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terça-feira, 1 de novembro de 2011

A família de Jesus- ESTUDO BÍBLICO



Esse é um estudo que muitos devem conhecer dos nossos domingões de manhã. Estou colocando-o por escrito para que possa se espalhar. Trata-se de um estudo sobre valores familiares que podemos aprender da família onde Jesus cresceu.

Lc 2.1. Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa. E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa.

A Páscoa é um dia especial para os judeus, a lembrança do dia em que foram tirados do Egito mediante o auxílio divino, segundo a promessa de Deus:

Ex 3.16. O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, me apareceu, dizendo: Certamente vos tenho visitado e visto o que vos é feito no Egito. Portanto eu disse: Far-vos-ei subir da aflição do Egito à terra do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu, a uma terra que mana leite e mel.

Jesus não veio ao mundo em uma família qualquer, mas uma que pudesse lhe ensinar bons valores e garantir que ele chegasse como alguém correto à idade adulta, quando se iniciaria Seu ministério. Não foi portanto preparada uma família qualquer, mas uma que seguisse os valores ensinados ao povo judeu. Eles participavam dos eventos cívicos do seu povo, iam junto ao povo para a festa de agradecimento ao Senhor. Essa vida em comunidade, hoje tão prejudicada principalmente nas cidades, cria valores fortes nas crianças e nos jovens. Fazer parte de um grupo ensina a dedicar-se ao grupo, e nesse caso trata-se de um grupo agradecido a Deus pelo que lhes fizera no passado.

Viajar em caravanas para Jerusalém significava abandonar o ofício, gastar as economia de uma família pobre para homenagear a Deus no Templo. Tal devoção é um exemplo para os jovens, incute valores na sua formação que não se apagam.

Lc 2.43-45. E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos; E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele.

Eis algo pouco explorado: um Jesus desobediente. Não temos indício algum sobre o motivo da permanência Dele na cidade, quando todo o seu grupo partiu. Jesus já havia atingido a maioridade segundo os costumes judeus, e portanto agora poderia participar das discussões dos adultos, poderia ser ouvido. Em uma de suas primeiras ações como adulto, ele deixa o grupo partir sem ele. Os pais, curiosamente, demoraram 1 dia a descobrir que seu filho estava sumido. Descuido? Pela atenção dirigida a Jesus em outras passagens, podemos supor que não.

Havia muita gente voltando de Jerusalém após a Páscoa. De certa forma, os pais de Jesus, inseridos naquele grupo, sabiam que seu filho seria cuidado onde quer que estivesse. Alguns de nós talvez tenham tido a oportunidade de participar de comunidades assim, onde as crianças realmente não têm uma única casa e passam muito tempo indo nas casas uns dos outros. Em todos os lugares, há quem cuide delas e quem lhes preste atenção. E, melhor ainda, elas são desde cedo ensinadas a conseguir o necessário para sua sobrevivência. Quando muito tempo se passou, Maria e José foram procurar o filho entre os parentes e conhecidos, onde ele provavelmente estaria. A preocupação da família realmente apareceu quando não o encontraram entre o seu grupo e voltaram a Jerusalém, de onde haviam partido.

Por um lado, os pais tinham a segurança de que Jesus estaria bem, mesmo longe dele. Por outro lado, isso é muito diferente de ter indiferença pelo filho.Faz parte do ofício dos pais cuidar de quem OS SUCEDERÁ. Quando Jesus demorou a aparecer, os pais foram à sua procura.

Lc 2.46-47. E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os. E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.

Nenhum texto bíblico sugere que Jesus tivesse manifestado seu conhecimento da Lei quando criança, ou seja, que Ele possuísse um conhecimento inato dos profetas. Mesmo assim, Ele era capaz de discutir com os doutores da Lei, o que indicava sua erudição. Faz parte dos atributos da família ensinar valores aos filhos, instruí-los em costumes e saberes, e muito desse conhecimento Jesus teria aprendido com seus pais, que já haviam sido visitados por anjos ou em sonhos (Lc 1).

E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? E eles não compreenderam as palavras que lhes dizia.

Lc 2:41-51. E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava no seu coração todas estas coisas.

