, "Aleluia!" e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.

Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: "Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir." Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.

O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.

Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: "Quem foi o próximo do homem ferido?"

(publicado no Correio Popular, 21 de julho de 2002)

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Jesus contou essa parábola aos fariseus do seu tempo, que o interrogavam acerca da Lei, querendo mostrar quem era próximo de que a Lei falava, e ao qual eles tinham muitas desculpas para não ajudar. Hoje, mais de 2000 anos depois, ainda tropeçamos em pessoas que nos estendem a mão e os quais não vemos como nosso próximo, nosso irmão. Esperamos que o próximo da lei de Moisés e da lei de Jesus seja o camarada da igreja (da NOSSA igreja), o amigo do trabalho ou o parente. Ai de Deus se nos escolher um próximo qualquer pelas ruas afora. Ficaremos bem longe dele.

Damos o Painosso, que nos é bem barato e fácil e limpa a consciência. Já o Pãonosso... Quem o acreditaria dado por Deus? Pãomeu foi ganho e conquistado. Deus na Dele e eu na minha. Pãomeu será só meu.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Intercedendo perante o Senhor


A INTERCESSÃO DE JEREMIAS

A desgraça assolaria, em breve, toda nação de Judá. Mesmo assim, o povo se negava a abandonar o pecado. Jeremias deseja interceder pelo povo, mas o Senhor, mais uma vez, adverte ao profeta da ineficácia da sua intercessão. Deus ignorará a intercessão do profeta porque o povo, premeditadamente, não se arrependerá. O Senhor acusa os falsos profetas por conduzirem Judá às falsas visões, adivinhações, vaidade e engano (Jr. 14.14). Tais falsários seriam os primeiros a sofrerem os julgamentos divinos quando a calamidade chegasse sobre a nação.

Jr 14.11. Disse-me mais o SENHOR: Não rogues por este povo para seu bem. Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando oferecerem holocaustos e ofertas de alimentos, não me agradarei deles; antes eu os consumirei pela espada, e pela fome e pela peste.

Então disse eu: Ah! Senhor DEUS, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira neste lugar.

E disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam.

Nos dias atuais, conforme nos antecipou o Senhor Jesus, existem muitos falsos profetas (Mt. 24.11; Mc. 13.22). De vez em quando, aparece alguém que deseja se passar por Cristo. Dentro e fora das igrejas acumulam-se os falsos ensinadores, mestres que não atentam para a Palavra de Deus. A respeito deles, diz Judas em sua Epístola:

"Estes [os falsos profetas] são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas; Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas.

A filosofia da auto-ajuda tem favorecido o surgimento de vários profetas do engano. Dizem ao povo que tudo está bem, que podem encontrar saída por conta própria, e que não precisam de Deus. Ao invés de proclamarem arrependimento, induzem as pessoas a massagearem o ego, e a viverem distanciadas de Deus. Os profetas do Senhor, neste tempo, devem continuar intercedendo e pregando ao povo, conduzindo-os à sã doutrina (II Tm. 4.1-5).

2 Tm 4.1Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.

A RESPOSTA IMEDIATA DO SENHOR

A doutrina da intercessão é bíblica e deve ser observada pela igreja. Na história de Israel, Deus ouviu a intercessão de Moisés e Samuel (Ex. 32.11-14; Nm. 14.13-24; Dt. 9.18-20; I Sm. 7.5-9; 12.19-25). No caso de Jeremias, porém, a resposta do Senhor foi negativa (Jr 14.11).

 Jr 7.16Tu [Jeremias], pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me supliques, porque eu não te ouvirei. Porventura não vês tu o que andam fazendo nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém? Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira.

Jr 11.13. Porque, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses, ó Judá! E, segundo o número das ruas de Jerusalém, levantastes altares à impudência, altares para queimardes incenso a Baal. Tu [Jeremias], pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor nem oração; porque não os ouvirei no tempo em que eles clamarem a mim, por causa do seu mal.

De nada adiantaria interceder por Judá, pois a morte, a espada, a fome e o cativeiro seria inevitável. Não porque o Senhor assim desejasse, mas porque Ele sabia, pela Sua onisciência, que o povo não daria ouvidos às palavras do profeta. Mesmo a religiosidade judaica não seria capaz de deter o julgamento, pois tudo não passava de mera exterioridade. As orações, jejuns e sacrifícios serviam apenas para ocultar a ausência de temor a Deus.

Em relação aos falsos profetas, se o povo tivesse conhecimento da Palavra de Deus, saberia que eles não traziam uma revelação do Senhor:

Dt. 18.20. Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou? Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.

Jr. 13.6Sucedeu, ao final de muitos dias, que me disse o SENHOR: Levanta-te, vai ao Eufrates, e toma dali o cinto que te ordenei que o escondesses ali.

E fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto do lugar onde o havia escondido; e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava. Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Do mesmo modo farei apodrecer a soberba de Judá, e a muita soberba de Jerusalém. Este povo maligno, que recusa ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração, e anda após deuses alheios, para servi-los, e inclinar-se diante deles, será tal como este cinto, que para nada presta. Porque, como o cinto está pegado aos lombos do homem, assim eu liguei a mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judá, diz o SENHOR, para me serem por povo, e por nome, e por louvor, e por glória; mas não deram ouvidos.

2Ts. 2.7. A verdade é que o mistério da iniqüidade já está em ação, restando apenas que seja afastado aquele que agora o detém. Então será revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá pela manifestação de sua vinda.

A vinda desse perverso é segundo a ação de Satanás, com todo o poder, com sinais e com maravilhas enganadoras. Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar. Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira, e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça.

A resposta negativa de Deus não é uma demonstração de rejeição ao Seu povo. A disciplina faz parte do processo instrutivo de Deus:

Pv. 3.11. Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem.

Essa mesma passagem é lembrada por Paulo às igrejas dos hebreus (Hb. 12.6). Está na moda uma teologia que valoriza apenas o amor de Deus, transforma-o num vovô bonachão, que a ninguém castiga, esquecendo que Ele, além de amor (1Jo.4.8), é também fogo consumidor (Hb. 12.29) e que a Sua ira permanece sobre aqueles que não crêem em Cristo (Jo. 3.36).

Hb 12.28. Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; porque o nosso Deus é um fogo consumidor.

Jo 3.36. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

A falta de temor ao Senhor está construindo uma geração de cristãos insubmissos à Palavra de Deus. Como nos tempos em que não havia rei em Israel, cada um faz o que bem entende (Jz. 21.25), a ortodoxia está sendo substituída pela pura subjetividade, o experiencialismo chega a ter maior valor que a Escritura. Para essa geração, a resposta de Deus é não, pois o sim de Deus somente se encontra em Jesus Cristo, fora dele, tudo o mais é mera especulação humana.

2Co 1.18Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não foi sim e não. Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que entre vós foi pregado por nós, isto é, por mim, Silvano e Timóteo, não foi sim e não; mas nele houve sim. Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós.

A PRÁTICA CRISTÃ DA INTERCESSÃO

Ainda que Deus tenha instruído Jeremias para que não intercedesse pelos judeus, essa, porém, deva ser uma prática rotineira entre os cristãos. Aquele, conforme destacamos anteriormente, tratou-se de uma revelação específica para o profeta.

Em hebraico, o verbo PALAL tem o sentido de interceder, o encontramos em 1Rs. 8, nesse capítulo Salomão utiliza essa palavra 20 vezes intercedendo pelo povo de Israel. Moisés intercedeu pelo povo de Israel e obteve resposta:

Nm 11.1E aconteceu que, queixou-se o povo falando o que era mal aos ouvidos do SENHOR; e ouvindo o SENHOR a sua ira se acendeu; e o fogo do SENHOR ardeu entre eles e consumiu os que estavam na última parte do arraial. Então o povo clamou a Moisés, e Moisés orou ao SENHOR, e o fogo se apagou.

Nm 21.6. Então o SENHOR mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel. Por isso o povo veio a Moisés, e disse: Havemos pecado porquanto temos falado contra o SENHOR e contra ti; ora ao SENHOR que tire de nós estas serpentes. Então Moisés orou pelo povo.

Dt 9.19. [Moisés] Porque temi por causa da ira e do furor, com que o SENHOR tanto estava irado contra vós para vos destruir; porém ainda por esta vez o SENHOR me ouviu. Também o SENHOR se irou muito contra Arão para o destruir; mas também orei por Arão ao mesmo tempo.

Samuel também intercedeu pelos israelitas (1Sm. 7.5; 12.19,23), bem como Esdras (Ed. 10.1-3) e Daniel (Dn. 9.4-7). Em grego, o verbo interceder é ENTUNCHANÕ e pode ser encontrado em At. 25.25. Paulo utiliza essa palavra a fim de ressaltar o ministério do Espírito a fim de responder às necessidades dos santos (Rm. 8.27). Cristo é o Exemplo Maior de Intercessor, pois, no Céu, intercede, perante Deus, em nosso favor (Rm. 8.34; Hb. 7.25). Paulo orienta a interceder – ENTEUXIS – por todas as pessoas, apresentando-as perante Deus:

2Co 13.5. Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. Mas espero que entendereis que nós não somos reprovados. Ora, eu rogo a Deus que não façais mal algum, não para que sejamos achados aprovados, mas para que vós façais o bem, embora nós sejamos como reprovados.

CONCLUSÃO

Os cristãos precisam exercitar a intercessão. Essa prática, na verdade, é uma demonstração de amor pelos outros.

