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sábado, 10 de novembro de 2012

A magistral assinatura de Deus

Olha eu aqui de novo, quimicamente misturando closcesarato de daniel com cetanato de anne. Pode ser que exploda, especialmente se pulverizado numa matriz de brabeato de paulo. Vixe, se isso acontecer!

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia." (Mateus 23.27)

"Ai de vós! porque sois como as sepulturas que não aparecem, sobre as quais andam os homens sem o saberem." (Lucas 11.44)

Chama-me atenção essas duas lamentações de Jesus Cristo. Elas são parecidas mas não iguais. Confesso que por muito tempo elas me pareciam ser a mesma coisa. Estudando um pouco, vi que existe diferença entre elas. Apesar de se referirem a judeus hipócritas, para o cristianismo podem representar 2 tipos distintos de falsos pregadores, falsos cristãos e falsos profetas.

Na passagem do evangelho de Mateus, Jesus lamenta o fim daqueles que parecem ser mais do que realmente são. Vejo Cristo lamentando pelos pseudo-apóstolos e seus ternos cheio de brilho e perfume forte para que não passem despercebidos no meio da multidão. Vejo Cristo lamentando pelo fim dos falsos profetas e suas revelações que não transformam, mas aprisionam ainda mais o homem... Homens que rodam o mundo atrás de discípulos para si mesmos e uma religiosidade na qual eles mesmos não crêem.

Eles são sepulcros caiados, falsidades pintadas de branco e com algum brilho... todo mundo que passa vê e consegue claramente identificar. Admira sua beleza, ou sente repulsa. Quem se mete com esse tipo de sepulcro, deliberadamente o faz. Compactua com essa "beleza". Quem rejeita se afasta, não vê ali nenhum caminho ou até algo que contamina. 

No evangelho de Lucas, há outro tipo de hipócrita, um religioso temente ao homem e não a Deus. Escravo do pecado, temente da própria consciência, perturbado com suas dúvidas e refém de sua carnalidade. Adepto de um teísmo que põe o homem no centro mas que precisa esconder-se atrás de uma cortina chamada “Deus”. Com aparência de temor a Deus, não passa de demência humana. Julga tudo carnalmente e busca em seu próprio coração a resposta para os mistérios do Senhor. Deus então é um soberano limitado, capaz de oferecer a Salvação, mas não de colocá-la em prática. Assim, quem se mete nessa “sepultura” é um desavisado, inexperiente ou confuso, que se deixa enganar.

Tanto um como outro conduzem somente até onde os seus pés alcançam ou até onde sua mão pode pegar. Ambos são perigosos, o primeiro porque é um lobo disfarçado e o segundo porque é um cego perdido dizendo para que todos o sigam. Escapar de um e de outro poderia ser uma tarefa difícil, se Jesus não tivesse nos provido com o Espírito Santo para dizer a cada um, bem lá no fundo da alma e com toda a clareza possível, o que deve e o que não deve ouvir, o que é certo e o que é errado, ainda que o coração seja bem corruptível.

Vou dar um exemplo prático de como o Espírito Santo ou esses dois camaradas podem te ajudar. Você tem uma inimizade, um assunto mal-resolvido ou qualquer outra pendência em certo lugar (que pode mesmo ser a igreja!). As pessoas não são perfeitas, as relações entre elas são menos ainda. Carnalmente, os instintos mais profundos do seu eu te afastariam do lugar, por uma questão simples de sobrevivência. Ficar longe do perigo sempre foi saudável. No entanto, digamos que você tenha juntamente alguma dívida, amizade ou bem-querer pelas pessoas ali. Eis a dúvida entre fugir e enfrentar!

O primeiro tipo de sepultura te sentenciaria a ir lá pois Deus revelou [a ele] que você precisava ir ou ele mesmo ia te colocar uma bênção tão forte que nada poderia te acontecer enfrentando os seus medos. Se você desobedecer, talvez te colocasse uma maldição ainda mais forte. Você se sentiria tentado a lhe agradecer se tudo desse certo, no final, mas ele provavelmente vai lhe cobrar antes que qualquer resultado apareça.

O segundo tipo ia se oferecer para ir ao lugar fazer um meio de campo, talvez lhe desse algumas aulas sobre como enfrentar as pessoas, possivelmente faria (até bem) o trabalho de um legítimo motivador. Talvez até tivesse experiências fortuitas para lhe contar sobre o assunto. Muitos bons amigos fazem assim...

Mas repare que, independentemente do primeiro sujeito e também do segndo, sempre pode acontecer o pior. Se isso ocorresse, ambos diriam (tal como os amigos de Jó) “você não teve fé o suficiente”. Claro que a culpa é sua, de quem mais seria? Ele fizeram sua parte, se Deus não te proveu, é porque você não quis.

O ponto problemático é que ninguém pediu para que você ouvisse Deus a respeito, e o Espírito Santo sempre tem nos plantado a certeza do CORRETO desde que nos comprometemos com Ele. Algumas boas respostas às questões humanas estão na Bíblia, mas evidentemente ela não contém TODAS as respostas. Sempre é boa coisa primeiro consultar a Palavra, mas pode ser que você seja alguém mais problemático e realmente não tenha nada lá que te mostre uma luz... Não porque Deus seja limitado, mas muitas questões simplesmente nunca haviam sido feitas quando os textos dali (o mais recente datando do 2º século D.C.) foram escritos. Mesmo os profetas não teriam podido descrever todos os eventos de todos os tempos, especialmente os mais íntimos da sua pessoa.

Entretanto, com Bíblia ou sem, Jesus prometeu “eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20), anunciando para tal que deixaria entre os homens O Consolador, para ficar para sempre e nos lembrar as Suas palavras (Jo 14). Ele não prometeu um manual de regras, uma linhagem de iluminados ou mesmo alguém mais abençoado que os mortais: falou em estar aqui Ele mesmo, ainda que noutra forma. Após não encontrá-la em todo o escrito que Ele deixou, você não poderia então Lhe fazer a pergunta verdadeira em seu coração?

Talvez a resposta seja simples, talvez seja complexa, pode até ser que tarde. E pode ser que você também escolha NÃO COLOCÁ-LA EM PRÁTICA, seguindo assim um deus diferente. Ninguém pode prever o que o Senhor lhe dirá, nem pode entender o que a resposta ou o silêncio Dele significa para você, mas inevitavelmente o seu comportamento será a medida do que realmente ocorre no seu íntimo, se você ouve ou não as coisas que o Senhor diz. Ele não falou numa parábola em florescer as sementes que seguissem o Seu ensino?

Se você está pensando em “teologia da prosperidade”, pode parar por aí. Nem sempre os caminhos apontados por Deus trazem dinheiro (na verdade, as evidências são de que levam o dinheiro embora). Nem sempre são bonitos e floridos, ou cheios de fama e glória (de novo, o curriculum vitae do fundador do Cristianismo advoga algo bem diferente). Mas são caminhos que inevitavelmente mostrarão o quanto Ele fala contigo.

Muitas igrejas enxergam que uma pessoa ouve a Deus quando ela “dá seu testemunho”. Essa formalidade passa às vezes por cerne e a razão de ser, por propósito da conversão de alguém ou até como objetivo da fé. Claro que o testemunho “palavrório” cimenta nos membros da comunidade o senso de pertença ao grupo, além de servir como ferramenta de propaganda da organização, mas não parece ser algo que o evangelho realmente preze ou atribua importância. Paulo, por exemplo, não deixou relatos sobre sua conversão, ainda que todo sua auto-biografia transpire as ações divinas. Seu testemunho foi em ações... Os apóstolos que escreveram os evangelhos sinóticos são ainda mais concisos sobre isso, usando a 3ª pessoa para narrar os fatos em todo tempo. E, novamente, sua vida (conforme relatos de outros) exalava o perfume das obras do Senhor. Davi, por outro lado, deixou muito salmos explicitamente dizendo como Deus o livrava e salvava, mas curiosamente nenhum sobre o momento mais “fiel” de sua vida, na frente de batalha junto ao gigante Golias. Esse relato ficou nas palavras do profeta Samuel...