É interessante que, hoje, provavelmente uma mãe agiria com repreensão muito mais violenta com o filho, numa situação semelhante. Lucas não relata sequer uma palavra dita por José, mas relata Maria interrogando repreensivamente o filho. O jovem Jesus, ao invés de intimidar-se com a mãe aparecendo a sua procura 3 dias depois de verem-se pela última vez, confrontou ela com a pergunta “Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?”. Essa é uma frase chave nesse versículo, pois expõe a natureza divina de Jesus como sendo mais importante que as regras a que os homens (e especialmente os filhos) estão sujeitos. Ele viria mais tarde a confirmar esse ensino, confrontando o legalismo dos fariseus. Essa frase de Jesus também colocava em xeque a paternidade de José, o que talvez o tivesse machucado um tanto como homem. Apesar da referência de Jesus a sua paternidade divina, o trecho mostra um confronto bem humano de idéias, e também uma liberdade singular para que cada pessoa da família exponha suas razões pessoais, ao final do qual Jesus retorna com os pais a Nazaré. Apesar do confronto, o problema foi resolvido e houve submissão pacífica do filho aos pais.

A falta dessa liberdade de diálogo dentro da família é, muitas vezes, a causa de profundos conflitos e mágoas. Os filhos são ensinados a amar e tomar como exemplo os pais, dos quais muitas vezes conhecem pouco demais. Os pais não se justificam aos filhos, os filhos não acham que devem justificativa aos pais, e a família se torna uma casa habitada por pessoas estranhas umas às outras. Conflitos são inevitáveis, especialmente quando a situação de algum dos membros está mal definida (ex. adolescência: criança com obrigações ou adulto com responsabilidades?), mas é preciso que os embates sejam fonte de crescimento e começo de uma nova harmonia. Três fases críticas do desenvolvimento de uma pessoa são o fim da 1ª infância, quando a criança descobre como se comunicar; a adolescência, quando ela se descobre com habilidades de adulto e inserida numa sociedade; e a velhice, quando ela se vê incapacitada pela idade. Nessas três fases, o diálogo e o entendimento precisam ser reforçados, caso contrário as pessoas se afastarão da família.

No diálogo que Lucas narra entre Maria e Jesus, algo também é importante: há um ataque de Maria à ação de Jesus - ter deixado o grupo - mas não à sua pessoa. Muitas vezes, quando as pessoas se confrontam (e isso é freqüente) elas atacam a natureza ou a identidade umas das outras. A identidade dos homens pessoas não é responsabilidade humana, NEM DA PRÓPRIA PESSOA. Cuidar dessa identidade é obra do Senhor e, ao atacar a pessoa que Ele fez, atacamos Sua obra (Is 46). As pessoas fazem coisas erradas, e essa responsabilidade é delas. Podemos questionar, elogiar ou até atacar as ações de alguém, mas nunca sua identidade. Não podemos mudá-la e, fazendo isso, além de ofender o Criador de você e dela mesma, você lhe imputará uma culpa da qual ela mesma não poderá se livrar jamais.

Lc 2:52. E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.

Sabedoria, estatura e graça. Tratam-se dos aspectos intelectual (pois a Bíblia exalta o valor da sabedoria - ver Pv 8), físico (seu crescimento mostrava que Ele era saudável) e espiritual (ao crescer em graça, Jesus cada vez mais revelava aspectos de Deus em sua vida). Este tripé é necessário ao bom desenvolvimento de uma pessoas, sem excessos ou carência em nenhum dos lados.

A sabedoria foi o presente pedido a Deus por Salomão, e o próprio Deus elogiou essa escolha, pois ela levaria ao bom resultado de suas ações (1Rs 3).

Hoje, talvez nos seja de pouco valor pedir crescimento físico a Deus. Boa parte do mundo (ou pelo menos a maior parte que tem acesso a internet) tem um desenvolvimento saudável. No entanto, muita gente no passado (e também hoje, embora façamos o possível para não vê-los ou saber deles) vivia à margem da sobrevivência. Eles lutavam FISICAMENTE contra doenças (sem noções básicas de higiene e sem medicamentos eficientes) que iam de parasitoses a lepra e também contra a desnutrição*. Muitas vezes, e sem ignorar a realidade disso, as moléstias e a fome eram vistas com conseqüência do desrespeito aos Senhor. Assim, o bom desenvolvimento físico era o resultado de agradar a Deus.

O crescimento espiritual pressupõe aumentar a fé de um homem e realizar em sua vida o propósito que Deus (atenção: não a própria pessoa) tem para ele. Esse crescimento levaria Jesus, mais tarde, ao batismo, à tentação no deserto e ao ensino no meio do povo de uma sabedoria que mesclava os conhecimentos sociais dele mesmo e de sua natureza divina. As parábolas empregadas por Jesus (os próprios cristãos depois foram chamados de Parabolanos) refletiam esse conhecimento social, que lhe dava as ferramentas para ensinar ao povo humilde lições sobre o Reino de Deus. Quando esse conhecimento social falta aos cristãos, ficamos incapazes de nos comunicar adequadamente com as pessoas que queremos atingir. A sabedoria espiritual sobre o Reino precisa ser traduzida no modo de vida das pessoas, ou torna-se uma “videira sem frutos”. Esse é o tema do livro de Tiago.