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texto desdobrado daquele que foi deixado cair pelo Pr. Júlio Fonseca quando passou pelo caminho de http://www.idagospel.com/2010/12/o-poder-da-intercessao.html

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Gostosa tentação...

Nesse vídeo, as crianças recebem uma ordem clara para não comer o doce. Se obedecerem, ganharão mais um doce quando a moça voltar.


Deus deixou algumas regras, disse para termos amor a Ele acima de tudo, amarmos uns aos outros, até que Ele voltasse. Parece uma situação familiar? Aqui nesse mundinho azul, todos nós somos tentados por certas coisas deliciosas que sabemos serem erradas. Mas, são coisas que queremos tanto! Como é que vamos dizer não à tentação? Um mais sem-vergonha já diria “Se Deus me colocou esse doce na frente, deve ser para comê-lo”.

Ser tentado faz parte da vida de todos. Jesus foi tentado, porque não seríamos? Repare o que estava em Sua tentação: simplesmente mostrar Quem Ele realmente era. Nenhuma maldade. Era simplesmente dizer Quem era. O problema estava nas entrelinhas: era obedecer ao diabo, e isso Jesus não faria.

Mt 4.1. Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. O tentador aproximou-se dele e disse: "Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães". Jesus respondeu: "Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’".

Ele preferiu a fome. As tentações são oportunidades que tanto podem nos fortalecer quanto nos corromper. É nos dada uma escolha: vencer a tentação a com a ajuda de Deus, ou sucumbir a ela. Para nos afastarmos da tentação, é necessário desenvolver um relacionamento real com Deus, e um relacionamento que funciona exige uma comunicação bi-direcional. Nos voltamos para Deus e pedimos sua orientação; mas precisamos ouvir a Sua direção e colocá-la em prática.

Deus pode nos afastar uma tentação, Ele pode nos proteger para que não pequemos. Basta que Lhe peçamos isso... mas qual de nós não sente um prazer em experimentar aquilo que é proibido? Não pedimos a Deus, às vezes até pedimos que Ele nos acoberte nas más escolhas que fazemos. Dá para imaginar Deus ajudando alguém a ofendê-Lo (pois é isso que o pecado é: ofensa a Deus, trocar Ele por alguma coisa qualquer que nos dê prazer)?

Construir uma relação de confiança com Deus leva algum tempo. Não é nossa natureza buscar a Ele! Começamos como cristãos bebês, mal capazes de fazer algo além de uma oração memorizada. Através da leitura da Bíblia e aprendendo com os outros cristãos, nós começamos a aprender o que Deus espera de nós e como falar com Ele. Acredite: isso é mais complicado do que parece, para todos! No começo, nossas orações são em sua maioria petições: "Deus me dê isso" ou “Deus, tire isso". À medida que amadurecemos a nossa fé, começamos a pedir menos coisas e clamar mais por direção. E aí nós começamos a ouvir as respostas de Deus...

Se conseguimos chegar até aqui na nossa caminhada com Deus, já tivemos que lidar com algumas tentações. Alguns de nós deixaram para trás um desastre do trem da vida quando encontraram Cristo. As tentações ao longo da nossa caminhada com Ele podem ter sido coisas como dizer não à bebida, desistir daquele jogo tão promissor, deixar de comprar aquela roupa tão linda, ou até recusar aquela paquera. Sim, as tentações são como doces apetitosos!

Em nossa infância cristã, Deus nos dá um monte de Sua Graça para nos limpar um pouco... Ele mantém um monte de tentações longe de nós no início e nos envolve com Sua protecção. Assim como você leva seu bebê para casa, Deus nos leva em nossas vidas.

"Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele lhes providenciará um escape, para que o possam suportar." (1 Coríntios 10:13)

Eis algo importante com respeito às tentações: Paulo nos puxa as orelhas, lembrando que todas elas nós podemos suportar. Deus nos protege se pedimos a Ele, todos os Salmos falam incessantemente sobre isso. Disse o profeta Naum, num único verso enquanto antevia a destruição da poderosa cidade de Nínive: “O SENHOR é bom, um refúgio em tempos de angústia. Ele protege os que Nele confiam” (Naum 1.7). Mesmo na calamidade, eis a mão de Deus! Não é nossa natureza confiar no Senhor, saber que O temos por perto (lembra-se da garotinha mais nova, no vídeo?), mas é essa a verdade. Ele nos vê, enquanto pensamos estar sós...

Algumas pessoas acreditam que podem SE fortalecer para vencer as tentações. Usando de filosofias, conhecimentos, AUTO-confiança ou talvez até algum versículo bíblico, elas desprezam a proteção de Deus. Ok, ainda que resistam e cumpram às regras, já sucumbiram à pior das tentações: o orgulho. Já erigiram um EU-ídolo em quem confiar, já se afastaram do Deus de amor, como gostaria imensamente de ver o nosso inimigo, como o fariseu daquela parábola...