É possível, então que alguém seja guiado por Deus e não diga isso? Sim, ainda que uma análise de sua vida talvez mostre efetivamente as digitais do Mestre. É possível que alguém também grite grandiloqüente as obras de Deus sem que tenha ouvido qualquer coisa Dele? Jesus falou sobre isso, certa vez, aos que profetizavam, expulsavam demônios e realizavam maravilhas: “Nunca vos conheci !” (Mt 7.23). Às vezes achamos que Deus somente pode se mostrar através de eventos grandiosos como a travessia do Mar Vermelho, mas acabamos excluindo Ele de nosso dia-a-dia, das pequenas ações onde poderíamos nos basear em seus ensinamentos e perguntar a Ele como agir.

Se você achar por bem contar as obras de Deus publicamente, nada o impeça. A boca fala do que o coração está cheio, as ações também (mas não sua intrepretação!). Jesus conhecia o coração dos fariseus que Ele acusava de seculcros, ainda que as pessoas os tivessem como exemplos morais e até honrassem como "os mais santos". No final, entre tantos que Ele curou ou que até sentaram-se para ouví-lo falar, talvez partilhando pães e peixes produzidos da forma mais divina, muitos foram ao pátio de Pilatos para escolher... Barrabás. E Jesus, vindo como O Salvador, acabou acusado de insultador de Deus, pelo Seu povo.

Quem poderia realmente conhecer o seu coração? Ainda que você nada conte, serão somente conjecturas suas quanto ao que as pessoas entenderam. No caso de um testemunho, ele não passa antes pela aprovação do pastor e da comunidade? Não seria essa comunidade a gritar de repente "Barrabás"? Talvez alguém fale bem de você no futuro, talvez digam até "foi um seguidor de Cristo", mas certamente não será você mesmo, se tudo funcionar ainda nos moldes bíblicos.

Saiba que, ao final, sua vida terá sido escrita [e neste caso já está sendo assim] segundo o deus que você segue, de uma forma ou de outra. A beleza do Artista se mostra na obra que Ele produz.

"Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.
Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão.
Jesus disse-lhes: Se fósseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão."

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O que cultivamos


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Atenção: este texto foi roubado do Nosso Andar Diário, teve o chassi modificado, recebeu um pouco de pimenta para enganar os cães e talvez o sirvamos sorrateiramente no café, quando ninguém espera. Vê se não espalha!

Uma vez, alguém me perguntou por que ela deveria ser como Jesus agora, uma vez que se tornaria como Ele quando chegasse ao céu (1Jo 3:1-2). Grande pergunta! Especialmente quando é mais fácil ser, simplesmente, você mesmo (e quem se conhece de verdade que diga isso ao oráculo de Delfos!¹).

Na verdade, existem várias razões pelas quais é importante tornar-se como Ele agora, mas uma delas é uma das principais. Esta razão é, em suma, um dos pilares [ocultos] do Cristianismo: embora a doutrinas/teologias sejam em grande parte frutos da interpretação humana sobre a vida de Jesus e aqueles que andaram junto Dele, a mensagem deixada por Jesus é essencialmente prática. É preciso ser cristão, acima de tudo, nas atitudes. Assim, quando nos colocarmos diante Dele, prestaremos contas de termos, ou não, vivido de maneira consistente em relação à Sua vontade. Paulo até adverte que, se nos achamos criadores, produtores, merecedores de algo, isso é mera ilusão egoísta (ainda mais em se tratando de igrejas), pois nada se faz sem a fiel supervisão do Senhor. Podemos escolher andar aleatoriamente, fazendo os "nossos" caminhos, ou seguir os caminhos apontados por Ele. No final, só iremos mesmo onde Ele deixar que vamos:

1Co 3.5. Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.

Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre Ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo.

Em outras palavras, Ele simplesmente consumirá tudo o que for diferente da Sua natureza! Por isso, o que fazemos para avançar o Seu reino - coisas como contribuir para a força da Sua igreja, servir aos pobres e necessitados, e promover equidade e justiça, como Ele fez - é como edificar com materiais essenciais que sobreviverão ao fogo do Seu julgamento. Ao contrário, edificar com coisas que refletem nossos caminhos decaídos, e viver para favorecer-nos e aos nossos desejos terrenos são comodidades que se tornarão um monte de cinzas diante do fogo consumidor da Sua glória.

Não sei você, mas eu preferiria amar Jesus o suficiente para viver como Ele agora, pois é uma alternativa bem melhor do que ter sua vida reduzida a um monte de cinzas, podada como um galho torto para ser jogado ao fogo.

Paulo se referia ao Cristianismo que Ele aprendera (e quão pouca teologia havia nisso, comparado ao que há 2000 anos depois) como uma evolução do que se entende por fé, comparável a conhecer o que há de melhor.

Gl 4.8. ... quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?

Agora, se ele mesmo abandonou seus velhos conceitos gregos, fariseus e romanos em função de sincero amor por UMA FORMA DIFERENTE DE VIVER, mais importante que o status, fortuna (afinal, Paulo não era pobre²), imagem pública (nisso Jesus também só teve um sucesso bem passageiro), etc, porque temos tanta dificuldade em fazer qualquer coisa semelhante? Porque chegamos a preferir viver com a culpa a fazer o que o Senhor mandou? Porque ainda não pudemos ver a luz que Paulo viu... Porque nosso Jesus ainda é teórico e não prático... Porque nos contentamos com [e até brigamos por] plaquetas de cristão XXXista, neoYYYélico, ZZZeta, WWWólico, que na melhor das hipóteses seriam bem semelhantes se fossem postas em prática, como Jesus fez.

Comentando o que também ouvi um dia, é quase impossível crer que um país onde o censo apontou 89% de cristãos passe por problemas iguais ou piores do que os vistos no VT, antes de Jesus ter passado seu ensinamento aos homens, antes de ter dado o exemplo que deu. Há muitos cristãos entre a população carcerária (mas peraí, Jesus e os seus seguidores não fizeram parte da população carcerária romana?), os juízes inquisidores eram da Igreja, e Mussolini não favoreceu o cristianismo? Talvez todos esses cristãos não saibam mais do cristianismo que o nome... Talvez o cristianismo que aprendem não seja o que Jesus ensinou andando entre os desqualificados de Israel. Talvez você se chame cristão, mas as pessoas que virem suas obras nem cogitem isso de você, como você não cogita dos malfeitores que usaram o nome de cristãos.

Independente da denominação (que é só isso mesmo - nominação), quanto de você restaria frente ao fogo que o Senhor tem prometido?

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¹ Oráculo de Delfos - os oráculos eram lugares onde certos sacerdotes diziam se comunicar com os deuses, que lhes passavam instruções e previsões. Eram de grande importância no mundo antigo, pois até os reis os consultavam. O oráculo da cidade de Delfos (Grécia) era dedicado ao deus Apolo, sendo o principal oráculo do mundo grego entre 800 e 300 a.C. Para o mundo moderno, ficou famosa a inscrição que havia sobre o pórtico do templo: "Conhece a ti mesmo".

² Paulo de Tarso diz que era fariseu filho de fariseus (Atos 23.6), portanto contava entre as famílias influentes da Judéia. Além disso, ele havia recebido instrução grega, o que fica evidente no conteúdo analítico e filosófico das suas cartas às igrejas. Mais ainda, Paulo havia estado entre os romanos que perseguiam os cristãos fora de sua cidade, Tarso. Era costume entre as famílias ricas do mundo romano enviarem os filhos para o serviço militar em terras distantes.

sábado, 19 de novembro de 2011

Não critique Jacó

- Vai uma sopinha de lentilha aí, mano?
Tá uma pechincha! Precinho que só Jacó tem.

DAR É MELHOR QUE RECEBER, então nós esperamos que o Pr. João esteja felicíssimo de nos dar esse excelente artigo, QUE ESTRAGAMOS, e pelo qual tivemos a etiqueta de não pedir.

O título deste artigo se deve a um pequeno comentário postado no Facebook que dizia assim: “Jacó era trapaceiro, Pedro genioso, Davi foi infiel, Noé se embriagou, Jonas fugiu de Deus, Paulo era um assassino, Gideão estava inseguro, Marta estava angustiada, Tomé era incrédulo, Sara impaciente, Elias estava deprimido, Moisés gaguejava, Zaqueu era pequeno, Abraão era velho e Lázaro estava morto… Deus não chama os qualificados, ele qualifica os chamados… Publique em seu mural se você não é perfeito, porém sabe que Deus está agindo em sua vida!!”.