Assim como Jesus crescia perante os homens, Ele crescia perante Deus. Isso reflete outra necessidade no modo de vida cristão: precisamos agradar a Deus primeiro e aos homens depois. Agradar apenas a Deus faz com que as pessoas não nos queiram como exemplo e levantem barreiras contra o que desejamos dizer a elas. Agradar apenas aos homens, por outro lado, nos coloca como servos de um mundo que não é o Reino de Deus. Os homens têm o mal na sua natureza e, se deixarmos, isso nos afastará do Senhor como dez com os judeus quando adoraram ao velho deus egípcio Apis assim que Moisés se separou deles, indo ao monte em busca da sabedoria divina. É preciso que sejamos agradáveis aos dois lados, pois Jesus orou pedindo ao Pai “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17.15). Somos obreiros de Deus NO MUNDO, não fora dele.

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* Na verdade, os textos que hoje estão na Bíblia continham muitas orientações de saúde e nutrição aos judeus, dadas como sabedoria pelo próprio Deus. Eu prepararei um material sobre isso, a ser postado futuramente. Aguarde. Agora é de verdade.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Deus Meu, Deus Meu


Todo homem carrega no peito um vazio do tamanho de Deus”, escreveu Dostoiévski.

Certo dia, pensando, deparei com um significado perverso dessa frase, mas que não deixa de ser real: nós esperamos/exigimos que Deus nos complete. Quem tem fome, vê em Deus aquele que lhe dará comida - sem comida, sem Deus. Quem aprendeu a conviver com um pai severo, vê em Deus aquele que lhe completará com a severidade que ele não acha na ausência do pai. Quem sente-se culpado por fazer algo, vê em Deus aquele que lhe tira a culpa (muito útil em algumas situações que eu não gostaria que vocês soubessem) ou que justifica essa culpa. Quem não identifica a origem da culpa, por definição essa origem é Deus. Aquele que presencia uma violência, olha para o céu e procura o Deus que parará aquilo ou que ameaçará o violento de alguma forma que ele mesmo se julga incapaz de fazer. Onde está o Deus que dá comida, que exige com severidade, que perdoa os erros que vamos propositadamente fazer, que castiga os erros que fizemos despropositadamente, que desarma o ladrão, que apavora os violentos?

Muitas vezes não achamos esse Deus Meu, e nos questionamos se Ele (o Deus Verdadeiro) existe mesmo. Mas parece que são dois seres! Deus diz a Isaías que os ídolos são assim: nada fazem, nada dizem, nada vêem, nada sabem. Será que esse Deus do qual temos conhecimento (pois se nos é interior, se está encaixado no buraco de nosso peito) não é simplesmente um ídolo? Jesus fez o possível para escapar desse buraco-no-peito onde tentaram enfiá-lo: andou com os excluídos da sociedade, mostrou amor especial por aqueles que desobedeciam a sua doutrina, sujeitou-se a sofrer perante um poder político não-reconhecido; ao mesmo tempo afirmava intimidade com o Deus soberano. Jesus não quis ser aplaudido por ninguém, mas queria que todos o conhecessem. Era algo de dar nó nas cabeças dos judeus de ontem, de hoje, de todas as religiões. Até mudar o nome das pessoas ele mudou. Ele simplesmente recusou os lugar onde os homens tentaram colocá-lo.

Se você perguntar a muitas pessoas sobre como elas pensam que é a personalidade de Deus, certamente terá respostas variadíssimas. Ensine-as a ler a Bíblia, e mesmo assim haverão tantas quanto as igrejas cristãs, judias e islâmicas no mundo. Cada um dá ao que lê seu significado próprio... não haveria como ser diferente. De um modo ou de outro, tentamos enfiar Deus no nosso buraco-no-peito quando grifamos aquela passagem que mais nos inspira, deixando as outras entregues ao “quase” esquecimento. Tentamos extrair da Bíblia ou do líder religioso o Deus Meu, pois não nos contentamos com outro: falhando nisso, mudamos de igreja, ficamos com o Deus Meu em casa mesmo.