Lc 18.8. Eu [Jesus] lhes digo: ele [o juíz iníquo] lhes fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra? A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola: Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’. Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’. Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".

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texto escrito sobre http://www.essortment.com/overcoming-temptation-christian-sermon-44092.html

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Você conhece o amor de Deus?



Sl 53. Disse o néscio no seu coração: Não há Deus.

Têm se corrompido, e cometido abomináveis iniqüidades. Não há ninguém que faça o bem. Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus: desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos. Não há quem faça o bem, não, nem sequer um.

Acaso nada sabem os que praticam a iniqüidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão, eles que não invocam a Deus? Se acham em grande temor, onde não há nenhum, pois Deus já espalhou os ossos daqueles que te cercavam. Vós os envergonhais porque Deus os rejeitou.

Oh! se já de Sião viesse a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os cativos do seu povo, então se regozijará Jacó e se alegrará Israel.

por Bruno

Creio que muitos tentaram neste mundão velho, entender o amor de Deus. Eu mesmo já pensei nisto muitas vezes. Acredite, é difícil. Sou o que se costumava chamar antigamente de “casca grossa”. Para quem não sabe, isso se diz de uma pessoa que seria o contrário do “meloso”. O meloso fica dizendo o tempo todo como você está linda(o), que te ama demais, e blá, blá, blá. O casca grossa, apesar de não ser muito – digamos assim – sociável, quando finalmente deixa escapar um elogio, ou uma palavra amorosa, é porque quis dizer exatamente aquilo.

Dizer “eu te amo” é fácil, diga a verdade. Já vi muita gente que diz isto o tempo todo, para o cônjuge, mãe, pai, filhos, amigos e por aí afora. Não que eu ache errado, mas creio que se você precisa dizer a todo momento, é porque está pensando que os outros não estão acreditando, ou coisa assim.

Como é o amor de Deus?

Você pode reunir uma equipe de pesquisadores para escarafunchar a biblia de cabo a rabo, se quiser, para responder a esta pergunta. Mas não é necessário. A verdadeira, maior e mais contundente prova de amor nos foi dada por Deus. Ele (Deus) entregou Seu próprio filho para nos salvar. Sendo nós ainda pecadores. Ou seja, entregou o filho limpo de qualquer pecado para salvar um bando de zoados como nós. Você acha que Deus precisa dizer a você que te ama? Ou assim já tá de bom tamanho?

É grande o amor de Deus? Talvez nunca lhe tenha ocorrido o que vou falar. Para começar a entender quão grande é o amor de Deus para conosco, é preciso pensar nas opções que Deus tinha (e tem) em suas mãos. Observe uma criança brincando com aquela massinha de modelar. Ela começa a fazer um bichinho. Faz o corpo, a cabeça, as patas e a cauda. Coloca as partes no lugar e contempla sua obra. Se a criança achar que ficou feio, o que ela faz? Amassa tudo num bolo só e começa novamente. Ou desiste.

Imagine Deus olhando para nós (dá até vergonha, fala sério…). Ele - é claro - tinha muitas outras opções que a nós pobres seres humanos abestados nem ocorrem. Mas com certeza tinha as duas opções mencionadas no parágrafo anterior. Acabar conosco e começar tudo de novo ou simplesmente acabar e desistir. Mas não. Ele não fez isto. Seu amor por nós é tão grande, que resolveu a parada de uma vez por todas. Deu-nos Jesus Cristo, para que nós, crendo n’Ele (Jesus) tivéssemos a vida eterna.

E o nosso amor? Ah, o nosso amor. Um amorzinho bem petitico, vamos dizer a verdade. Sim, porque é muito fácil amar a uma esposa fiel e dedicada, por exemplo. E mesmo assim, por vezes confesso que não amo a minha o suficiente.E também é muito fácil amar a um filho. Saiu de você, oras! E você ama a si mesmo, pois não? Porque não amaria sua própria criação? Amar o pai, mãe… Fácil.

E gastar mil reais para salvar a vida de um desconhecido? Ficou um pouco mais difícil, certo? Que tal gastar toda a grana da festa de natal (incluindo os presentes), para comprar alimentos para alguns pobres? Ou visitar na prisão ao assassino de um ente querido e ainda por cima ajudar sua família? Você não é capaz de fazer nada disso? Que vergonha… Eu também não.

Por isso é que somente o amor de Deus foi capaz de nos salvar, através de Jesus Cristo. É que a gente não tem jeito mesmo… Mas peraí um pouco. Isso não quer dizer que a gente deva andar pela aí fazendo tudo quanto é trem errado. Temos Jesus ao nosso lado, por isso podemos ir aparando as arestas, melhorando um pouco aqui e ali…
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