Até que concordo com a frase “Deus não chama os qualificados, ele qualifica os chamados”, no entanto, algumas coisas desta mensagem estão totalmente erradas em relação ao que a Bíblia fala. Alguém pode me provar que Paulo era assassino? Suspeita-se disso, mas existem provas para tal afirmativa? O que se lê é que ele “dava seu voto” para que fossem mortos, o que não faz dele um assassino, mas um cumpridor da lei mosaica. Paulo diz que ele era fariseu, filho de fariseus.

Fl 3.3-7. Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne. Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. 

Mas, quero me referir a Jacó que é chamado de trapaceiro, mentiroso, enganador e usurpador. Estudei atentamente a vida de Jacó - como dos demais personagens bíblicos para escrever a série “Dramas das Famílias da Bíblia”, dez livros que serão editados pela Editora Mensagem Para Todos. Dois livros já saíram do prelo: A Casa de Efraim, e a Casa de Eli e de Ana.

Comecei escrevendo sobre Jacó, tentando vesti-lo com o que de mais depreciativo se pode achar na língua portuguesa, mas à medida em que escrevia e estudava a sua vida mudei de opinião. Eu que durante 47 anos preguei que Jacó era usurpador e enganador, mudei de ideia!

A começar por seu nome, Jacó. Alguns comentaristas falam que seu nome significa enganador e usurpador. Então, passei a me questionar por que os judeus ao longo da história continuam dando o nome Jacó aos seus filhos. Ora, nenhum judeu dá nomes negativos aos filhos, especialmente nomes que signifiquem enganador, trapaceiro e mentiroso. É que o nome Jacó tem outro sentido. Quer dizer suplantador, alguém que domina, que quer vencer e que luta para conquistar seus objetivos.

Existe uma grande diferença entre suplantador e enganador, porque um suplantador não precisa, necessariamente ser um mentiroso nem enganador para alcançar seus propósitos. Se bem que alguns mentem e enganam para suplantar os demais!

Jacó queria vencer desde o ventre materno. Ao nascer agarrando o calcanhar de seu irmão Esaú, Jacó estava mostrando sua disposição de ser o primeiro e não o último.

Ele não enganou a Esaú roubando-lhe o direito de primogenitura, bem ao contrário, ele adquiriu o direito comprando-o pelo preço de um prato de comida. Se Esaú se sentiu enganado é outra história – como ele afirma ao seu pai que Jacó o enganara duas vezes. Jacó não o enganou. Jacó comprou o direito de posse, aproveitando-se da fome de seu irmão. A Bíblia afirma que Esaú desprezou o seu direito de primogenitura; portanto, não foi enganado. Esaú decidiu vender seu direito de filho primogênito em troca da comida. O texto de Hebreus 12.16-17 mostra esta realidade: “… nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado”.

Ao mentir para Isaque que era Esaú, ele o fez induzido por sua mãe, Rebeca, porque ele mesmo não queria se passar por Esaú. Rebeca havia sido seduzida pelas riquezas que Abraão mandara mostrar a sua família quando negociou o casamento de Isaque, e criara Isaque como seu protegido.

Gn 25.24-28. E cumprindo-se os seus dias [de Rebeca] para dar à luz, eis gêmeos no seu ventre. E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pelo; por isso chamaram o seu nome Esaú. E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome Jacó. E era Isaque da idade de sessenta anos quando os gerou.

E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas. E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó.


Sua mãe o vestiu de peles para se parecer a Esaú. Obediente à mãe, mentiu ao pai. Chamar Jacó de trapaceiro é desconhecer a vida do patriarca, e era nesta direção que eu estava escrevendo o livro sobre a vida dele, quando me deparei com a verdade!

Gn 27.1-10. E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu filho. E ele lhe disse: Eis-me aqui. E ele disse: Eis que já agora estou velho, e não sei o dia da minha morte; Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sai ao campo, e apanha para mim alguma caça. E faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu coma; para que minha alma te abençoe, antes que morra.

E Rebeca escutou quando Isaque falava ao seu filho Esaú. E foi Esaú ao campo para apanhar a caça que havia de trazer. Então falou Rebeca a Jacó seu filho, dizendo: Eis que tenho ouvido o teu pai que falava com Esaú teu irmão, dizendo: Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe diante da face do SENHOR, antes da minha morte. Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te mando: Vai agora ao rebanho, e traze-me de lá dois bons cabritos, e eu farei deles um guisado saboroso para teu pai, como ele gosta; E levá-lo-ás a teu pai, para que o coma; para que te abençoe antes da sua morte.

Quando fugia de seu sogro Labão – porque este o explorava e queria ficar com as mulheres e os filhos – Jacó lhe disse: “Qual é a minha transgressão? Qual o meu pecado, que tão furiosamente me tens perseguido? (…) Vinte anos eu estive contigo, as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca perderam as crias, e não comi os carneiros de teu rebanho. Nem te apresentei o que era despedaçado pelas feras; sofri o dano; da minha mão o requerias, tanto o furtado de dia como de noite. De maneira que eu andava, de dia consumido pelo calor, de noite, pela geada; e o meu sono me fugia dos olhos. Vinte anos permaneci em tua casa; catorze anos te servi por tuas duas filhas e seis anos por teu rebanho; dez vezes me mudaste o salário. Se não fora o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o Temor de Isaque, por certo me despedirias agora de mãos vazias. Deus me atendeu ao sofrimento e ao trabalho das minhas mãos e te repreendeu ontem à noite” (Gn 31.36-42).

O que se depreende deste texto? Enganos ou fidelidade? Responsabilidade ou desprezo? O que se vê é um homem responsável e trabalhador! Jacó se revelou um homem honestíssimo em tudo o que fazia, a ponto de sofrer o prejuízo. Hoje, pode-se ver pelo Facebook que as pessoas querem se esconder atrás de supostas fraquezas de alguns homens de Deus para encobrir as suas próprias, com a desculpa de que Deus as escolheu assim mesmo. A desculpa mais comum é que os homens de Deus do passado eram falhos – o que implica afirmar que sou falho e mesmo assim Deus me usa! Sim, concordo que nossos heróis da fé eram falhos, mas não se esconderam atrás de suas fraquezas alegando que a graça e a misericórdia de Deus os alcançaram assim mesmo – o que leva as pessoas alegarem que são falhas, e mesmo assim Deus as usa! Ora, confessar que não se é perfeito é uma coisa, mas continuar VOLUNTARIAMENTE na imperfeição é outra. O que diz o apóstolo?

Paulo confessa que não havia alcançado a perfeição, e no mesmo contexto afirma: “Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento” (Fp 3.13 e 15). O que Paulo está afirmando? Que os perfeitos admitem sua imperfeição! Ele não está sugerindo que você e eu afirmemos nossa imperfeição, ao contrário, admitindo a perfeição! Antigamente, chamava-se isso de FALTA DE VERGONHA NA CARA.

Sobre o texto de Hebreus 11, o apóstolo recomenda que temos de prosseguir – deixando pra trás esses personagens – olhando firmemente para Cristo. Por isso, o autor aos Hebreus quando termina a homenagem aos heróis da fé – e veja que nenhum deles foi honrado neste texto porque eram fracos, mas pela fé que tiveram – afirma que a grande nuvem de testemunhas ou heróis da fé deve servir-nos de exemplo, não olhando para trás, para esses heróis, nem para seus defeitos, mas para frente, tendo Jesus como alvo porque Jesus é “o Autor e Consumador da fé” (Hb 12.2).

Não me é possível fazer uma análise aqui dos heróis de Hebreus 11, mas lá no AT o texto afirma que Sara riu de incredulidade, aqui em Hebreus ela é condecorada por sua fé, não por duvidar da promessa divina, “pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa” (Hb 11.11). Por isso o NT complementa o que o AT omite.