Há diversas vantagens no Deus Meu que não estão no Deus Verdadeiro. O Deus Meu é controlável: ele se lembra de me punir ou exaltar quando eu me lembro disso, e faz sempre de forma que eu veja; ele também é da minha intimidade: eu sei dizer exatamente o que mais lhe desagrada ou agrada. Portanto, é alguém em quem eu confio. Confiar no Deus Verdadeiro é bem mais difícil, pois Ele pode virar o rosto quando você Lhe oferecer algo (Jr 14.12, Is 59.1-2), ele pode te punir ou ajudar de formas que você jamais saberá (Jó 24, Jr 5.1-5), é um Deus que você pode ficar sem conhecer, se não distinguir O Caminho que Jesus afirmou ser Ele próprio (Jo 1.18, Jo 14.6). É preciso verdadeira fé para confiar nesse Deus Verdadeiro, bem mais desconhecido de nós do que o Concorrente (Ez 33.17).

Seria muito fácil dizer a alguém para abandonar o Deus Meu em troca do Deus Verdadeiro. Jesus recriminava os ricos e fariseus por terem dificuldade de fazê-lo. Mas isso significa, realmente, seguir um Deus que não preenche o peito. é um Deus que pode deixar com fome, permitir a violência, o sofrimento, não te dar suporte psicológico nessa pessoa que você é. Os amigos de Jó se reuniram para entender o Deus Verdadeiro, e terminaram corrigidos por Ele. Numa visão simplista, é um Deus que não se importa com você. Mas então, porque tantas intervenções na história, porque tanta insistência conosco?

Jeremias fala de um povo que desconhece o Senhor. Setecentos anos mais tarde, Lucas relata Jesus contando sobre um Reino de Deus que cresce e vem entre as pessoas, em auxílio dos enfermos até, sem ser muito visível aos homens. Nós realmente não vemos o Deus Verdadeiro e Seu Reino porque Ele não é o Deus Meu. Vemos a parte dele que se assemelha ao Deus Meu, e só*.

Jesus coloca uma necessidade interessante a Nicodemos, um líder entre os fariseus. Ele diz que é necessário ao espírito do homem nascer de novo da água e do Espírito, para que veja o Reino de Deus. Nascer da água significa o batismo - mesmo Jesus foi batizado. Todo homem pode querer o batismo e ser batizado. Nascer do Espírito, por outro lado, significa literalmente que “Deus precisa chamar o teu nome”. É mais ou menos ou menos como sentar no banco de uma repartição pública e esperar bastante para ser chamado, sem que haja um ordem ou fila para isso. Você já foi até lá (isso é o batismo), mas não resolverá nada sozinho. Paulo fala aos coríntios que você pode ir ajudar os enfermos, dar sua fortuna e se sacrificar sem que isso nada valha (1Co 13). Por outro lado, João escreveu uma carta às igrejas de Éfeso salientando que o amor é uma qualidade do Deus Verdadeiro que aparece nas pessoas que O conhecem (1Jo 4.8). Realmente, não pode alguém gerar amor em si.

Os frutos do Espírito sobre os quais Paulo fala em Gl 5.22 não seriam “do Espírito” se pudessem ser produzidos por nós mesmos. Podem, claro, ser falsificados perante os olhos mais espertos (e talvez você mesmo julgue errado vê-los nos outros). Podem (e são) falsificados em nós até com algumas justificativas que aplaquem o Deus Meu.

Eu sou bom. Dou tudo o que ele precisa. Me enche a paciência e torra os nervos fazer isso, mas eu faço. E ninguém retribui.

Os fariseus eram hábeis em maquiar-se de bons! Mas esses frutos não podem ser Verdadeiros se não forem produzidos pelo Deus Verdadeiro. Jesus falou que o Espírito gera seus filhos como um vento: onde quer, sem que ninguém saiba onde ele vai (Jo 3.8). Eis a medida da nossa submissão necessária ao Deus Verdadeiro e que não temos pelo Deus Meu: precisamos orar para que Ele nos chame, ainda que Ele tenha pregado uma placa bem grande dizendo que nos quer em Seu Reino (Jo 3.14). Como o filho pródigo (Lc 15), o Pai já nos perdoou e nos quer, mas não temos direito de entrar em sua propriedade, e os próprios irmãos nos repelem com a justiça.

Você sabe que Deus chamou o seu nome quando vê nascer os frutos do Espírito em si. Até lá, esperemos no banco e oremos, pois o Deus Verdadeiro não se molda em nossos corações. Antes, podemos pedir que Ele de Sua própria vontade molde o nosso coração a Si, para que possamos ver Seu Reino*.

Olhe para você mesmo. Talvez Ele esteja fazendo isso, nesse exato momento.