Então amigos do Facebook e das demais redes sociais: Antes de postar um texto que parece ser verdadeiro, examine-o à luz da verdade das Escrituras! Não publique sofismas!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Crendo na ignorância


Essa é uma tradução que Eliel Vieira fez de um texto no site http://www.reasonablefaith.org/site/News2?page=NewsArticle&id=8490. Wilian Lane Craig é professor de filosofia da religião, escritor de livros teológicos e mantenedor do site, onde responde algumas perguntas de leitores. Nesse trecho ele fala do argumento Kalam, uma palavra árabe que significa palavra ou discurso. Esse argumento é uma "dedução lógica" da existência de Deus, que mais tarde influenciou grandes teólogos ocidentais como Tomás de Aquino. Ele foi elaborado pelo pensador al-Ghazali, nos tempos do império persa. Não se pode negar que há um dedo de Aristóteles nisso. Segundo al-Ghazali, 
  1. Tudo que tem um início de sua existência tem uma causa para sua existência.
  2. O universo tem um começo de sua existência.
  3. portanto: O universo tem uma causa para sua existência.
Se o universo tem uma causa para sua existência, então essa causa é Deus.
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Caro Doutor Craig,

Eu tenho estudado a defesa da fé cristã durante a maior parte dos últimos seis meses. Eu reconheço que seis meses não é muito tempo, entretanto há uma ideia que eu não tenho conseguido vencer ou apresentar uma refutação quando ela é levantada em uma conversa ou debate. Muitas pessoas, incluindo alguns cristãos, alegam ignorância intelectual sobre conhecer alguma coisa sobre a vida, o universo e a lógica. Eles afirmam que uma vez que cada possibilidade ainda não foi explorada, então nada pode ser dito com certeza. Uma vez que nada pode ser dito com certeza, então todas as premissas que você apresenta podem parecer verdadeiras para nós, mas nós não podemos dizer que elas são absolutamente verdadeiras. Se elas não podem ser provadas como absolutamente verdadeiras, então não há razão alguma para acreditar nelas, e o argumento morre logo ali.

Está ficando cada vez mais frustrante e desanimador começar a falar com alguém baseado na lógica que é aceita e provada, e então ter que parar antes que a discussão sequer comece. Por exemplo, no argumento cosmológico Kalam a primeira premissa estabelece que “Tudo o que começou a existir tem uma causa.” Mas muitas pessoas questionam esta premissa baseando-se no fato de que nós humanos não viajamos por todo o universo para podermos concluir esta premissa. Uma vez que nós não exploramos todas as possibilidades no resto do universo, é impossível basear algo em uma ideia que pode ser ou não ser verdadeira em todo o universo.

Eu tenho certeza que você já ouviu isto antes em seus debates, esta idéia da incerteza das coisas. Eu estou inseguro sobre como proceder e falar quando as pessoas pensam desta forma. Qual conselho você me dá para responder a estas objeções?

Christopher
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Resposta do Dr. Craig:

As pessoas que você menciona, Christopher, são vitimas de um ceticismo injustificado e, no fim das contas, autodestrutivo.

Observe que eles igualam conhecimento com certeza. Se você não tiver certeza de que uma proposição P é verdadeira, então você não sabe que P. Mas que justificação existe para esta suposição? Eu sei que eu possuo uma cabeça, por exemplo. Mas eu poderia ser um cérebro em uma cuba de produtos químicos sendo estimulado por um cientista maléfico para que eu pense que eu tenho um corpo. Esta simples possibilidade implica que eu não sei que eu tenho uma cabeça? Se sua resposta for “Sim”, peça a eles que apresentem sua justificação para sua idéia de que o conhecimento exige certeza. Para qualquer coisa que eles disserem você pode perguntar a eles, “Você tem certeza?” Se eles disserem “Não”, então eles não sabem que o conhecimento exige certeza. Se eles disserem “Sim”, então não é verdadeiro, afinal de contas, que nós não podemos saber alguma coisa sobre a vida, o universo e a lógica.

O ceticismo, ironicamente, puxa o tapete onde seus próprios pés estão. Por exemplo, seus amigos afirmam saber que “uma vez que todas as possibilidades não foram exploradas, nada pode ser dito com certeza.” Esta mesma declaração é uma afirmação de conhecimento! (Uma afirmação notoriamente falsa, mas deixa para lá!) Como eles sabem disto? Ou, novamente, como eles sabem que “uma vez que nada pode ser dito com certeza, nós não podemos dizer que suas premissas são absolutamente verdadeiras”? Esta é uma afirmação de conhecimento (novamente, uma afirmação falsa). Ou, o que dizer da afirmação “se as premissas não podem ser provadas como absolutamente verdadeiras, então não há razão alguma para acreditar nelas”? Como eles sabem disto? (De novo, isto parece ser notoriamente falso, mas deixe isto para lá.) De onde estes céticos retiraram todo este conhecimento?

E se nós não podemos saber nada sobre lógica, como eles podem ter seguido o raciocínio abaixo?
  1. Uma vez que todas as possibilidades não foram exploradas, nada pode ser afirmado com certeza.
  2. Uma vez que nada pode ser afirmado com certeza, todas as premissas que você apresenta podem parecer verdadeiras pra nós, mas não são absolutamente verdadeiras.
  3. Se elas não podem ser provadas como absolutamente verdadeiras, então não existem razões para acreditarmos nelas.
Estas premissas se parecem com as premissas de uma inferência lógica chamada silogismo hipotético! Mas se esta regra de inferência não é correta, então nenhuma conclusão segue de (1-3) e nós não temos nenhuma razão, portanto, para duvidar do meu argumento original.

O problema fundamental com o ceticismo é que ele pressupõe que, a fim de conhecer P, você precisa saber que você sabe que P. Mas se eu posso saber um pouco de verdade sem saber como é que eu sei disto, então a espinha do ceticismo é cortada. O cético na verdade está fazendo uma afirmação muito radical para a qual ele não pode apresentar nenhuma justificação sem também serrar o galho no qual ele está pendurado.

O ceticismo é, portanto, estranhamente arrogante e autodestrutivo. Ele se baseia na suposição de termos conhecimento de afirmações não muito óbvias. O cético não pode fornecer nenhuma justificação destas afirmações, fazendo com que sua visão se torne, ela própria, incoerente; sem estas afirmações, entretanto, seu ceticismo entra em colapso. Portanto, a falta de certeza certamente não implica que eu não tenho conhecimento.
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Não é a primeira vez que um cético tenta DEDUZIR a existência de Deus. Isso aconteceu diversas vezes na Antiguidade mas, como diz Wilian Lane Craig, o ceticismo termina por cerrar o próprio galho. Segundo o sistema de lógica estudado pelo grego Euclides e Kurt Gödel no começo do século passado, todo teorema ou afirmação se apóia em axiomas, ou verdades simplesmente aceitas como absolutas. A lógica não se constrói do nada!

Bom, seria proveitoso perguntar se algum axioma poderia ter Deus como teorema, ou seja, se a existência de Deus poderia ser deduzida a partir de alguma verdade mais facilmente aceita. Talvez essa verdade possa ser, no fim das contas, alguma necessidade humana tão comum que todos a entendam. Nesse caso, explica-se a variedade de crenças a respeito de Deus. Se a Bíblia for tomada como base (e pergunto porque o seria, sem a crença em Deus como dogma), ela afirma sobre a própria sabedoria que “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão.” (Pv 8:17). Essa descrição da sabedoria como uma entidade é muito interessante:

"Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra. Quando ainda não havia abismos, fui gerada, quando ainda não havia fontes carregadas de águas. Antes que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu fui gerada. Ainda ele não tinha feito a terra, nem os campos, nem o princípio do pó do mundo. Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo." (Pv 8.23-30)

O autor desse provérbio afirma que a sabedoria é, talvez, uma das entidades mas antigas do mundo. Pelo menos tão antiga quanto o mundo. No entanto, repare-se que a sabedoria “ama quem a ama”. Trata-se de algo diferente do que a Bíblia diz sobre Deus, que ama por ser ele mesmo o amor. Assim, está a sabedoria abaixo de Deus (e não?). Talvez isso signifique que um axioma não poderia justificar Deus.

Ainda tomando a Bíblia como autoridade, o autor não identificado da Carta aos Hebreus fala muito seriamente em que “é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6). Sendo a sabedoria inferior a Deus e havendo a necessidade de fé [em Jesus] para chegar a Deus [pela misericórdia Dele mesmo], parece razoável que não se chegue a Deus segundo a lógica. Um personagem do livro “O Peregrino” de John Bunyan parece chegar a esse impasse perante as portas do reino de Deus, onde encontra o seu fim. Bunyan também argumentava sobre a necessidade de fé.

Se deixamos a verdade Bíblica para trás, por outro lado, Deus pode assumir muitas formas, ao bel prazer e necessidade do homem. É um caminho bem facinho, embora Paulo advirta Timóteo sobre isso também:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (2Tm 4.3-4)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pecado? Onde?


por Rick Thomas

O pecado exige uma resposta. E ele a terá. A questão não é “eu reagirei ao pecado?”. Você reagirá. Eu reagirei. A verdadeira pergunta é “como eu reagirei ao pecado?”. O pecado, como a gravidade, é uma daquelas leis inalteráveis: acontece e, portanto, eu devo interagir com isso. Não é que estamos desamparados ou somos vítimas do pecado, pelo menos não os cristãos. Semelhante à gravidade, podemos responder de maneiras sábias e benéficas à nossa queda. Deus nos deu a resposta para o nosso problema com o pecado, assim como o poder para superar as realidades do pecado. Por causa de Cristo, não temos de ser derrotados pelas vicissitudes do pecado. Podemos nos tornar ofensivamente centrados, motivados e fortalecidos pelo Evangelho e, certamente, cabe a nós a maneira como responderemos às coisas que fazemos de errado.

NEUTRALIZADORE ANTROPOCÊNCTRICOS

Refletindo sobre as maneiras erradas com que respondi aos meus erros, cheguei a pelo menos quatro respostas erradas ao pecado. Aqui estão elas:

Desculpas – Essa é provavelmente minha tática mais usada para neutralizar o pecado. Meu velho amigo Adão usou isso no Jardim do Éden e tenho descoberto que essa é uma resposta tentadora quando faço algo tolo. O problema, para aqueles que têm de conviver comigo, é que isso é frustrante, pois, no fim das contas, não é uma solução. Isso não afasta o meu pecado. Simplesmente o ignora ou talvez, melhor dizendo, transforma meu pecado em algum tipo de discurso ambíguo nem preto nem branco, que deixa todos desconfortáveis, sentindo que eu não respondia suficiente e biblicamente pelo que fiz errado. O pecado permanece e meus amigos e família precisam conviver com o grande elefante rosa na sala, quando me escondo em desculpas ao invés de tomar responsabilidade por minhas ações.

Justificativas – Existem momentos em que me compararei aos outros, o que é parte do processo que uso para dizer a mim mesmo que meu pecado não é tão ruim quanto o de algumas pessoas que conheço. Isso, é claro, não remove meu pecado, mas apenas o neutraliza temporariamente. Tipicamente, quando estou no modo autojustificador, é porque acho que mereço mais que eu tenho. Justificativa é uma forma de raiva, que vem de um coração irado e diz: “eu terei o que quero, a despeito do que custe ou de quem eu machuque no processo, porque mereço ser feliz”.

Usualmente, a pessoa autojustificadora não foi capaz de lidar com suas decepções pessoais com a vida. Ela fala de si mesmo como uma vítima disso ou daquilo, e porque isso aconteceu a ela, ela chegou à conclusão de que merece algo melhor. E quando essa pessoa peca, no processo de ter o que sente que merece, ela justifica seus atos pecaminosos porque se convenceu de que foi feriada desnecessariamente e deveria ser recompensada. É um ciclo que deixa muitas casualidades.

Aliviar – Normalmente, uma pessoa que procura aliviar seus pecados tem um tipo diferente de sensibilidade a seu pecado. Seu senso de moralidade é mais focado introspectivamente que o do Justificador ou do Escusador, que tendem a apontar externalidades para explicar porque eles fazem o que fazem. Enquanto o Escusador e o Justificador sabem a diferença entre certo e errado, eles não são tão introspectivos sobre seus pecados.

Na prática, isso funciona dessa maneira: o Escusador e o Justificador respondem ao seu pecado culpando os outros, enquanto o Aliviador escolhe punir ou culpar a si mesmo. Essa é sua versão da autoexpiação, ou como eles procuram pagar por seus pecados. Aqui está uma lista curta de respostas autoexpiatórias ou autopunitivas ao pecado: drogas, sexo, comer demais, televisão demais, gastar dinheiro, férias, roupas, medicamentos, raiva, cortar-se, autopiedade e outros comentários autodepreciatórios. Tudo isso ajuda a distraí-los de seu pecado.

Culpar – “Se você vivesse com a mulher que eu vivo, também faria as coisas que eu faço”. “Se você conhecesse meu pai, não seria tão rigoroso com o que eu tenho feito”. Essas são apenas duas das muitas variações que usamos para neutralizar nosso pecado. Infelizmente, minha lista é bem grande. Culpar se torna apenas mais uma reação errada que não resolve de fato as questões que precisam ser resolvidas. O problema central dos ‘culpadores’ é a auto-justificação. Eles tem problemas para admitir que estão errando. Estão apaixonados demais por si mesmos para dizer que falharam. Apesar de estarem cientes de seu pecado, eles preferem colocar a culpa em algo ou alguém além de si mesmos. Uma resposta ao pecado é necessária, e eles escolhem responder dizendo alguma versão de “não é realmente minha culpa”.

UM EFEITO COLATERAL REAL

O problema com essas quatro tentativas de neutralizar o pecado é que elas endurecem a consciência. A consciência (co – ciência) é aquela voz interior que age como nosso termômetro moral. Ela nos diz quando estamos errando. Contudo, quando escolhemos algumas dessas respostas que eu citei como uma “solução” para o pecado, nossa consciência começa a se mascarar, o que, a longo prazo, nos tornará insensíveis para as convicções divinas em nossas vidas. E, uma vez que nossa consciência se torna endurecida (mascarada), nos tornamos moralmente disfuncionais, incapazes de discernir ou reagir ao certo e ao errado.

NEUTRALIZADOR TEOCÊNTRICO

Há apenas uma forma correta de responder ao pecado. O Evangelho, a pessoa e a obra de Jesus Cristo. Deus nos deu a única resposta ao pecado em Seu Filho. Ao invés de nós escolhendo a escravidão por meio de respostas antropocêntricas ao pecado, Deus julga Seu Filho na cruz e apenas nos pede que aceitemos esse julgamento como a resposta definitiva para o problema do pecado.

Traduzido por Josaías Jr e Filipe Schulz

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A unção do leão, ou aquela que derruba no chão?


texto de Daniel Clós Cesar

Quero antes de mais nada explicar a ilustração deste texto. Não se trata de um chiste com aqueles que um dia tiveram uma experiência real e genuína no Espírito Santo. Ainda que com ressalvas (não vou escrever sobre isso agora), creio na continuidade dos dons espirituais neotestamentários. A imagem é direcionada aos falsos profetas e para aqueles que, os seguindo, recebem o juizo de Deus por o negarem em troca de alguma coisa que possam ganhar por intermédio da religião. Um bom vídeo explicativo desse meu pensamento poder ser visto nesta pregação legendada do Pr. Paul Washer (clique aqui).

Alguns anos atrás presenciei em um evento gospel no interior do Rio Grande do Sul, um pastor, de cabelos grisalhos e barriga bastante saliente, engatinhando pela igreja e imitando, ou tentando imitar (lhe faltavam juba, rabo e garras), um leão. Num outro canto do ginásio, uma menina que aparentava não ter ainda 20 anos, corria balançando os braços e grasnando como uma águia... ou caturrita, não sei bem, outros tantos jovens e velhos imitavam diferentes animais ou coisas, tudo muito difícil de crer é verdade, mas mais difícil de crer hoje quando olho para aquele dia, depois de ter conhecido o Evangelho que liberta. Foi naquele mesmo culto que ouvi pela primeira vez a recomendação clichê do que "ministrava": - Se você não está entendendo o que está acontecendo, fique em "espírito", mas não rejeite as obras do "espírito".