Fabrizio
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*S. Freud, B.F. Skinner e mesmo R. Dawkins discursaram muito acertadamente sobre o universo próprio que nós construímos em nossas mentes. Ele não é o universo real, mas é um desenho dele feito por nós mesmos. Por estranho que pareça, é nesse desenho certo ou errado (e não no universo real) que baseamos os nossos pensamentos.

domingo, 3 de julho de 2011

Falando em virtude


Essa postagem foi colada letra por letra do site Bacia das Almas. Uma pérola do Paulo Brabo sobre as sujeiras que nos contam (como se fossem bonitas) e aquelas sujeiras que nós também contamos. Mas tiro o crédito dele pela sua crítica: Tiago já havia criticado isso duramente, e nem ele foi original. Se não ouvimos ele, pelo menos podemos ficar confiantes de não ouvir o Brabo também.
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Não há na verdade nenhum problema com a virtude. O problema começa quando começamos a falar bem dela.

No conto O descortês mestre de cerimônias Kotsuké no Suké, de Jorge Luis Borges, algo notável acontece: um homem virtuoso finge ser um cafajeste a fim de realizar um feito virtuoso. Trata-se de acontecimento notável porque, naturalmente, o oposto é que é a norma: um homem perverso finge-se de virtuoso a fim de empreender alguma perversidade. O primeiro problema em falar-se bem da virtude, portanto, é que não há nenhuma maneira de se determinar se estamos ouvindo alguma sinceridade – nem mesmo quando somos nós que estamos falando.

Recebi, como todo mundo, o discurso atribuído a José Galló, presidente das Lojas Renner, quando recebeu em novembro do ano passado o título de Personalidade de Vendas do Ano. Não conheço o sujeito e não tenho nada contra ele. Tudo que sei sobre José Galló está no que li no seu discurso. Tudo que sei é que ele fala muito bem da virtude – e que portanto não tenho como confiar nele. No discurso.

Em seu pronunciamento, Galló não fala muito em “virtudes”. Ele prefere a palavra mais ao gosto do nosso tempo, valores – termo que tem a vantagem retórica de ser mais imponderável e moderno e relativo do que o “virtudes”. Pode não estar na moda defender a virtude, mas “valores” todo mundo tem os seus, e somos imodestos o bastante para pensar que quando alguém defende os bons “valores” está defendendo os nossos.

Para não deixar a coisa no ar, o discursante estabelece logo que está falando (e, como se descobre, defendendo) o que ele chama de valores comuns: ética, decência, veracidade, honestidade, justiça. Esses são valores que “dão sustentação à verdadeira democracia”.

“Liberdade, justiça, honestidade, ética, respeito, transparência, dignidade, bem estar social. São valores. Injustiça, desonestidade, deslealdade, oportunismo, corrupção, esperteza. São contra-valores.”

QUANDO COMEÇAMOS A APREGOAR A VIRTUDE TORNARMO-NOS, NAQUELE EXATO MOMENTO, INDISTINGÜÍVEIS DAQUELES QUE ESTAMOS QUERENDO CONDENAR

Parte do problema do discurso de Galló está em que, num certo nível, não há como discordar do que ele está dizendo. Quem ousaria falar mal da decência? E em público?

De novo, aqui reside o paradoxo de se falar bem da virtude. Nenhuma conduta é mais típica de alguém que cedeu ao Lado Negro dos “contra-valores” do que falar bem das virtudes que não pratica. O melhor modo de encobrir a infâmia é sob o manto da exaltação da virtude. Lobo em pele de ovelha, aquela história. O contra-valor esperteza ensina isso na sua primeira lição. Eu sei.

Todos os exemplos de “contra-valores” que Galló examina estão ligados à corrupção na política. Trata-se de fato especialmente revelador, tendo em vista que são os políticos os especialistas em fazer discursos virtuosos, que exaltam os valores mais unânimes, populares e caros – e fazem-no porque sabem que desde que ouçamos o que queremos ouvir, não nos importaremos muito em ver cada palavra desconfirmada pela prática de cada um.

Basta fazer uma defesa ardente dos “valores” mais universalmente aceitos para merecer nosso mais sincero aplauso ao final de cada discurso. A lista mais completa e a voz mais embargada ganha. É só do que qualquer um precisa para ganhar a nossa aprovação: um bom discurso.

A dificuldade com a virtude está em que ela é muito fácil de simular, e os peritos nessa simulação são justamente os perversos. Eles falam bem do que é correto e fazem bem o que é errado. Parte essencial do paradoxo está, então, em que quando começamos a apregoar a virtude tornarmo-nos, naquele exato momento, indistingüiveis daqueles que estamos querendo condenar.Mais sensato é fazer como Diogo Mainardi: contentar-se em falar mal da medicocridade. Entre outras coisas, não ficaremos com falta de assunto e poderemos continuar falando de nós mesmos.