A grande mentira destes "ministros" tem sido essa: "Não rejeitem as obras do espírito!" Ok, não rejeitarei... quer dizer, se eu souber que espírito é esse.

Recentemente um super-mega-hiper-supimpa-azul pregador da prosperidade esteve em Porto Alegre. Ele e seu casaco-maravilha, o único capaz de fazer uma multidão ser derrubada e depois posta novamente em pé e depois derrubada novamente... mas tudo isso com que propósito? Qual o propósito de derrubar alguém jogando-lhe um casaco e depois solicitar que coloquem essa pessoa em pé para mais uma vez derrubá-la e repetir essa ação por várias e várias vezes... Qual o propósito? Mostrar que ele é deus? Mostrar que ele tem o controle da situação? Mostrar que seu casaco tem poder?

O que entendo com tudo isso? Pois bem, com o tempo que tenho de igreja, não de cristão, mas de igreja, muito presenciei e confesso que muitas vezes fui literalmente arrastado por esses tufões de doutrina e algumas centenas de vezes enganado por fábulas medonhas como essas duas que supracitei. O motivo? Um só: nós humanos adoramos a mentira e o faz-de-conta, pois fomos gerados em pecado e originalmente somos filhos daquele que é pai da mentira, e nos satisfaz agradar nosso pai.

Rm 8.12. Irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. ... Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada, a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. ... A criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou.

Quando vejo milhares de pessoas cercando pessoas como Hinn, Malafaia, Feliciano ou a trupe Valadão, pergunto-me: por quê? A resposta que consigo formular é apenas essa: Eles buscam naquela pessoa algo que eles não acreditam que Deus lhes possa dar, mas aquela pessoa sim.

Nesse desejo de receberem aquilo que essas pessoas aparentemente receberam: fama, dinheiro, beleza(?), unção etc., aceitam todo tipo de invenção doutrinária que parta da boca desses mestres pois desejam ser iguais a eles, desejam ter o que eles possuem, desejam ser eles. O homem que não adoece pode ser um bom curador de doenças, a jovem que tem "unção" no cantar pode ungir minha voz, o profeta que planta dinheiro e faz crescer "pé de moedinha" pode ser minha solução financeira... e Jesus, onde entra Jesus numa vida dessas?

Cristo não está em nada disso. Deus, em todo o tempo se faz presente ali apenas para derramar o seu juizo sobre aqueles que decidiram curvar-se ante um ídolo-homem, um super-crente que diz ser capaz de fazer Deus descer do céu para atender os pedidos de seu corrupto coração.

Se Cristo, homem sem pecados e fazendo milagres por onde passava, foi rejeitado e crucificado, como esses pecadores e mortos em seus pecados ajuntam milhões ao seu redor que os proclamam santos? Como pode ter sido Paulo apedrejado e condenado à morte enquanto Benny Hinn é idolatrado como deus? Como pode Pedro ter sido, conforme a tradição cristã, crucificado, e Estevam Hernandes, condenado à prisão justamente ainda receber homenagens em cidades do Brasil, mesmo sem nunca ter se arrependido publicamente de seus delitos, e é necessário que ele faça isso publicamente pois ele mesmo adora exorcizar pessoas publicamente em seus cultos e ele mesmo é um homem público. Como pode Tiago ter sido martirizado e hoje Murdock é tido por essa gente como o homem mais sábio do mundo? Como isso pode ser do Espírito?

Como pode alguém rastejando como um animal, quadrupede, não criado a semelhança de Deus, sem Espírito, irracional... como isso pode ser considerado do Espírito? Com que propósito?

É indecente o que acontece nas igrejas. Nesse tipo de cristianismo (se podemos chamar de cristianismo), o lugar construído para ajuntamento solene, para adoração e louvor daquele que é sobre tudo e todos tornou-se em muitos lugares (em quase todos os grandes lugares), palco de magia barata e sensacionalismo religioso. O gazofilácio deixou de ser o lugar das ofertas dos santos para manutenção da igreja, para ser o saco furado desses que nunca dizem basta para seus luxos. A oração deixou de ser o meio de um relacionamento íntimo do homem com Deus, para tornar-se uma via de mão única e exclusiva daqueles que têm "acesso" a Deus.

Rm 3.11-18 Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto. Com as suas línguas tratam enganosamente. Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios, cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria, e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.

Deus tenha misericórdia de nós. Maranata Jesus.

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Daniel Clós Cesar é historiador, desenhista nível super-básico, spurgeonista dos 5 pontos e casado com a primeira namorada, declarando-se um apaixonado pela Palavra e pelo Evangelho da Cruz. Escreve para Blogs como o Bereianos, de onde esse texto foi tirado com algumas pequenas modificações.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Versículos bíblicos que não existem... mas que são usados em pregações





1. “Onde está seu coração, ali está o seu tesouro."
Este “versículo” é tão usado pelos presbíteros, e citado pelos cristãos em geral, que é difícil encontrar alguém que identifique sua falsidade. De forma que podemos considerá-lo até como um “aspirante a versículo”. Na verdade, a maioria dos evangélicos acredita que, tão certo quanto o fato de Deus ser composto por três Pessoas, estas palavras são da própria Bíblia. A confecção deste texto inverídico deve ter sido feita após uma leitura desatenta do Sermão da Montanha, especificamente na parte em que o Mestre prega sobre o ajuntamento ilícito de riquezas na terra. Repare a diferença entre o trecho original e o texto distorcido pelos homens:

“Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6.21)

Os descuidados invertem o dito do Senhor Jesus: colocam “coração” onde está escrito “tesouro” e põe “tesouro” onde está escrito “coração”. Isso para que dê a aparência de que Cristo ensinava que não importa a quantidade de bens materiais que a pessoa possua: bastaria ela colocar o coração em Deus que estaria tudo resolvido. O que Jesus disse, realmente, é que nós podemos saber onde está o coração de uma pessoa observando onde ela ajunta suas riquezas: no céu ou na terra.

Vale lembrar que isso não condena o enriquecimento material, defendido como uma bênção divina em toda a Bíblia (Ec 5.19; 1Tm 6.17). O Messias estava apenas usando um recurso semítico de linguagem, comum na Bíblia, onde o lado natural era enfraquecido para enfatizar o lado espiritual. Por exemplo:

a) "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna..." (Jo 6.27)

Será que Jesus estava condenando o hábito de trabalhar pelo sustento material, ou Ele queria apenas dar importância ao ato de buscar as coisas de Deus? Outro exemplo do recurso semítico usado por Jesus é encontrado no Antigo Testamento, onde José diz:

b) "...não fostes vós que me enviastes para cá, e, sim, Deus…" (Gn 45.8)

Assim, poderíamos concluir que os irmãos de José não o mandaram para Egito. Mas, quatro versículos antes, ele havia dito: "Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito" (vs. 4). Pregando sobre a forma de amar aos semelhantes, o apóstolo João declara:

c) "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)

Fica claro que João não desejava proibir o uso de palavras no exercício do amor, mas somente afirmar que o amor não pode se limitar ao uso delas. De qualquer forma, não devemos e não podemos criar textos bíblicos para defender o ajuntamento de riquezas terrenas, pois a própria se encarrega de fazer tal defesa em inúmeras outras porções.

2. “A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus.”

Igual ao versículo anterior, esta frase é corriqueiramente declarada aqui e ali, sempre que o assunto tocado é fé. Ele é tão engenhosamente elaborado que muitos homens e mulheres de Deus o “soltam” de vez em quando, crendo piamente de que estão proferindo a Palavra de Deus. Na verdade, o que a Bíblia ensina é:

“De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.” (Rm 10.17) [ARC]

O apóstolo dos gentios está afirmando que o “ouvir” é produzido pela Palavra de Deus, e que é por esse “ouvir” que vêm a fé. É bem diferente do que os descuidados fazem a Bíblia parecer ensinar, pois, conforme a “pérola” pseudo-escriturística que eles criaram, é o ouvir do homem que gera a fé. Para entender melhor a diferença entre as versões de Rm 10.17, veja o que diz a Revista e Atualizada:

“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.”