POR QUE É IMPRUDENTE FALAR BEM DA VIRTUDE

(1) não temos como saber se estamos ouvindo ou falando alguma sinceridade;
(2) não produz nenhuma verdadeira mudança de atitude, com exceção de
(3) gerar nos que estão ouvindo a impressão de que discursante e ouvinte estão de fato numa categoria à parte, que merece por sua corajosa defesa da virtude status acima do bando de corruptos que os rodeia;
(4) nossa postura torna-se, paradoxalmente, indistingüivel da dos infames mentirosos que estamos querendo denunciar.

É limitação inerente à natureza das palavras: palavras não são jamais virtuosas por si mesmas – nem mesmo quando falam a verdade. Os elogios à virtude são muito mais fáceis de copiar, divulgar e recomendar do que a virtude em si. As palavras podem ser simuladas, mas não a verdadeira virtude – e é por isso que gente verdadeiramente virtuosa tem pouco tempo e disposição para ficar falando bem da virtude. E eis o outro lado do paradoxo.

Não sou um sujeito virtuoso, mas pelo menos não cometo a impudência de recomendar a virtude a quem quer que seja. A virtude é para quem tem estômago forte. Entre outras coisas, ela requer que não se tenha o rabo preso com ninguém. Sei o bastante para saber que as palavras virtuosas não incitam à virtude; apenas os atos virtuosos tem o poder (como lembrava Vieira) de nos seduzir a imitá-los.

A VIRTUDE É PARA QUEM TEM ESTÔMAGO FORTE

Quem seria virtuoso o bastante para ter cacife de recomendar a virtude? Gandhi? Talvez. Madre Teresa de Calcutá? Possivelmente. Jesus? Por certo. Tudo que esses fizeram para divulgar a virtude foi, temerariamente, praticá-la. Nenhum deixou muitos seguidores.

Se eu fosse virtuoso, diria para Galló e todos que o endossaram pararem de falar bem da virtude e começarem a colocá-la em prática. Mas – ai de mim – nem isso posso fazer: posso apenas analisar as contradições dele, que são as minhas.

Talvez um homem virtuoso que gaste muito tempo exaltando a perversidade possa acabar de fato sendo contaminado por ela, e torne-se pela mera repetição um homem perverso. O oposto, por outro lado, não corre o risco de acontecer: quem gasta tempo falando bem da virtude acaba acreditando que é de fato virtuoso – e nada há de menos virtuoso do que isso.

Se você quer ser virtuoso, vá e encontre alguém virtuoso para imitar. Não limite-se a imitar as minhas palavras, por mais virtuosas que sejam – e às vezes, paradoxalmente, são.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Comida Cristã !



por Augusto Guedes


Todos os dias nós comemos. Na maioria das vezes, conjuntamente bebemos. Certa ocasião, à mesa para uma refeição cotidiana, me veio à mente uma hipótese no mínimo curiosa. Já imaginou se alguém, ao se converter verdadeiramente ao Senhor Jesus, arrependendo-se de tentar viver a vida de forma independente de Deus, fosse encorajado por outrem a comer, a partir de então, apenas comida cristã? Como seria?

Em que loja de supermercado ou mini-mercado a encontraria? Em que lanchonete ou restaurante teria para se comer a comida já pronta? Que igreja, ou melhor, empresa, a disporia para degustação promocional nas melhores lojas do ramo, ou a promoveria nas rádios, tvs, revistas, enfim, na mídia em geral? Quais seriam as condições ou parâmetros para que tal recomendação pudesse ser praticada? Afinal de contas, o texto de I Coríntios 10:31, é literal ao dizer: "seja comer, seja beber, ou qualquer outra coisa fazer, tudo seja feito para a glória de Deus". Se comida aparece de forma tão explícita, deve existir aquela mais adequada ou exclusiva para ser ingerida para a glória de Deus. Quem sabe, trata-se de um tipo de comida especial, ou talvez cozida por pessoas especiais, talvez de uma família especial. E por que não levantar a hipótese de um ministério também especial para tal, o ministério sacerdotal da culinária ou,os cozinheiros sacerdotes? Aqueles que através da sua arte culinária unem as pessoas a Deus ou que, por meio do seu serviço, ministram aos outros de forma que o alimento que produzem torna-se cheio de uma unção especial e específica: 'a unção da culinária'.

É possível que você até esteja considerando todas as palavras que escrevo. Vamos, então, pensar um pouco mais nessa curiosa hipótese sugerida. Talvez a primeira condição para o reconhecimento de uma comida como cristã fosse a sua composição, o seu conteúdo, os seus ingredientes. Então, quais seriam eles? Que ingredientes seriam os mais adequados ou sagrados? Vegetais, por serem alimento pré-queda do homem e não virem da morte de animais? Animais, porque durante um bom tempo eram oferecidos em sacrifícios? E porque não perguntar sobre a possibilidade de todos os feijões, arrozes, carnes, saladas, e tudo o mais, dependendo apenas da forma e quantidade que se ingere?

Para alguns, certamente o sal seria presença determinante na conceituação de uma comida cristã, pois a própria Bíblia informa sua importância para que o mundo ganhe sabor. Por outro lado, possivelmente o vinho, apesar de provocar um sabor todo especial, não deveria constar, face seu conteúdo alcoólico - embora, para alguns mais 'bíblicos', esse seria o ideal, pois, questionamentos à parte, simplesmente, é bíblico. Mas nem todos gostam de tais ingredientes. E mais, alguns até gostam, porém, não podem ingeri-los por uma questão de saúde. Fatalmente, determinar alguns ingredientes como comestíveis pelo cristão e outros não seria uma aberração,ou algo simplesmente ilógico. Certamente tal decisão não poderia ser tomada a partir do seu conteúdo.

Mas, como, então, identificar o que significa uma comida cristã? Deixando de pensar em relação à sua composição, pensemos, então, na sua aparência. Certos alimentos não têm uma boa apresentação ou são diretamente relacionados às práticas ou aos povos historicamente apegados ao que não vem de Deus. E, enfim, imagem é algo fundamental, sobretudo quando se está à mesa. Aí eu me pergunto: Comemos ou não com os olhos? É muito mais fácil pagarmos mais caro por um delicioso sanduíche fotografado com muita arte e exposto acima da bateria de caixas de um fast-food famoso, do que simplesmente ingerirmos aquele delicioso pirão gosmento em meio a um ambiente barato e simples, servido numa panela machucada de alumínio e, ainda por cima, queimada no fundo por tantos anos de fogão.

Certamente a comida cristã que procuramos teria uma aparência saudável, "santa, separada", e possivelmente um aspecto mais pautado em outra cultura do que na nossa, principalmente se tivéssemos sido evangelizados por pessoas de outras culturas como os missionários trans-culturais. Aliás, essa é uma grande tendência de alguns povos e também grande mal dos brasileiros, que têm uma gastronomia tão boa, como afirma o famoso chefe de cozinha 'Jun Sakamoto', de origem oriental e que se tornou referência na gastronomia a partir de São Paulo e Nova York: "O brasileiro muitas vezes, ao procurar uma boa comida, pensa primeiro na italiana, francesa, portuguesa, chinesa, japonesa, para depois se referir à brasileira."

Fica claro, então, que além do seu conteúdo, também não se pode definir comida cristã a partir da sua aparência. O que fazer? Por que, então, não partirmos para tentar defini-la em função da sua autoria? Quem a está fazendo? Quem é o cozinheiro ou cozinheira? De que mãos nascem essas saborosas, belas, memoráveis e saudáveis refeições, e por que não dizer, banquetes? Se formos avaliar apenas a partir da sua técnica, seríamos tentados a medir a autenticidade possivelmente com base na formação do seu autor. Que cursos gastronômicos ou de nutrição freqüentou? Qual a sua formação acadêmica? Engenharia de alimentos? Estudou em alguma renomada faculdade do ramo? Qual a sua capacitação técnica para desenvolver tais alimentos? Escreve ou lê receitas? Ou será que ele, ou ela, são capazes de criá-las simplesmente - por possuírem um dom específico na área - independente do tempo de fogão? E por falar em tempo de fogão, certamente a experiência poderia também ser um possível parâmetro. Será que tal cozinheiro possui experiência no assunto? Há quanto tempo ele cozinha? Em que restaurantes trabalhou? É profissional da área, independente da sua formação acadêmica? Com quem já fez parcerias? Ou, para quem cozinhou?

Todos esses questionamentos podem até nos ajudar a identificar uma comida muito bem feita, talvez de boa fama, deliciosa de se consumir, e, até, agradável aos olhos. No entanto, jamais os seus ingredientes, a sua aparência, ou a técnica, a experiência e a capacitação natural do seu autor para desenvolvê-la podem defini-la ou não como uma comida cristã. É óbvio que não existe uma comida cristã. Pode ser que cristão seja aquele que a produz. E você pode até estar achando tudo isso aqui meio ridículo. Mas foi exatamente o que fizeram com a nossa música chama de "cristã". Releia o artigo, substituindo a palavra "comida" por "música", e com algumas pequenas adequações, e constate tal realidade.