A palavra “ouvir”, empregada em várias traduções, tem o sentido de “entender”, “compreender” a mensagem do evangelho, por meio da pregação expositiva, e não ao mero ato de escutar.

3. “Os anjos queriam pregar o Evangelho, mas Deus reservou esta tarefa aos homens.”

É difícil entender de onde se originou esta tese teológica. Ela é tão espalhada pelas igrejas que se tornou quase um “adendo” popular à Bíblia, um versículo extraído da cartola mágica cada vez que se fala sobre a necessidade de levar as boas-novas aos perdidos. Apesar da raiz desta árvore infrutuosa não ser de tão fácil identificação, podemos sugerir que ela se encontra nas palavras de Pedro, o apóstolo dos judeus:

“A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” (1Pe 1.12)

Talvez alguém que não conhece o sentido do termo “perscrutar” tenha lido o texto e daí tirado uma falsa conclusão, imaginando que o pescador de homens teria escrito que as “coisas” que os anjos anelam perscrutar é a atividade da pregação, e que perscrutar significa “fazer”. Embora seja essencial conhecer o sentido dos termos usados na Bíblia, o indivíduo que fez o versículo “abíblico”, que estamos desmascarando, vir à luz, não precisava recorrer ao dicionário para interpretar adequadamente o escrito de Pedro.

Veja o que diz a Revista e Corrigida:

“..para as quais coisas os anjos desejam bem atentar.”

A tradução dos monges de Maredsous reza:

“Revelações estas, que os próprios anjos desejam contemplar.”

O que os seres celestiais desejam receber são as revelações proféticas de Deus, e não o encargo de levar o evangelho aos pecadores.

4. “E vi uma taça de ouro no céu. E perguntei: Que é isso, meu senhor? E me respondeu: Lágrimas de santos.”

Diferentemente das revelações divinas que os anjos queriam conhecer, as invenções humanas que vimos até aqui são pérolas baratas, recolhidas nas águas rasas do relaxo para com a Palavra de Deus. O pseudo-versículo transcrito acima foi citado duas ou três vezes por um querido pastor, a quem considero como grande pregador, e que possui uma igreja de tamanho médio, o que prova que ninguém está livre de soltar das suas “furadas” de vez em quando.

Este presbítero afirmou, com uma certeza tão segura quanto sua fé na auto-existência de Deus, que o diálogo acima foi tecido durante uma visão do apóstolo João, no livro de Apocalipse. Por incrível que pareça, ele não se preocupou em procurar este texto na Bíblia, quer antes de citá-lo, quer após, na repetição de seu erro. O mais próximo que lemos no livro das revelações ao que o referido pastor disse é o que segue:

“E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.” (Ap 5.8)

“Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, que são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro (...) E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” (Ap 7.13,14,17).

A junção desalinhada destes versículos deve ter resultado naquela prole híbrida que, infelizmente, foi apresentada no púlpito daquela congregação ao povo que ali estava, como sendo a Palavra de Deus. Resta saber quem foi o pai da criança, o qual não apareceu na apresentação da bastarda.

5. “Ficai em Jerusalém até que seja glorificado do alto”.

Igual ao versículo anterior, esta “muamba” é o resultado da fusão de dois textos inspirados. O que o torna mais abominável que todos os outros é que tem, em sua genealogia, um problema semelhante ao visto na distorção de 1Pe 1.12: a falta de compreensão acerca de uma determinada palavra.

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de águas vivas. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” (Jo 3.37-39)

“E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes” (At 1.4)

Durante um estudo bíblico que ocorria em uma célula um certo rapaz, a quem estimo e tenho como um servo de Deus, disse que havia uma parte da Bíblia em que Jesus aconselhava seus apóstolos a ficarem em Jerusalém até que Ele fosse glorificado, ocasião em que o Espírito Santo desceria sobre eles. De acordo com aquele jovem, isso significava que Cristo ficou esperando que os discípulos o louvassem, glorificando-o, a fim de que o batismo no Espírito Santo fosse concedido a eles. Na realidade, o apóstolo do amor, em sua biografia de Jesus, não empregou a palavra “glorificado” com o sentido de “elogiado” ou “louvado”. Eles quis dizer que Jesus, como homem, ainda não havia sido “engrandecido”, ou “exaltado”, o que só ocorreria quando fosse levado à presença de Deus, a fim de se sentar ao lado do trono e ser reconhecido como Deus por Sua criação (Fp 2.9-11; cf. Is 45.23).

Confira o que a Bíblia na Linguagem de Hoje verte em Jo 7.39:

“Jesus estava falando a respeito do Espírito Santo, que aqueles que criam nele iriam receber. Essas pessoas não tinham recebido o Espírito porque Jesus ainda não havia voltado para a presença gloriosa de Deus.”

O apóstolo Pedro confirmou que Cristo foi glorificado por Deus, na ocasião de sua assunção e exaltação divina:

“Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis. (...) Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” (At 2.33,36)

6. “Toda a terra se encherá da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.”

Esta passagem fictícia é muito bonita – existe até uma canção que entoamos sobre ela em minha igreja – mas não faz parte dos escritos inspirados. Na realidade, o que a Bíblia afirma é:

“Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.” (Is 11.9)

“Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.” (Hc 2.14)

Como se vê, em momento algum se afirma que a terra se encherá da glória do Senhor. E isso para o desgosto dos que, mesmo com dezenas de anos de Evangelho nos ombros, tinham a frase supra-citada como sendo uma autêntica profecia divina.

7. “E Moisés disse: Que hei de fazer, Senhor? Pois eis que os egípcios se reúnem contra mim e contra este povo, a quem escolheste. E o Senhor disse a Moisés: Toca na águas.”

Deus não ordenou que Moisés tocasse no mar, e, realmente, não foi isso o que este profeta fez. Leia o relato singelo que se contrasta com a idéia exposta acima:

“Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar seco.(...) Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram divididas.” (Êx 14.15,16,21)

Para quem possui dúvidas, basta atentar em que Moisés dividiu o mar não pelo toque de seu bordão na água do mar, mas pelo fato de estendê-lo sobre a água, fazendo com que um vento leste soprasse por toda a noite até dividir aquela massa líquida, que teria se juntado ao sangue hebreu caso Deus não houvesse intervindo com tal milagre (que, repetindo, não envolveu nenhum toque de vara).

Parece que há pessoas que não gostam do legislador de Israel, pois, como se não bastasse ele haver tocado na pedra para dela extrair água – desobedecendo à ordem de Deus para somente falar à pedra –, ainda querem fazê-lo incorrer em um delito de igual gravidade. Deste jeito, não era nem preciso esperar chegar nos limites de Canaã: nem mesmo da terra do Egito o escolhido de Deus teria passado. Tsc, tsc, tsc...

8. “Jovens, vós sois a força da igreja.”

A fim de defender a importância dos cristãos jovens, um querido e dedicado líder de igreja tinha por costume citar este “versículo”, a fim de dizer que eles seriam o motor do Corpo de Cristo. Isso é uma distorção grosseira e irresponsável da Palavra de Deus, que afirma algo muito diferente, porém também honroso acerca dos jovens convertidos do 1º século:

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1Jo 2.14)

Oremos fervorosamente para que os jovens da Igreja Contemporânea também exibam estas três características, removendo e enterrando o que é velho (cf. At 5.5,6) para dar lugar às coisas novas do Senhor, uma nova porção do Espírito que caia como vinho fresco sobre a Igreja (Lc 5.37-39; Ef 5.18), abundando em conhecimento da Palavra (Mt 13.51,52; 1Jo 2.20,27), para que esta venha a ter cumprimento: “...e os jovens terão visões” (At 2.17).

9. “E, aconteceu que, subindo a arca do Senhor a Jerusalém, ao som da harpa, do alaúde e da cítara, Davi dançava no Espírito, com todas as suas forças.”

Hoje em dia, há pessoas que não aceitam o que a Bíblia ensina, em sua totalidade, acerca do louvor a Deus. Apesar de tão espirituais, elas são atingidas por uma “micalite aguda” (cf. 2Sm 6.20), que soa como um gongo pseudo-moralista toda vez que, numa reunião de culto, um crente se coloca a expressar sua gratidão e alegria ao Senhor usando todo o seu corpo, além dos lábios e das mãos. Para disfarçar essa mentalidade carnal, alguns afirmam que Davi – e também a profetiza Miriã –, dançou tomado pelo Espírito Santo, em uma ocasião única e inigualável, ignorando outras porções escriturísticas (Jz 21.19,20; Sl 149.3; 150.4; At 3.8).

É certo que o rei hebreu dançou mesmo no Espírito. Afinal, tudo o que os servos de Deus fazem é sob a direção Dele.

“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” (Gl 5.25)

Se a dança davídica não fosse espiritual, o Senhor não teria se agradado dela, da mesma forma que Ele não se agrada quando alguém lhe entoa um cântico “na carne”, sem meios de render-lhe sacrifícios de louvor com os lábios (Hb 13.15). Mas afirmar que o rei foi possuído por Deus enquanto levava a arca, dançando em estado de êxtase, é forçar o que está escrito e ir além da verdade – embora estas experiências fossem comuns entre os profetas daquele tempo.

10. “Tocava Davi sua harpa no palácio de Saul. E havia que, subindo sua adoração ao Senhor, o rei era liberto do espírito que o atormentava.”

Esse é um dos maiores mitos disseminados entre os evangélicos. As Escrituras não afirmam que Davi louvava a Deus perante o rei Saul, e tampouco que o demônio saía deste em razão da sua “adoração ungida”. Na verdade, os toques do jovem israelita, dedilhando as cordas de seu instrumento, acalmava a mente perturbada do monarca, causando-lhe um efeito terapêutico. Isso era meramente paliativo, pois o espírito voltava a atacar periodicamente, necessitando que Davi tocasse novamente para reverter o estado frenético em que o rei d’Israel ficava ao ser controlado por aquele demônio de loucura.

“E sucedia que, quando o espírito maligno, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a dedilhava; então, Saul sentia alivio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele.” (1Sm 16.23)

Isso revela que, muitas vezes, métodos humanos podem surtir efeitos benéficos sobre vítimas de espíritos de cegueira, epilepsia, mudez, transtornos mentais, e outros.

11. “Cristo virá, e os mortos ressuscitarão; num instante, num abrir e fechar de olhos, nós subiremos a ele, e para sempre estaremos com o Senhor.”

Creio que este seja um dos dez principais contrabandos, vendidos nas igrejas evangélicas, como autênticos versículos bíblicos. É de uma natureza tão torpe, que é triste averiguar a imensa popularidade que conquistou em todas as camadas, dos novos convertidos até os maiores mestres da Palavra. Veja por si mesmo o que ensina a Palavra divina:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1Co 15.51,52)

O que o ministro dos gentios está dizendo? Que o arrebatamento será tão rápido como um piscar d’olhos, ou que a transformação dos nossos corpos –de mortais a incorruptíveis– será assim? É claro que a segunda opção é correta.

Esta história de Jesus voltar e os cristãos serem transformados e transladados, num milésimo de segundo, conseguiu se entremear nas páginas bíblicas em razão da aceitação do dispensacionalismo, um sistema escatológico que ensina que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. Como os crentes poderiam ser arrebatados sem que o mundo os visse subindo até o Senhor? A resposta está neste texto pseudo-escriturístico.

12. “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução; antes, embriagai-vos com o Espírito Santo.”

Esse é usado para defender as experiências de êxtase, nas quais os crentes balançam, caem, riem e fazem outras coisas mais. É uma tolice recorrer a uma invencionice tão descarada para embasar estas coisas. Há textos verídicos que abrem espaço para crermos que o Espírito Santo pode fazer as pessoas ficarem como ébrias. Para saber mais sobre isso, consulte o estudo “As Escrituras e os Êxtases Espirituais".

13. “Em verdade, em verdade vos digo: o diabo vem para matar, roubar e destruir. Mas eu vim para tenhais vida, e vida em abundância.”

“O ladrão não vem senão para matar, roubar e destruir. Mas eu vim para que tenhais vida, e vida em abundância.” (Jo 10.10)

Quem é o ladrão que mata, rouba e destrói? O contexto clarifica a identidade de tal personagem:

“Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.” (vs. 8)

No vs. 10, Cristo não está especificando uma pessoa em particular como “ladrão supremo”, que seria Satanás, mas afirmando um conceito genérico: uma pessoa que recebe o título de “ladrão” tem por ocupação a apropriação total do bem alheio, mesmo que isso inclua roubar, destruir e matar aos outros. Contrariamente a isso, Jesus não é ladrão, pois Sua obra é o oposto disso: trazer a vida abundante, que é a vida eterna, espiritual. Em momento algum o Mestre cita a existência ou atuação do diabo.

14. “Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas.”

15. “Vós escolhestes a Saul sobre vós e vossos filhos, mas eu, o Senhor, não o escolhi; eis agora a Davi, homem segundo o meu coração, a quem tirei do aprisco de seu pai para reinar em Israel.”

16. “Irmãos, não desfaleçais; pois nos últimos dias virá o enganador, transfigurado em anjo de luz, o diabo e Satanás, que seduzirá a terra inteira. Ele surgirá como homem, falando e enganando a muitos, mas os escolhidos não lhe darão crédito.”

17. “E Sansão crescia em força e graça diante do povo de Israel; e era o varão mais forte de toda a terra, pois ninguém se igualava a ele entre os hebreus, os filisteus, os egípcios ou dos do lado da banda do oriente.”

18. “Aproveitando o sono de seu marido, Dalila foi e cortou-lhe as madeixas da cabeça, nas quais não passara navalha desde o nascimento; pelo que perdeu ele suas forças.”

19. “E, após os apóstolos terem visto o Senhor manifestado, chegou Tomé ao lugar em que estavam reunidos; contando-lhe os discípulos que o Senhor ressuscitara, e que havia aparecido a eles, não creu ele, pois era incrédulo, e duro de coração.”

20. “Vigiando em todo o tempo acerca do vosso falar e do vosso trato com os outros, pois Satanás anda em derredor, anotando nossas palavras; vede, portanto, que vossos dizeres não sejam usados para condenação, mas para glória no Dia do Senhor Jesus.”

21. “Acautelai-vos, pois Satanás, vosso inimigo, aguarda o momento de vosso desânimo para vos arrastar para o inferno, onde há pranto e ranger de dentes.”

22. “O diabo marca toda palavra que falamos.”

23. “E aconteceu que, com a pregação de Pedro, mais de três mil almas se converteram no dia de Pentecostes.”

Com certeza, muitos outros versículos “falseados” tem aparecido pelo mundo afora. Estes são os que conheci até hoje, sem contar as conclusões totalmente infundadas que alguns têm feito sobre textos bíblicos, tais como:

a) Pregar que Jesus levou nossas doenças físicas, baseando-se em Is 53.4,5, que é uma profecia do Antigo Testamento, que deveria ser interpretada à luz do Novo Testamento, em Mt 8.16,17 e 1Pe 2.24;

b) Ensinar que a prosperidade é um direito dos cristãos, com base nas promessas de Dt 28.1-14, enquanto as instruções sobre as guerras aos cananeus são espiritualizadas;

c) Declarar que a Igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação, construindo um castelo de areia sobre 1Ts 5.9, em vez de ler este versículo à luz de Ap 14.10;

d) Isolar o texto de Dt 6.4 para negar a pluralidade de Pessoas na unidade de Deus, enquanto o Novo Testamento ensina que essa unicidade é formada por “o Pai, a Palavra e o Espírito Santo” (1Jo 5.7, Almeida), sendo que o próprio Antigo Testamento já deixa isso implícito (Gn 1.26 c.c. Is 44.24).

Além disso, ouvimos também as frases engraçadas, que são facilmente identificadas por qualquer conhecedor mediano das Escrituras:

“Me ajude, e Eu te ajudarei”.

“Quem pariu Mateus que o cuide”.

E por aí vai.

O autor é estudante e ex-atirador do TG 02-010 em Araçatuba (SP). Design e conteúdo: Copyright © 2003-2010 Cleber Olympio. Todos os direitos reservados. Não traduzimos a opinião oficial das Forças Armadas do Brasil, nem a de instituições religiosas.