Que o Senhor, Pai da Luzes e das Artes, Criador Criativo em tudo, abençoe você ricamente!

Para quem não ler: deseja-se criar uma classificação para música como cristã, muitas vezes baseada no seu conteúdo, na sua aparência ou na técnica, experiência ou talento natural do seu compositor, quando na realidade não existe música cristã propriamente dita, mas sim cristãos que fazem músicas!

Augusto Guedes é pastor, empresário, compositor e músico. Já atuou na Igreja Presbiteriana da Boa Vista, Organização Palavra da Vida NE, Dókimos e Grupo Musical “Novo Viver” (1973–1986). Colaborou com a fundação da Igreja Presbiteriana Nova Jerusalém, foi ministro de adoração e jovens na Igreja Batista Central de Fortaleza, e mais recentemente compôs o colegiado de pastores da Igreja de Cristo na Aldeota. Hoje, com ministério bi-vocacionado, exerce atividades profissionais, e é um dos líderes da Comunidade de Discípulos (igreja nas casas) na mesma cidade.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira

enviado de http://bibliaeaciencia.blogspot.com/2010/09/nao-acordeis-nem-desperteis-o-amor-ate.html

Rob Bell - Fogo

“Não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.” (Cantares 2.7)

Fico vendo como os jovens estão cada vez mais se desvalorizando, estão perdendo valores . É cada vez mais freqüente entre ós jovens a prática de uma prostituição disfarçada de namoro. Não se vende mais o corpo; se empresta, se dá ! É uma espécie de "prostituição soft" que de soft só tem o nome.

Vamos pensar um pouco, porque sair cantando: "Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também" é "o mesmo que declarar ao corpo a condição de ser espaço público, por onde todos passam, mas ninguém permanece. Tudo o que é de todos acaba sendo de ninguém" Por que há tanta gente com depressão? Sem gosto pela vida? Por que há tanta confusão em nossas famílias? Por que as pessoas estão se matando? É porque o medo de enfrentar a realidade faz o homem buscar um alívio imediato. Mergulha-o nas drogas e afoga sua vida num lamaçal. Lança-o nos relacionamentos instáveis que lhe trazem o prazer momentâneo. São os típicos "Relacionamentos Doril": Tomou, beijou, a dor sumiu! Beijinho gostoso, amassadinha rapidinha, sem compromisso, usadinha só pra curtir. Passatempo que pode até ser "divertido" momentaneamente, mas desvaloriza o outro! E ninguém curte ser usado, desvalorizado.

Quem se ama se respeita, se cuida e por isso consegue respeitar e valorizar o outro. RESPEITO. Palavra que pode, à primeira vista, parecer "cafona", mas é o que todo mundo gosta, seja criança, adolescente, jovem ou adulto. Na verdade gostamos quando somos olhados sem frieza, sem julgamentos. Um olhar acolhedor desfaz antipatias, quebra preconceitos, não pára nas diferenças.

Um olhar que só vê as aparências, que só enxerga roupas, brincos, camisas, músculos ou a bonita maquiagem, é muito superficial e pobre. Quando alguém nota isso em você ou percebe o seu corte de cabelo, mudança de visual, pode até agradar, mas no fundo no fundo, todos gostam mesmo é de ser olhado além das aparências. Seja na Faculdade, trabalho ou na escola, um olhar que é capaz de enxergar nossas tristeza ou solidão disfarçada de liberdade numa roupa ousada e sensual deixa marcas. "Alguém me enxergou! Não julgou! Me valorizou! Olhou-me além das aparências!" Quem consegue enxergar o outro assim é porque o respeita, está amando, está evangelizando pelo respeito sem preconceito. Isso sim é "olhar diferente"!

Mesmo que você tenha jogado seu corpo no lixo das drogas, da sexualidade despersonalizante e desenfreada, Deus está disposto a fazer um trabalho de reciclagem e reordenação contigo. Ele quer te fazer entender o grande valor que tens. Existe esperança! Acredite! Pois Deus acredita em você! Está aberta a temporada do AMOR VERDADEIRO, aquele que respeita e sabe esperar. A verdade é que aqueles que confiam no Senhor não se exasperam, mas guardam-se na esperança de que Deus está no controle de suas vidas. Paz seja contigo!